1948 é logo ali


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O cravo brigou com a rosa no laboratório do perfumista Francis Fabron por volta das 18h da última sexta-feira, 4 de junho de 1948. De acordo com testemunhas, houve intensa discussão e cada flor seguiu para um lado. Em seguida, o cravo se dirigiu à mesa de Fabron e se enfiou dentro de um frasco adornado por uma tampa que trazia duas pombas. Segundo os investigadores, o cravo, bastante alterado, não parava de repetir: "daqui eu não saio, daqui ninguém me tira". Pouco depois, a rosa foi vista entrando no frasco também. O caso foi registrado no 1º DP da história da perfumaria. Taí, L'Air du Temps (Nina Ricci) é basicamente isso. 

Criado há 68 anos, ele envelheceu bem, viu? Tipo a Bruna Lombardi (alguém diz que ela tem 64 anos, gente?). Todinho retrô (a ponto de muita gente o identificar com "cheiro de vó"), ele segue perfeitamente usável por quem admira um clássico ou teve um jardim de cravos na infância e não esquece aquele mágico cheirinho floral-terroso-cremoso-picante-úmido. Eu me encaixo nos dois casos.

Quem viu O Silêncio dos Inocentes com a atenção e o carinho que esse filme merece vai se lembrar do momento em que Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) encontra Clarice (Jodie Foster) pela primeira vez e saca que ela usava L'Air du Temps. Detalhe: Clarice não estava usando perfume naquele dia. E Lecter, claro, sabia disso. "You use Evian skin cream, and sometimes you wear L'Air du Temps, but not today", foram as palavras dele. E, olha, nem precisa ter o olfato tão apurado quanto o dele, viu? Mesmo depois de tomar banho e, pasmem, na manhã seguinte, eu (que não sou ninguém na fila do Oscar) ainda posso sentir o L'Air du Temps na minha pele.

Total pós-guerra (a Segunda Guerra Mundial tinha acabado três anos antes da criação do dito cujo), ele vem com cravo (né?) e gardênia na saída, rosa (olha ela aí!) e jasmim no coração, e sândalo e íris na base.

Novamente, eu vou bater na tecla: L'Air du Temps tem cravo (a flor). E depois não diga que eu não avisei! Cravo é uma flor difícil pra muitos narizes. Sim, porque esse perfume é basicamente cravo. E sabonete. Lembra que eu falei que ele é antigão, né? Mas ele não é pesado. Ao contrário, é leve, mas marca presença, e faz bonito durante o dia. E fica mais lindo quando a temperatura tá amena. Acho refinadíssimo, como poucos conseguem ser (ainda mais hoje em dia).

PS: 4 de junho de 1948 caiu mesmo numa sexta-feira. Mas eu só fui descobrir isso depois que o texto tava pronto. Chutei. E fiz gol. Rá!

Doce elixir


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L'Erbolario é uma marca italiana bacaninha, acessível (lê-se: relativamente barata para os padrões) e, infelizmente, pouco conhecida cá no Bananão. Facilmente encontrada no ebay, ela oferece uma imensa gama de cosméticos com pegada natural, sustentável e cruelty free. Uma das crias da casa é o perfume Dolcelisir, uma brincadeira com as palavras italianas dolce (doce) e elisir (elixir). Por aí já deu pra sacar a coisa toda, né? 

Ele traz na saída bergamota, laranja, caramelo e rum. O coração tem jasmim, rosa, sempre-viva, lírio-do-vale, canela, cana-de-açúcar e cacau. Na base, patchouli, baunilha, benjoim, tonka, âmbar e almíscar.

Pois bem, começo dizendo que Dolcelisir parece perfume de nicho, gruda na pele feito tatuagem e inebria feito vinho.

Por essas e outras, Dolcelisir é absolutamente doce, intenso, quente, vibrante e licoroso. E se você leu uma antiga edição da Mesa-redonda já sabe que ele me remete a apfelstrudel. Mas desconstruído, coisa de restaurante chique, ok? Nada de sobremesa congelada vendida no supermercado, please! O lance aqui é doce "gourmetizado" feito com canela, rum e frutas secas. No frio ele brilha!

