O Flora que deu B.O.


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E aí que você compra o Flora by Gucci Gorgeous Gardenia (Gucci) e acaba indo parar na delegacia pra fazer um B.O. porque te roubaram a gardênia. Sério, gente! Tô procurando a gardênia dele até hoje. Alguém viu a dita cuja por aí? Olha, quem achar manda ela me ligar, please. Preciso falar com ela. Quero bater um papo, fazer uma selfie, pedir um autógrafo e tal. Sou mega fã da flor, gente! 

Dizem que esse Flora tem pêra, frutas vermelhas, gardênia, frangipani, patchouli e açúcar mascavo. E eu só sinto a pêra, as frutas vermelhas (pro meu desespero), o frangipani (que lembra jasmim – não à toa ele também é conhecido como jasmim-manga), um tico de patchouli e o açúcar.

O problema é que, na minha pessoa, a pêra ficou muito aguada, o doce trazido pelo açúcar não combinou com o resto (assim como aconteceu com o Flora tradicional, dito aqui) e as frutas vermelhas ficaram muito sintéticas. Quem me conhece sabe que eu não topo com frutas bremeias, entonce...

Achei graça engraçada no patchouli, que em mim ficou desbotado e, junto com as frutas, fez parecer que tinha xarope de lichia por ali. Oi?! Não, não tem. Foi ilusão de óptica no nariz (sic). Rá!

É, não rolou.E não foi dessa vez que um Gucci me catou de jeito. No mais, não fosse o meu probleminha com as vermelhas, também não teria rolado, viu? No fim das contas, Flora by Gucci Gorgeous Gardenia tem tudo menos gardênia e acaba sendo bobinho demais pra quem curte fortes emoções. Teje presa, Gucci! 

Enfim, achei esse perfuminho raso, chato, genérico, nadinha especial, entende? Mas essa sou. Eu e meus grilos. Não vai na minha não. Só me lê que já tá bão.

Mesa-redonda: O meu inverno


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Bora prosear ao redor da mesa? E eis que a Ju pergunta: o que te aquece neste inverno? E eu respondo que, pra começo de conversa, inverno é bicho tinhoso aqui no sertão paulista. Você agarra ele e o condenado foge. Aqui quase não faz frio, o r é retroflexo, o l vira r quando tá no final da palavra, o r no arremate dos verbos no infinitivo some, o d do gerúndio vira n e o lh sempre vira i. E é aqui que mora a turma do dois-pastel-e-um-chopps. Dialeto caipira rulez! Mazzaropi, te dedico! Enfim, quedê frio? Mais fácil o Jeca Tatu virar uma criatura proativa do que os termômetros despencarem pra baixo dos 20 graus. De modo que me aqueço caipiramente com os seguintes:

Samsara (Guerlain) – versão EDT: se Sidney Magal fosse perfumista dos bons, ele teria feito o Samsara. Entenda aqui.

Shalimar Parfum Initial (Guerlain): doçura adulta e inteligente para pessoas de phyno tracto. Falei dele aqui.

Cinéma (YSL): uma das baunilhas mais elegantes que eu conheço. Très chic ao cubo! Resenha torta aqui.

Nu (YSL): o que dizer sobre um dos meus perfumes prediletos? Cheiro de pele com alma e com incenso. Isso e muito mais foram ditos aqui.

First Love (Van Cleef & Arpels): um talco que abraça e esquenta corações frios. Basicamente minha Campanha do Agasalho. Falei dele aqui.

Pink Sugar (Aquolina): quando eu tô gulosa, é nele que eu vou! Mais sobre? Aqui

Adendo caipira:
Hypnotic Poison (Dior) – versão 2008 (EDT): esse fica no adendo porque ele só é usado quando a temperatura vai pra baixo dos 15 graus (acima disso minha enxaqueca berra). Ou seja, borrifo de vez em nunca. Falei sobre ele aqui.

Abre parênteses. Fazendo este post, me dei conta de que meu inverno se resume basicamente a Guerlain e YSL. Fecha parênteses. 

Bão, além deles, Chocolovers (Aquolina), Pure Poison (Dior), Lolita Lempicka (Lolita Lempicka), Vanille Extreme (Comptoir Sud Pacifique), Joop! Le Bain (Joop!) e Vanille Gourmande (Laura Mercier) também dão um passinho pra frente no meu inverno. O premiado é escolhido conforme o termômetro fala puxando o r comigo. #caipirismo

E você, o que veste de cheiro quando o clima ajuda? Sim, ajuda! Soy loca por ti, inverno que non ecxiste!

No mais, agora é hora de saber o que perfuma o inverno da Ju, da Dâmaris, da Beth, da Lily, da Cris, do Dênis, da Diana e do Cassiano! Bora lá!

Charlotteando


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Sabe quando um perfume é o teu número? Então, tô nessas. Tenho meu número 1, você sabe. E agora achei meu número 2. Mas já adianto: ele não fixa. Sim, não fixa. Então, se você dá importância pra isso, tira o cavalinho da chuva e/ou chispa daqui! Outra coisa: ele é bem levinho. Opa, não dura nada e é levezinho? Sim, tudo isso! A real é que não sou pessoa de bombas. Sou pessoa low profile que segue a vibe soy invisível, feliz and enxaquecosa. Sim, essa sou eu. Metade de mim ama perfumes. A outra metade tem enxaqueca. E as duas partes juntas moram no sertão paulista, onde frio é bicho raro feito curupira. Vai vendo. 

O negócio é que me encantei pra valer com o Eau de Charlotte (Annick Goutal). Quem conhece a casa sabe que a coisa toda costuma pender mais pra uma pegada mais natural, comedida, mimosa and educada. Tá bão pra você? Pra mim tá ótimo! Tem dia em que eu tô toda assim. Pois é, tenho meus dias de mimosa. Me deixa! De sorte que Eau de Charlotte é meu número! Meu número 2. Mas isso eu já disse. Bora parir o não dito.

Criado em 1982 (balzaquiana a Charlotte, hein?), o perfuminho é vendido como "uma ode a alegria e travessuras". Emília, amiga boneca de pano, te dedico! #amosousitiodopicapauamarelo 

Groselha, mimosa, cacau e baunilha fazem de Eau de Charlotte uma obra toda trabalhada no delicadismo impressionista. Opa, eu invento palavras (mas só quando o perfume merece!). Pois bem, sabe aquele lance maroto do impressionismo que te força a olhar o quadro de longe pra entender como todo aquele jogo de cores representa coisas lambidas pela luz? Eau de Charlotte é bem por aí. Olhando as notas de pertinho, na chincha, você não saca muita coisa. Dá um passinho pra traz e você consegue uma experiência espiritual. Taí! Monet pintaria Charlotte. Ah, se pintaria! 

Eau de Charlotte, minha gente, me é encantamento ao cubo! Cheirinho de baby limpinho e cabelinho penteado, de fraldinha trocada, talquinho no bumbum e tudo. Yes, talquinho! Nariz de marido até me indagou: "mas que cheiro de Talco Johnson`s Baby é esse?".

Enfim, temos ali um atalcadinho delícia, um cacau sequinho, um quase nada de fruta marota, um pouco de florzinha paz e amor e uma baunilhazinha bem discreta e suave. Docinho atalcadinho na primeira infância define. 

Taí um dos perfumes mais confortáveis que eu conheço! Na real, ele é o segundo mais confortável que eu conheço. Lembra, ele é meu número 2! E pra quem quiser embarcar na minha viagem, tome ciência de que meu número 2 ainda engatinha enquanto meu número 1 já ensaia os primeiros passinhos, capsici? Ah, e eles não são nada, nadinha parecidos (apesar do talco rei). Acho por bem avisar. Vai que.

No mais, tenho cá comigo que a mãe que usa Nº 5 Eau Première (Chanel) tem uma filha que usa Eau Charlotte. A vibe aqui é quase a mesma, viu? Esses sim até que se remetem mais ou menos pra menos do que pra mais. E, opa, sou minha mãe e minha filha. Meu grau de parentesco comigo e entre mim varia. Sou louca e amo os dois! Ou melhor, os três (lembra, eu tenho meu número 1)!

PS: Alguém aí também se lembrou de A Menina e o Porquinho? Passava tanto na Sessão da Tarde dos anos 80. Esse desenho me marcou, viu? [spoiler alert] Gente, eu chorei muito quando a Charlotte morreu. Chorei, morri, ressuscitei e chorei de novo.

1989: o ano que não terminou


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Em 1989 eu tinha 9 anos de idade. Em 1989 caía o Muro de Berlin, Madonna lançava Like a Prayer, entrava em circulação no Brasil o cruzado novo e estreava no cinema Indiana Jones e a Última Cruzada. Em 1989 acontecia no Brasil a primeira eleição direta em 30 anos para presidente da república, a TV via surgir Os Simpsons e morria Salvador Dalí. Em 1989 George H. W. Bush tomava posse como o 41º presidente dos Estados Unidos, foi fundada no Tocantins a cidade de Palmas, a Globo passava Que Rei Sou Eu? e o jornalista brasileiro Zuenir Ventura lançava o livro 1968: O ano que não terminou. Em 1989 a Guerlain comemorava 100 anos de Jicky e apresentava o Samsara. E é aqui neste ponto que a gente desce. 

Falar sobre o Samsara é o mesmo que querer condensar muito num pouco. Eu tentei fazer isso aí em cima com 1989. Não deu muito certo. Acabou ficando muita coisa importante de fora. Mas como eu já fiz isso antes, vou tentar de novo, pois é pra isso que este blog serve.

A história do Samsara, contada pela marca, começa quando Jean-Paul Guerlain conhece uma amazona inglesa chamada Décia de Pauw, por quem ele se apaixona. E ele tinha um desejo: oferecer a essa mulher "um perfume que fosse capaz de revelar aquilo que ela tinha de mais íntimo, aquela sensualidade única". Como ela gostava de sândalo e jasmim, Jean-Paul seguiu por aí e fez o Samsara. Porém, tenho fortemente cá comigo que se ele fosse o Sidney Magal, ele teria feito O meu sangue ferve por você. Rá! 

Abre parênteses. Pra quem não sabe, o nome Samsara vem do sânscrito e abarca a roda da vida. Quem quiser se aprofundar nos conceitos do termo, sugiro começar por aqui. Fecha parênteses.

Pois bem, ao perfume! Samsara é um floral amadeirado de responsa. Portentosíssimo, elegantíssimo, sensualíssimo, perfumíssimo! Jasmim, ylang-ylang, sândalo, íris, fava tonka e baunilha fazem um link incrível com a historinha de amor repetida à exaustão pela Guerlain (e se existe alguma verdade naquilo nós nunca saberemos). O cheiro - que aqui me aparece bem encorpado - me fala de paixão, de intensidade, de sensualidade escancarada (tal qual Magal em O meu sangue ferve por você, néam? ok, chega de Magal!)

Enfim, sândalo doce and cremoso define. Muito sândalo! Bastante mesmo! Tenha isso em mente se quiser se jogar nesse perfume, viu? Ah, e o jasmim e o ylang-ylang também imperam. Consigo me inebriar também com a íris, que anda de mãos dadas com a baunilha, e me traz aquele talco adocicado ímpar que só a Guerlain sabe fazer. Agora imagina aí o Magal falando tudo isso e você vai ter uma noção do que é o Samsara. Tá, parei! 