Dizem os bons narizes que ele se parece muito com o badaladérrimo Ambre Narguilé (Hermès). Como eu não conheço o dito cujo, paro por aqui.

Balé urbano


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Make B. Urban Ballet chegou n’O Boticário como edição limitada e promete ficar até meados de setembro. Até lá, (quase) todo mundo vai ter tempo de prová-lo e achá-lo parecido com o 212 VIP Rosé (Carolina Herrera). Até na cor do frasco. 

Abre parênteses. Particularmente, prefiro o nacional. Tem algo ali no perfume da Senhora Herrera que me enfadonha depois de um tempo. Já o do Boti me é mais rico e encorpado. Achei uma delícia do começo ao fim e acabei adotando um (apesar do precinho chato – a saber: R$ 119 por 70 ml de líquido). E pensar que eu nem entrei na loja interessada nele. Não fosse a simpaticíssima vendedora querendo bater a meta do mês, eu nem teria cafungado o dito cujo [coleguinhas da Amanda, aprendam com a moça!]. Fecha parênteses. 

Classificado como floral amadeirado, Urban Ballet tem, segundo a marca, pera [gramáticos, me devolvam o acento diferencial que tava aqui, please!!!], flores transparentes e cardamomo na saída, tulipa negra, rosas e lírio no coração, além de cedro, cashmeran, caramelo e vetiver na base.

Eu bem que queria uma definição pra “flores transparentes”. Alguém tem? Não? Então vamos filosofar e decidir que “flores transparentes” são pequenas florzinhas banhadas pela luz do sol numa manhã de outono. E aí a gente derrama um pouco de suco de pera sem acento nelas e tudo isso junto faz ploc. Borbulhas efervescentes surgem. E temos aqui um delicado cheiro de champanhe a rodopiar. 

Desconheço o que uma tulipa negra faria pelo meu nariz, então me abstenho de tagarelar acerca de.

Já a base, ah, a base... Foi ela que me fez voltar lá na loja e responder ao imaculado “débito ou crédito?”. Madeira macia temperada com um fio de caramelo e uma pitadinha de vetiver, tudo rente à pele e aconchegante é o que temos por ali.

Em suma, Urban Ballet começa com cheiro de espumante, segue floral fresco e termina numa base amadeirada levemente doce bastante confortável. E a fixação? Contei nove horas e entrei no banho. Tá bom pra você?

Taí um perfuminho que evolui lindamente na avenida. Apesar dos contrastes (saída fresca borbulhante X base morninha), tudo é bem equilibrado, nada destoa, com a escola terminando o desfile de forma corretinha. Fragrância casual, versátil e despretensiosa. Não muda a vida de ninguém, mas é gostosa de usar. Venderia mais se custasse menos. Enfim, fazia tempo que eu não me encantava com algo do Boti, viu? Uma pena ser edição limitada.

PS: O blog ainda vive. Ele anda mais devagar quando a vida vai mais depressa. 

Bagatelle


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Século XIX. Corre! Corre! Anda logo! A ópera já vai começar! Com licença, onde fica o acesso pro mezanino? Cara, este espartilho tá me matando! Pera lá, não pisa no meu vestido! A cadeira da ponta é minha! Gente, cadê meu binóculo? Ufa, tá aqui! Ah, não, mãe, de novo? Ninguém mandou você esquecer seu pince-nez na carruagem! Alguém não vai ver a ópera hoje à noite. Só vai escutar, né mãe? Olha, já vai começar! Pausa pra selfie. 

Podia ter sido assim, né? Bom, na minha cabeça foi. E digo mais: mãe e filha aí estavam usando Jardins de Bagatelle (Guerlain), que eu conheci graças à Helen. Thanks, Helen! 

É evidente que sou chegada numa overdose de licença poética, néam? Até porque (como se o problema fosse só este. rá!), Jardins de Bagatelle não foi criado no século XIX, mas nos XX. Ele é de 1983 mesmo. Ah, e o lance aqui é sobre a versão EDT, ok?

Floralzão de responsa, ele guarda luz e alegria dentro dele. Perfume ideal pra uma noite de ópera, como não? Seja você mãe ou filha, Jardins de Bagatelle cai bem. Só é preciso curtir florais brancos. Daqueles feitos com tuberosa, ok? Aviso dado.