Na real, tudo aquilo que eu escrevi no parágrafo anterior (desconsiderando o trecho do Magal, evidente) me diz que Samara é perfume de inverno e pede dedo leve no spray. Porque assim ele fica redondinho, quentinho, aconchegante, apaixonante, arrebatador, praticamente um casacão de veludo num dia frio!

No mais, não, ele não é datado, apesar de não se parecer nem com a sombra dos perfumes que são lançados no mercado hoje em dia. O fato é que Samsara é um clássico. E de sangue quente!

Mas, óh, atenção! A versão EDT é um pouco diferente da EDP, ok? No mais, tenho um frasco atual da primeira e uma fração vintage da segunda (acho bom avisar porque dizem que esse perfume foi reformulado). Pois bem, a saída da EDT engana; é arejada, relativamente leve, e você fica achando que o resto vai ser sem graça. Ledo engano. Logo ela bota as garrinhas de fora e mostra o que é ser Samsara. No mais, a versão EDP começa direto no coração da EDT. O resto fica igual na minha pele, tanto na formulação nova quanto na antiga (se é que alguma coisa foi alterada mesmo, além da embalagem).

Mais uma historinha pra terminar (a última! juro! e sem Magal! garanto!). Reza a lenda que quando Brian Jones, então guitarrista dos Rolling Stones, foi assistir a um show do Hendrix em Londres, em 1967, ele disse: "Isso não é guitarra, é outra coisa, muito mais louca e bonita". E, bom, quando eu conheci o Samsara, em 2014, pensei cá comigo, inspirada pelo Brian - e voltando mentalmente ao ano de 1989: isso não é perfume, é outra coisa, muito mais louca e bonita!

La Tentation


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Eu preciso começar este texto dizendo que a cada flanker do Nina (Nina Ricci) que eu conheço, mais eu gosto da versão original. Um a um, cada filhote desse pai cata um pedaço do Ninão tradicional e bate na mesma tecla, deixando de lado a malemolência primeva, saca? 

Bão, como eu gosto de botar o nariz pra trabalhar, fui lá cafungar o tal La Tentation de Nina, mais um lançamento da safra floral frutado gourmand. 

Ah, e o pedaço que ele cata do Nina pai é o docismo avec azedismo, viu? Mas a coisa aparece transmutada aqui. Já te explico.

Diz Nina Ricci sobre ele:

O encontro inédito entre duas artes em um delírio delicioso. Olivier Cresp, mestre perfumista de Nina, e Vincent Lemains, chefe de criação da Ladurée, conjugam seus talentos em um jogo de espelho sensorial. Juntos, eles cedem à última tentação: compor uma fragrância como um macaron e um maracon como um perfume.

Pra quem não sabe, a Ladurée tem fama de produzir o melhor macaron do mundo em mais de 30 sabores, ok?

Voltando ao perfume, oficialmente, temos bergamota e toranja na saída, framboesa, amêndoa, limão e rosa búlgara no coração, e baunilha bourbon, almíscar branco e sândalo na base.

O resultado na minha pele é um macaron fúcsia de framboesa recheado com creme de bergamota. Ouso dizer que sinto muitíssimo bem até o toque da farinha de amêndoas do Vincent. #topchefbeijosmeliga

Enfim, taí um docim azedim do comecim ao fim. Doce de comer com o aparelho digestivo, saca? No mais, a coisa toda dá água na boca e tal, mas cansa. É como se entupir de maracon grátis: no começo você até gosta, mas depois enjoa. 

No fim das contas, temos aí mais um perfume doce para menininhas meigas que vivem no mundo encantado dos unicórnios, ou seja, nada a ver com a minha pessoa. Sim, tenho alma de véia, me deixa! F*cking unicorns, bitch!

Bão, talvez La Tentation com seu nome caphona by marca de lingerie que desfilava no programa da Hebe tenha chegado tarde na minha vida. Se eu tivesse ganhado um desses aos 10 anos de idade, ia usar só no Natal, e no resto do ano o bicho ia ficar trancado numa redoma de blindex só pra eu ficar admirando cheia de orgulho. Por essas e outras, penso cá comigo que as formiguinhas mirins o adorarão, tanto pelo frasco quanto pelo conteúdo.

Limão bom, bonito e barato


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Eu já tinha lido inúmeros elogios à Colônia Limão Siciliano (Phebo). Sempre ensaiei a compra dela e nunca ia pros finalmentes. Tinha medo de topar com um limão afiado e irritante, sabe? Acabava voltando pra casa só com o sabonete da linha, que é uma delícia, mas não é a mesma coisa. Mas aí a Li fez uma ode à dita cuja e eu não resisti. 

Olha, sou obrigada a admitir que perdi tempo não catando essa colônia antes. Que limão lindo, gente! E barato! Pensa: 200 emiéles por menos de 35 realidades! 

Mas não tem só limão nela não, viu? Na saída tem artemísia, alecrim, bergamota e pimenta negra. No coração, além do limão siciliano, tem também jasmim, rosa e violeta. Na base, cedro, almíscar e benjoim. O resultado é uma água perfumada confortabilíssima. 

Não dá pra sacar muito bem todas as notas porque não existe muita evolução na avenida, mas consegui, com muito custo, sentir um tiquinho de pimenta, talvez o alecrim e um pouco de almíscar. E, claro, limão. Bastante limão. Mas é a flor do limoeiro que eu sinto. E as folhas também, num clima pós-chuva de verão. Cresci com limoeiro no quintal e conheço bem esse cheirinho. Há ainda um fundinho amadeirado bem mimoso que me deixa mega feliz. E, pra minha alegria, não senti a violeta! Viva! 

Enfim, tudo suave, mas envolvente. Não tem nada chato ou fora do lugar ali. Taí um perfuminho equilibrado e fresquinho, com cheiro de abraço de criança limpinha. 

Não sou afeita aos cítricos, mas essa aguazinha me catou de jeito. Coisinha ótima pra usar em casa, saca? Virou meu Eau de Pijama N.º 2 (o N.º 1 tá aqui).

Só não dá pra esperar que a boniteza dure muito na pele. Afinal, é uma colônia, e de galão (e sem spray, ok?). Mas eu juro que não ligo de reaplicar.

No mais, quem é fã do Infusion D´Iris (Prada) tem tudo pra se apaixonar pelo Limão Siciliano da Phebo, viu? #ficaadica

Um trauma, um aviso e um post longo


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Este é o tipo de post que eu não gostaria de fazer. Mas preciso. Se você, como eu, costuma se jogar nas compras internacionais, atenção à historinha que se segue.

Semana passada estive nos Correios pra resgatar uma encomenda tributada vinda dos EUA. Fui lá e paguei as malditas taxas (os 60% da Receita mais os 12 ridículos reais que os Correios passaram a cobrar nesses casos). 

Pois bem, catei minha caixa e estranhei a ausência de peso da coisa toda. Impossível um perfume de 50 ml e uma amostrinha não pesarem absolutamente nada. Na mesma hora abri a caixa e, surpresa, ela estava vazia! Bom, nem tão vazia. O papel que protegia minha compra ainda estava lá dentro. Perfume, amostra e notinha de compra não estavam mais lá. Olhei direitinho e saquei que descolaram a fita que fechava a caixa, fizeram o serviço e fecharam tudo porcamente. Enfim, fui roubada. 

E foi então que tirei fotos da caixa vazia e recusei o recebimento daquilo. O atendente chamou o gerente da agência, que me estornou as taxas brasilis e abriu lá aquele protocolo burocrático todo que não serve pra nada ("“é apenas procedimento interno"”, me disse o gerente). Sim, estamos no Brasil, aceite! 

Fui orientada a abrir uma reclamação no site dos Correios e fazer um B.O. A reclamação eu abri, mesmo sabendo que não vai dar em nada (pra ajudar, a norma dos Correios que tá lá no site determina que é o remetente quem deve reclamar, não o destinatário, mesmo assim eu fui lá e fiz). O B.O. eu deixei pra lá porque ele só me seria relativamente útil caso eu pretendesse entrar com um processo contra sei lá quem (lê-se: Receita e/ou Correios, isto é, a alcova do ladrão que se diz funcionário público – mas qual? quem culpar?). Não, eu não tenho disposição pra nadar e nadar e morrer na praia. Sim, estamos no Brasil, aceite!

Moral da história: sempre que você for aos Correios retirar alguma encomenda tributada, por favor, abra a caixa lá na agência e verifique se sua compra está lá dentro. Desse jeito você consegue ao menos recuperar as malditas taxas caso tenha acontecido o pior.

Outra dica importante: tire fotos da caixa vazia. Essa será sua única prova caso pretenda entrar em contato com a loja ou abrir um processo contra sei lá quem (lê-se: Receita e/ou Correios). Quando você recusa o recebimento da encomenda não-encomenda (ou seja, da caixa vazia), ninguém te dá nenhum comprovante de nada. Eu pedi, mas não existe. Se você quiser ficar com a caixa vazia, terá que pagar as taxas. Sim, estamos no Brasil, aceite! 

Como se não bastasse, aquele protocolo burocrático todo que não serve pra nada determina que a caixa vazia seja devolvida ao remetente. E lá vamos nós custear toda uma cadeia poluente e esbanjadora de grana apenas pra que uma caixa vazia viaje burocraticamente milhares de quilômetros de novo. Por que simplesmente não destruir a caixa? Bom, estamos no Brasil, aceite!

Compro fora, e muito, há cerca de 10 anos e essa foi a primeira vez que uma coisa dessas me aconteceu. Já tive encomendas extraviadas por inteiro (mais precisamente 3, que sumiram com caixa e tudo), mas ser trollada assim? Nunca antes. Fico cá pensando por que a persona do mal não fez o trabalho completo. Por que despachar uma caixa vazia e tributada? Por que não ficar com tudo de uma vez? Bom, talvez um dia eu tenha a chance de perguntar isso pra ela no inferno.

Enfim, não vou perder nosso tempo com mimimis sobre injustiças, falência da moral ou ladrões que trabalham em instituições nacionais (basta, por exemplo, uma rápida pesquisa no Google pra encontrar notícias de funcionários que foram presos por roubarem encomendas alheias). 

É claro que eu fiquei mal, muito mal mesmo, com tudo isso. Na real, eu ainda tô péssima. Mas o que me consola é saber que meu caso serve de alerta e pode ajudar outras pessoas. Por isso, repito: se você for aos Correios pegar uma encomenda tributada, pague o que deve ser pago, mas em seguida faça um favor a si mesmo e abra a caixa na frente do atendente. Desconfie sempre do peso da caixa, mesmo que pareça que tudo está lá. 

Pra finalizar, encaminhei um e-mail contando minha história à loja onde comprei o que me roubaram. Mandei as fotos da caixa vazia também. Minha idéia era apenas alertá-los pra que pudessem fazer algo que ao menos dificultasse a ação de ladrões. Talvez uma embalagem mais resistente, mais fitas adesivas por fora da caixa, sei lá. É óbvio que nada disso impediria o roubo, mas se podemos dificultar, por que não? Pra minha total surpresa, imediatamente a loja me mandou um pedido de desculpas (?) e devolveu o dinheiro da minha compra sem que eu pedisse nada ou tocasse no assunto. Sim, eles não estão no Brasil, aceite! Acabei ficando ainda mais triste e envergonhada.