A abertura traz limão, bergamota e neroli. O coração tem rosa, jasmim, gardênia, magnólia, narciso e tuberosa. Na base, patchouli, cedro, vetiver, tonka, benjoim e almíscar.

Todo trabalhado basicamente no neroli, no jasmim, na gardênia, nas madeiras e, bingo, na tuberosa, Jardins de Bagatelle é espetaculoso. E lindo. É só não exagerar (assim como a gente deve fazer nas noites de sexta, sabe?).

Explosão de flores brancas sob o sol, o amigo oitentista foi buscar inspiração no bonito, mundano e francês Jardim de Bagatelle, outrora apreciado pela mitológica Maria Atonieta que, certeza, seria aloka da selfie caso a selfie já existisse naquela época (aposto um macaron nisso!).

Refinadíssimo como quem vai à ópera em família, ele tem ali sua inebriante porção aldeídica como só se vê nos bons clássicos.

A Helen falou dele aqui.

Top 6: Íris


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Mais de uma vez já me pediram aqui indicações de íris na perfumaria. Isso me prova que eu não sou a única doente pela florzinha-conforto. Rá! É fato que eu amo de paixão essa nota que me chega pra atalcar a vida. Sentiu talquinho? Pode apostar que a chance de aquilo ser íris é grande. Tirando essa faceta, não raro a íris me aparece mimetizando um papelzinho pálido, sabe como? Saca papel de carta? É por aí. No fundo, acabo sentindo um fundinho de talco aí também. É, das duas uma: ou minha mãe exagerou no talquinho ou sofri de privação de talco quando eu era bebê. O resultado do mistério? Eu sou fissurada em talco, talquinho e talcão!

Na real, o que se usa na perfumaria é a raiz da flor, sabia? E é claro que não dá pra generalizar e dizer que todo talco é íris ou que todo perfume com íris é atalcado, até porque, neste último caso, o talco só aparece no letreiro neon quando a íris é bem proeminente, o que nem sempre acontece. 

Mas se você veio até aqui atrás de íris, é do efeitão escancarado de que você gosta, tô certa? E é nele que eu vou! Bora bater palma pra íris? 

Ah, o top é 6 porque 6 é o número do amor e íris é amor, me deixa!

1. Eau de Shalimar (Guerlain)

Eu prometi pra mim mesma que nunca mais ia enfiar o Eau de Shalimar em lista nenhuma porque ele simplesmente é o meu perfume-metade, ou seja, covardia pura, néam? Mas vou abrir uma exceção porque a íris mais sapeca tá aqui, só que ela vem junto e misturada com outras coisinhas. Íris, limão e baunilha, eis o trio ternura Prêmio Nobel, que culmina num cheirinho de cabeça de bebê rico. Taí um talco fofo! Falei dele aqui.

PS: Guerlain é mestra nessa coisa da íris, viu? Vide lá o mítico acorde chamado guerlinade. Entre outras notas, ele leva uma boa dose de íris, e virou assinatura da casa. Sabe aquele fundinho indefectível que você sente nos perfumes da marca? Bingo!

2. Blv Notte (Bvlgari)

Que tal juntar as coisas boas da vida? E dá-lhe íris, vodka e chocolate! É, a vida tem mais coisa boa, eu sei, só que não dá pra listar tudo aqui porque o horário não permite. Enfim, talquinho mimoso, gente! Pena que foi descontinuado (raiva!!!). Falei aqui.

3. Infusion D´Iris EDP (Prada)

Aqui a íris tá mais purinha, mais sozinha, quase cantando aquela música chicletona do Peninha. Sabe aquela do às vezes no silêncio da noite blá blá blá? Então! Nesse perfume, o cheiro da íris tá mais pra papel de carta caro, daqueles que a gente (eu) não trocava com ninguém nem em sonho. Foi dito aqui.

4. Love, Chloé (Chloé)

Outra íris leeeeeenda. E com direito à chá de flores. Delicadeza and sofisticação. Íris com cheiro de tom pastel. Ok, logo eu apareço naqueles programas do Discovery que traz gente que sente cheiro de cor nas coisas (sinestesia é o nome disso. de nada!). Falei desse perfume aqui.