E você que me lê, me perdoe, mas não vou divulgar o nome da loja aqui. A loja não é o foco deste post. E eu quero preservá-la de espíritos de porco que gostam de levar vantagem, se é que você me entende. 

Bom, tá dado o recado! 

E o que passou tá no passado. Cabeça no presente e fé no futuro!

Update: Hoje, dia 17, recebi uma linda resposta dos Correios acerca da reclamação que eu abri e ela diz o seguinte: "Informamos que o objeto será encaminhado em devolução à Administração Postal de origem para prosseguimento junto ao remetente. Informamos que, conforme normas da União Postal Universal – UPU, órgão da ONU que estabelece as regras postais a serem obedecidas por todos os correios do mundo, o objeto postal pertence ao remetente enquanto não tiver sido entregue, em perfeitas condições, ao destinatário. Sendo assim, solicitamos orientar o remetente a formalizar reclamação junto à Administração Postal de origem." É pra rir agora ou mais tarde? Taí o desfecho da minha história. Sim, estamos no Brasil, aceite! Sem mais.

Mesa-redonda: À mesa


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Dia de boteco e lá fomos nós! Minha amiga de fé e colega camarada Dianíssima lançou um desafio: relacionar três perfumes a pratos da culinária. Pois bem, como eu gosto de perfumes que me contam uma boa história, achei por bem ir além e me ater a um trio comestível vindo diretamente do cinema. Daí pra perfumaria é um pulo! É tudo arte, gente! Mas pode ficar sussu aí que eu vou deixar O Silêncio dos Inocentes de fora, ok? Juro que vou ficar longe da comidinha caseira do Hannibal Lecter (mesmo achando a idéia divertida. rá!). Simbora!

O crème brûlée da Amélie Poulain

Um prazer indulgente? Quebrar a casquinha de caramelo do crème brûlée! Rá! E ninguém faz isso tão bem quanto a Amélie Poulain, né mesmo? Produção, tem Oscar pra isso? Pois devia! O Fabuloso Destino de Amélie Poulain levava brincando. Só sei que qualquer hora dessas eu cato o telefone e ligo pra Amélie só pra sugerir que ela conheça o Tutti Dolci Crème Brûlée (Bath & Body Works). O perfuminho aí, obviamente, é doce de incendiar a garganta. Ele já foi descontinuado e nos traz cheiro de açúcar caramelizado, baunilha e creme de leite. Falei dele aqui.



O macaron da Maria Antonieta

Bora perder a linha se empanturrando de macaron que nem a Kirsten Dunst? Tô gulosa, gente! Me deixa! Aliás, a formiga aqui invejou com força a comilança da Dona Maria, viu? Se aquilo era puro escapismo da parte dela ou apenas característica de uma persona frívola, bão, eu não sei, só sei que aqueles bolos e docinhos de montão me eram o paraíso! E o perfume, onde fica nessa história? Olha, e se eu te contar que conheço um que tem cheiro de macaron você me acredita? La Tentation de Nina (Nina Ricci) é o nome dele. Te juro que sinto até o cheirinho da farinha de amêndoas ali. Macaron de framboesa recheado com creme de bergamota é o tom. A resenha dele tá no forno, viu? Acabando de assar, eu posto aqui pra você. Macaron é assim mesmo, gente! Leva tempo pra ficar pronto. Calma lá!



O apfelstrudel de Bastardos Inglórios 

Alguém mais, além de mim, também cobiçou com força aquele apfelstrudel atolado no chantili que o Hans Landa comeu com vontade e cinismo? Aquilo lá acordou todas as minhas seis lombrigas, gente! E ali rolou um Oscar, hein? Christoph Waltz magnânimo levou a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante. Opa, eu sabia que aquele apfelstrudel era mágico! Eu sabia! Audrey Tautou, fica com inveja não, colega! Tá, e o perfume? Dolcelisir (L`Erbolario) me vem à mente quando penso em apfelstrudel. Apfelstrudel saindo do forno define. Dolcelisir é doce, quente e saboroso. Tem cheiro de doce feito com canela, rum e frutas secas. Resenha em breve. Prometo!

E agora é aquela hora que você chega mais perto e confere o que a Diana, a Carla, a Beth, a Dâmaris, a Ju, o Dênis, a Lily, a Cris e o Cassiano têm a nos dizer sobre três perfumes e três pratos! Yes, a Mesa cresceu! Botou reparo? Né?

Na lista rosada


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Jura que precisava de um flanker do 212 VIP, Carolina Herrera? Jura mesmo? Então tá, né. Cê tem que aproveitar as fotos da [bocejo] Gisele Bündchen mesmo. Agora que já pagou e tudo. Senhoras e senhores, com vocês, 212 VIP Rosé!

Floral frutado, ele tem champagne e notas frutadas na saída, flor de pessegueiro no coração, e madeira, almíscar branco e âmbar na base.

Não, ele não é a versão rosada do amareludo (a.k.a. 212 VIP, falado no meu post anterior). Falta sustância até pra isso. O amareludo, que já não é lá grande coisa, é Bacardi. O rosadinho é Sidra Cereser. Vai vendo.

Sabe do que eu realmente gostei nele? Do imã que puxa a tampa num canudo magnético do além. Quando você menos espera, vuuush, o frasco suga a tampa da sua mão e se fecha. Achei show e aplaudi na loja. Maridón ficou com vergonha de mim, mas ele sabe que esposa é pra essas coisas. Rá! Os frascos maiores do VIP original também têm essa magia, mas o meu amareludo não faz isso porque é o de 30 emiéles. #todaschora Mas eu sou boba e fico feliz pelo frasco alheio. 