5. Nº 19 (Chanel)

Se você quer se jogar num desbunde irisístico, vai nele! Esse bonito me remete muito ao Infusion D´Iris aí de cima, viu? Falei aqui

6. Kelly Calèche EDT (Hermés)

Pensa na mistura de íris, rosa e couro! Pensou? Kelly, baby! Nunca deixo de me impressionar com o mix de íris e couro que eu encontro aqui. A coisa é phyna mesmo. Íris com cheiro de revista. Calma, Discovery Channel, já tô indo! Ah, falei desse perfume aqui.

E tem mais íris delícia por aqui!

Mães e filhos


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E aí que eu quero aproveitar o ensejo pra tagarelar sobre um perfume criado pra ter uso compartilhado entre mães e filhos, o Petits et Mamans (Bvlgari). Não tenho filhos humanos, e como compartilhar perfume com meu pastor alemão e minhas duas calopsitas tá fora de cogitação, uso o dito cujo apenas em mim e é a vida. A minha versão é a eau de toilette (EDT), com spray. Existe uma outra, sem spray e sem álcool (Sans Alcool é o que vem escrito na embalagem dela).

Petits et Mamans é classificado pela Bvlgari como "floral talcado almíscar", e traz petitgrain e tangerina na saída, pêssego branco no coração, e íris e baunilha na base.

Notas pra cá, notas pra lá e, no fim das contas, o bonito (ele não é lindo?) tem cheiro de talco (viva a íris!). E o talco aqui é bem diferente daquele que a gente encontra por aí. Ele é verdinho and cremoso with doçura tímida (petitgrain e baunilha andam de mãozinhas dadas), um cadinho azedo (dona tangerina passou por aqui), com uma pitadinha ácida (agora é a vez do pêssego). Meu nível de pimpãozice subiu aos céus quando reconheci o talquinho diferentão. De cara, me lembrei do L'Eau Cheap and Chic (Moschino), uma das minhas maiores frustrações perfumísticas, já que até hoje não consegui botar as mãos nesse adorável descontinuado (quando me toquei, a banda já tinha passado e acabei ficando sem nenhum cabeça-verde). 

Voltando ao Petits et Mamans, me deixa dizer que ele não é igual ao Moschino, tá? O talco desse Bvlgari é bastante delicado, ao contrário do que existe/existia naquele Moschino, mais apelativo, mais mamma mia. De parecido, apenas o estilão do talquinho ácido and azedinho, beleza?

Pois bem, o cheiro dele é praticamente linear, não incomoda ninguém, cabe em qualquer clima e faz a alegria de quem curte um talco na vibe "hoje vamos usar fralda descartável pra ir ao pediatra" (qualquer semelhança com a minha vida pregressa não é mera coincidência. rá!).

Petits et Mamans é suave e efêmero. Gritar e grudar na pele por horas a fio não é com ele. Mas, na boa, eu sou adepta do que é eterno enquanto dura. Não ligo de reaplicar.

Top 5: Perfumes para uma realidade distópica


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O que Laranja Mecânica, Wall-e, Clube da Luta, Matrix e Blade Runner têm em comum? Além de terem passado no cinema (ah vá, jura?!), todos eles se desenrolam numa realidade distópica. Mais hein?! Ok, se você não sacou o que eu tô falando, vou resumir grosseiramente a coisa: se a utopia é uma realidade boa demais pra ser verdade, a distopia fica sendo um mundo mau demais pra ser praticável. Seja num futuro mais ou menos longe ou num mundo paralelo, a distopia costuma se apresentar como um lugar (lê-se: tempo e espaço) ficcional ruim and infeliz. Né? Agora pega aqui na minha mão e vem comigo na minha loucura! Achei de bom tom elencar 5 fragrâncias ótimas pra se usar numa realidade dessas. Mas, olha só, apesar da distopia ser um mundo ruim, os perfumes que vos trago são ótimos e, tenho cá comigo, combinam lindamente com o tal caos.