Voltando ao perfume, Rosé é suave, levinho, inofensivo e (odeio dizer isso) comum, ou seja, é fácil de agradar. Com saída borbulhante, ele passa pelas frutas vermelhas docinhas estilo balinha (sim, isso me incomodou) e vai caminhando até chegar no indefectível cheirinho de banho fresquinho bem bom (yes, o final amadeirado with almíscar e âmbar me fez sorrir). 

Carolina Herrera nos ensina com o Rosé uma receitinha de sucesso no comércio. Anota aí: saída festiva, passinhos docinhos e final com cheiro de banho, tudo bem light do começo ao fim. Certíssima ela. Quem não quer ganhar horrores de dinheiro, néam? Esse perfume tem público certo e certeiro! 

212 VIP Rosé, eu te compraria? Não! Eu te usaria se te ganhasse? Sim, pra ficar em casa e/ou antes de dormir. Sou chata? Sim! Você vai vender bem? Sim!

Um brinde de Sidra Cereser pra Gisele Bündchen!

Are you on the list?


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O fato é que eu curto o 212 VIP (Carolina Herrera). Tá, nem sempre. Gosto de usá-lo às vezes. É meu lado doirado-caphona falando? Não sei. Só sei que foi assim.

Ele não é lá o tipo de perfume que eu compraria, mas eu ganhei um e isso me basta. Opa, vem ni mim que eu tô facinha, 212 VIP!

Parecido com tantos outros da perfumaria atual, 212 VIP é aquele frutal doce (quase melado) de balada, saca? Volúvel, efêmero, despojado, raso mesmo. E sucesso garantido de vendas, especialmente entre as criaturas jovenzinhas (não, eu não sou dessa tribo. eu sou uma criatura velhinha de 34 anos, ok?).

Longe de ser ruim (pelo contrário), ele traz maracujá e rum na saída, almíscar e gardênia no coração, e fava tonka e baunilha na base. Simplinho, néam? Mas gostosinho. Só não impressiona. 

Bacaninha o maracujá alcoólico da saída (e olha que eu não sou fã de maracujá em perfume). Admito que a combinação da fruta amarela com o rum deixou a calda bem festiva. A gardênia é cremosa (amo gardênia!) e o almíscar quase não aparece. A doçura da base impera. Cheiro de sábado à noite aos 20 e poucos aninhos, né mesmo? Só borrifo o meu quando tô mais pimpona. #souveialoka

Enfim, no início, 212 VIP é intenso, e o rastro dele atinge alguns quarteirões. Com o tempo, porém, ele se aquieta e some da pele. Seria ele uma metáfora da juventude culminando na vida adulta? Ui! Menos, Vanessíssima! Menos!

No mais, acho engraçada a proposta VIP, viu? Eu não me sinto lá very important person exclusiva e tal usando um perfume comercialesco and parecido com tantos outros. Vai ver a idéia é mostrar que todos nós somos suuuuper importantchys, néam, Carolina? Ok, ok, tá todo mundo na lista.

Do tempo do Brasil República


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No ano em que o Brasil virava república, Guerlain lançava o Jicky. Oh yeah, adeus, D. Pedro II, e olá, essências sintéticas! 1889 bombou, não? O fato é que Jicky revolucionou a perfumaria dando início à modernidade e bla blá blá. Ok, chega de história! Bora falar de cheiro, pois é pra isso que temos nariz. Tá, não é, mas fica sendo. 

Pois bem, a monarquia passou e Jicky permaneceu no trono. Esse perfume tá na roda até hoje. Oriental, ele vem com alecrim, tangerina, bergamota e limão siciliano na saída, fava tonka, lavanda, raiz de orris, manjericão e jasmim no coração, e especiarias, couro, sândalo, âmbar, benjoim, baunilha e pau-brasil na base.

Acredita em mim quando eu digo que Jicky é sujinho? Sim, ele é! Tem ali um toque fecal que deixa a coisa bem interessante. Sim, fecal! Cocô, meu povo! Cocô! Pode desfazer a careta aí que Jicky é sujinho mas é bonzinho. Veja bem, ele podia tá matando, mas não, ele só tem cheiro de cocô mesmo. E eu vou além e te explico esse cocô: ele é um pouquinho ácido. E esse cheirinho animal, demasiadamente animal, é bem bacana, viu? Ok, pode rir agora. Ou não.

No mais, do lixo ao luxo, Jicky também é um perfume limpo. Limpo? Sim, limpo! Opa, aposto que tem um ponto de interrogação piscando aí na sua testa agorinha, né? 

Pois bem, antes de toda a sujidade, o lado cítrico da força aparece. Muitas frutas cítricas explodem e refrescam a vida. Temos lá um toque herbal delícia também. E dá pra sentir mega bem a lavanda (e, pra mim, ela é um misto de flor com erva). Lavanda linda, linda e linda! E aí que o frescor ganha quentura e Jicky termina morninho, aquecido pelas madeiras e pela baunilha. Há nele também qualquer coisa de talco antigo esquecido dentro da gaveta da cômoda quase embolorada.

No geral, perfume incrível! Do começo ao fim, ele é interessante. E bonito. Tem boniteza na sujidade sim! Sou dessas. Quem me conhece sabe que gente limpinha demais me dá urticária. Rá! Enfim, Jicky tem todo um je ne sais quoi. Merece ser aplaudido em pé! Ah, me refiro à versão EDP, ok? Foi ela que conheci (thanks, Dênis!).

No fim das contas, fico cá com uma pulguita detrás da orelha: teria Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon (a.k.a Princesa Isabel, filha do homem) usado Jicky

Só sei que Truman Capote tá neste exato momento me emprestando este trecho lá do Answered Prayers (thanks, Puck!): The room smelled of her perfume…at some point I asked what it was, and Colette said: “Jicky. The Empress Eugénie always wore it. I like it because it’s an old-fashioned scent with an elegant history, and because it’s witty without being coarse – like the better conversationalists. Proust wore it. Or so Cocteau tells me.”

PS: Só este blog pra me proporcionar a alegria de juntar perfume, D. Pedro II, cocô e Truman Capote no mesmo texto. Rá!

Mesa-redonda: Sabe de nada, inocente!


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E aí que fomos pro boteco de novo eu, Dênis, Diana, Beth, Ju, Dâmaris, Lily, Cris e CarlaE então o Dênis chacoalhou as estruturas quando questionou: que coisas vocês gostariam de ter sabido quando começaram a se interessar muito por perfume? Pois bem, pedimos uma porção de aipim frito (porque da outra vez Beth queria aipim e acabou comendo batatinha frita meio a contra gosto porque foi voto vencido, tadinha) e, pra não perder o costume, começamos a tagarelar. E lá fui eu!

Quando eu comecei a me interessar muito por perfume:

Eu devia ter aprendido com o Bruce Wayne a enfrentar os meus medos. Quem me dera ter cafungado antes um pouco de figo, um pouco de açúcar, de laranja e afins? São notas que sempre me deram medo, gente! Mas tem tanta coisa boa ali. Agora eu aprendi a lição e cafungo tudo, até bula de remédio!

Eu devia ter aprendido com o Peter Parker que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Sim, porque com a globalização marota e o cartão de crédito fofo internacional, catar perfume fora é uma delícia, mas eu sou responsável pela Darf que me chega em casa, né dona Receita? 

Eu devia saber que, assim como o Wolverine, eu não vou morrer se deixar passar uma promoção bombástica daquele perfume-desejo. Tô vivinha da silva aqui até hoje e isso não me deixa mentir, néam? Logan, te dedico!

Eu devia ter sacado desde sempre que eu não sustento frutas vermelhas com a facilidade com que a Mulher Maravilha consegue erguer milhões de toneladas de qualquer coisa. Frutas vermelhas? Cansei de insistir, obrigada!

Eu devia ter dado uma de Jaspion e mandado um Daileon Kick direto pra cima daqueles comentários que leio nos sites que vendem perfume. Sérião, alguém já se deu bem lendo e se baseando naquilo pra comprar alguma coisa? Gigante guerreiro Daileon, help!

Eu devia ter aprendido que, assim como o Bumblebee, que consegue transitar entre dois mundos numa boa (ele consegue ser lindamente carro e robô, né gente?), eu também posso gostar de um perfume e não comprá-lo. Taí algo que eu devia ter sacado meeesmo no começo dos tempos: eu não preciso ter todos os perfumes que eu curto.

Eu devia ter me tocado que eu não sou tão forte quanto o Hulk. Definitivamente tenho que largar mão de cafungar perfume com violeta, gente! É enxaqueca fortíssima na certa.

Eu devia ter aprendido com a Formiga Atômica que os pequenos têm poder. Amostrinhas e miniaturas são boas sacadas pra conhecer um perfume antes de comprar o frascão. Se eu tivesse me tocado disso antes, provavelmente não teria hoje em casa alguns frascões menos queridos.

Ah, se eu tivesse sacado desde o princípio que, assim como o Loki, as empresas não têm um pingo de coração, gente! Elas não pensam duas vezes antes de tirar alguma delícia do mercado. Sim, eu era ingênua e a verdade dói.

Eu devia ter mirado no egocentrismo do Tony Stark e feito um blog logo de cara. É tão bom trocar idéia com gente pior and melhor do que eu. Rá!

Assim como o Clark Kent, eu devia saber que não se vive só de jornalismo, especialmente quando se ama perfume. Veja bem, o cara é o Superman nas horas vagas e tira uma graninha boa com essa coisa toda de royalties, né mesmo? Gente, sério, jornalismo sozinho não banca vício de ninguém. Devia ter me jogado numa profissão decente pra ter todos os perfumes que eu quero, viu? Bom, em todo caso, ainda tenho dois rins. Vendo um deles. Tratar aqui.

Do Nilo


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Bora trocar um dedinho de prosa rapidex sobre o Un Jardin sur le Nil (Hermès)? Antes, deixa eu perguntar uma coisa: mais alguém por aí lê o nome desse perfume e também se recorda do bom moço Nill (opa, com dois éles) do Dominó-manequim-teu-sorriso-é-um-colar-de-marfim? Mas, óh, eu não gostava deles não, viu? Preferia o Polegar-sou-como-sou-aonde-vou-eu-acho-a-minha-saída. Ok, parei!

Voltando ao perfume que promete nos levar a um jardim às margens do rio Nilo, temos cenoura, toranja, tomate e manga verde na saída, laranja, peônia, tifa, jacinto e lótus no coração, e láudano, íris, canela, almíscar e incenso na base.

Criado pelo super supremo Jean-Claude Ellena, o bonito aí tem manga verde ao cubo, mas que não chega a assustar cachorrinho de madame não. Eu que o diga! Tenho medo de manga (sou mangofóbica, me deixa!) e nem por isso saio latindo quando passo esse perfume.

Cá entre nós, Un Jardin sur le Nil é uma calminha e suave horta pós-rega. Opa, jardim ou horta, Jean-Claude? Ah, não importa! Interessa que esse perfume também tem um pé na quitanda - no meu caso, no quintal (entenda minha mangofobia aqui). Enfim, o cheiro é de fruta verde com brisa leguminosa e toque aquático de lótus. Há um pouco de citricidade e um pozinho mágico de incenso. Tudo bem discreto, natural, ensolarado e low profile. 

Gostoso como todo bom perfume, mas não me catou de jeito. Poemas de amor e musiquinhas do naipe de Manequim eu faço mesmo é pro Un Jardin en Méditerranée (suspiros sobre ele aqui).

MMA do açúcar


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[voz de locutor esportivoBem-vindos, amigos do blog! Preparem-se para a luta do século! Fiquem ligados! De um lado do ringue, ele, o peso-pesado da família floral frutal gourmand: Simply Pink (Aquolina). Do outro lado, temos o oriental Pink Sugar Sensual (Aquolina). Sim, amigos, o combate é histórico! Pela primeira vez dois flankers do Pink Sugar (Aquolina) se enfrentam na arena!

Mas antes do confronto valendo o cinturão de balinhas, pirulitos e mariolas, vamos dar um giro na ficha técnica de cada um.

Pesando 30, 50 ou 100 emiéles, Simply Pink traz na saída bergamota, folhas verdes, framboesa e amêndoa. No coração – haja coração, amigos! –, ele tem flores brancas e jasmim. Na base, baunilha, alcaçuz, morango e pralinê. Simply Pink foi lançado em 2013, amigos! É o caçulinha da luta, amigos! Sim, amigos, eu gosto de falar amigos!

E agora a ficha técnica do Pink Sugar Sensual, prezados telespectadores! Pensaram que eu ia dizer amigos, amigos? Rá, peguei vocês, amigos! Pesando 30, 50 ou 100 emiéles, Pink Sugar Sensual traz na saída bergamota – olha ela aí de novo, amigos! –, tangerina e cassis. No coração, jasmim, flor de laranjeira africana e tiaré. Na base, sândalo, baunilha e açúcar. Pink Sugar Sensual foi lançado em 2009, amigos!

Primeiro round: Início de combate, os dois perfumes se estudam. Pink Sugar Sensual aplica um bom golpe. A saída de cassis dele atinge em cheio a bergamota do Simply Pink. Que cassis potente, amigos! Não tem pra ninguém! É cassis, cassis e mais cassis! E vejam vocês, nós descobrimos que o Pink Sugar Sensual treinou bastante com o Fantasy (Britney Spears). O estilo de luta é o mesmo, amigos! E agora um chute giratório. Pink Sugar Sensual aplica um chute azedinho no Simply Pink! Simply Pink revida e manda um cruzado fresquinho pra cima do Pink Sugar Sensual. Seriam as notas verdes e a framboesa, amigos? Os árbitros decidirão. Fim do primeiro round.

Segundo round: A luta recomeça movimentada. Simply Pink se mostra mais floral, mas com açúcar e com afeto. Ainda conseguimos sentir o azedismo da bergamota e da framboesa, amigos! Pink Sugar Sensual não deixa por menos e mostra suas flores também, um pouco abafadas e mais adultas, direto no queixo! Fim do segundo round.

Terceiro round: Início do último round, boa trocação entre os dois. Pink Sugar Sensual demonstra tranqüilidade e baixa a guarda. Rente à pele, quase intimista, ele se transforma em algo docinho and amadeirado com uma certa adultidade. Simply Pink manda uma seqüência de golpes do Pink Sugarlembram dele, amigos? –, só que menos dulcíssimos e bem mais frescos. Simply Pink agora tenta um soco, mas passa no vazio. Tem açúcar ali nesse soco, amigos, mas ele não assusta criancinhas inocentes. Não precisam tirar as crianças da sala, amigos! A luta é limpa. Tem morango e alcaçuz no ataque do Simply Pink, mas só pra dar uma amansada no açúcar infantil na medida do possível, amigos! E minha vontade de falar amigos voltou com força, amigos! Fim do terceiro round.

Decisão dos árbitros: Por se tratar de uma luta perfumada, os dois competidores são considerados vencedores. Fim de luta.

E agora nós vamos ficando por aqui. Agradecemos a audiência e tenham um excelente dia, amigos!

PS: Parabéns pra você que chegou até aqui e leu este post bizarro até o fim!

Fiat incenso


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E no princípio era o verbo. E do verbo fez-se o perfume. E faça-se o incenso! E ele se fez. E o nome dele é Incense Avignon (Comme des Garçons). E digo mais: não tem melhor! Tá pra nascer incenso mais lindo, mais soturno, mais religioso, mais tudo. Do tipo que tem o tamanho da Basílica de São Pedro, que vai na missa medieval todo domingo, que fala latim e tudo. É botar na pele e ouvir os monges ao fundo entoando canto gregoriano.

Enfim, sou de uma família italianíssima catolicíssima, portanto fui criada você sabe como. Pulei fora quando cresci, mas os ritos e os mitos me são bem vivos na cachola. De modo que passei Avignon e lá estava eu tremendo de medo diante do Papa Gregório IX, o tal que instituiu a Inquisição. Ok, mas vamos falar de coisa boa. Vamos falar da TekPix.

E o que temos por ora? Temos láudano, especiarias, patchouli, almíscar, musgo de carvalho, cedro, camomila, pau-brasil, mirra, olíbano, incenso, elemi, baunilha e ambreta. É ou não é dos deuses? Ops, de Deus? Avignon pede monoteísmo, né, gente?

Ele nos traz incenso floral, adocidado, florestal, úmido, ambarado, enfumaçado e delirante tudo ao mesmo agora. Ele é igreja antiga, experiência olfativa, arte. 

Pois bem, pra você entender o poder da coisa, apliquei Avignon, meu cachorro chegou perto, curioso pra cafungar, e espirrou. Dominus tecum, Ufo! E olha que ele curte os meus perfumes e não faz atchim por qualquer coisa. O bicho (e aqui eu me refiro ao perfume) é power!

Mas, óh, ele pede temperatura baixa, viu, gente? Nada de sambar na cara da sociedade borrifando Avignon em pleno verão, please! Quem faz isso vai direto pra fogueira! Gregório IX tá de olho!