1. Nu (YSL)
Uma fragrância com cheiro de pele se encaixa direitinho num mundo distópico, né não? Nada como um perfume-não-perfume cheirosíssimo pra se usar numa realidade ficcional. Ele pode causar certo estranhamento e incomodar narizes incautos, mas quem se deixa levar ganha de presente um ineditismo fantástico difícil de ser superado (tudo tal que se viu em Laranja Mecânica 44 anos atrás. yes, 44 anos!!!). Nu é tão perfeito que é um dos meus perfumes preferidos meeeesmo. Falei dele aqui.





2. Présence d´une femme (Montblanc)

É tão atípico e poético um perfume feminino trazer um acento masculino super identificável, né? Vejo um lindo caos nisso no sentido de subverter o estereótipo (tão comum, infelizmente) de "sexo frágil", saca? Présence me lembra que mulher tem tanta força quanto beleza. Présence, de fato, seria uma utopia, mas não hoje. Hoje ele toca o terror e deixa o mundo confuso (ou satisfeito) por fugir do lugar-comum. Amo! Foi falado rapidamente aqui.







3. Mugler Cologne (Thierry Mugler)

Realidade distópica com pegada cyberpunk é o que eu vejo nele (beijos, Matrix!). Mugler Cologne tem cheiro e cor de máquina que alimenta homens e mulheres. Absurdamente compartilhável, ele tem um confortável aroma de limão futurista. Resenha em breve.






4. Jicky (Guerlain)

E não é que a distopia combina demais com o passado? Que tal pegar algo antigo e jogar no moderno? Taí a estética steampunk que não me deixa mentir! Como este texto e a loucura são meus, me deixa que eu quero criar um futuro distópico com pegada steampunk! E é nele que o Jicky cabe, ora pois! Jicky é velho e novo. Parece que tem coisa fora do espaço/tempo nele, mas que cai tão bem ali ainda hoje, né? Dito aqui.





5. Dior Homme (Dior)

E pra fechar pelo começo, me deixa citar Laranja Mecânica de novo porque Stanley Kubrick é vida! Quem não se lembra daquele olho maquiado do Alex (Malcolm McDowell)? Pois bem, não é tão fácil fazer os homens usarem maquiagem, né? Mas Dior Homme consegue! E o Kubrick também. Preciso dizer mais? Falei desse perfume aqui.




PS: Sinto decepcionar, mas eu não sou nerd.

Cê Agá Lô


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Né? Já versamos aqui sobre o CH (Carolina Herrera) e agora é hora de falar sobre o irmão mais novo não tão novo assim desse bonito. Bora fofocar sobre o CH L´Eau!

Gosto muito da parte em que Madame Herrera diz que CH L´Eau é para a mulher "que não leva a vida a sério demais". Oi, me chamaram, foi? Sou dessas. 

Curto também a foto da campanha, com a moçoila de vestidinho em cima da grama e buquezão na cara. Podia ser eu ali dizendo: "opa, vou logo ali colher uma meia dúzia de flores. agora bate uma foto pra eu socializar na rede social. obrigada.". E a legenda seria: "rumo ao açougue pegar meio quilo de patinho moído #partiuaçougue".

Ok, saindo do mundo encantado da divulgação (e da minha loucura), vamos às notas desse perfume de frasco pimpãozinho! A saída vem com flores de limoeiro e de laranjeira. O coração leva jasmim e flores de macieira. Na base, sândalo e almíscar.

Taí uma versão bem fresquinha do CH original! Mas beeeeem fresquinha mesmo, viu? Daquelas feitas pra usar no verão de verdade, coisa que o CH que veste couro vermelho não comporta.

No L´Eau não se vê o amadeirado do original nem pelo buraco da fechadura. No máximo, temos só a intenção amadeirada, saca? A coisa toda é mais leve e transparente, quase aquática, quase cítrica, fresh mesmo. Flores pós-chuva define. 

Mais casual, despojado e descompromissado, CH L´Eau é um CH com o foda-se ligado. Adoro!

Ah, e os penduricalhos do frasco são um viver!

Bello ragazzo


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Muita coisa já foi dita sobre o Valentino Uomo (Valentino), inclusive que ele se parece com o Dior Homme (Dior). Mas eu vou mandar um sincerão e bradar por minha conta e risco: não, eles não se parecem. Não na minha pele. A única relação que eu vejo na coisa toda - tirando o pai da criança, que é o mesmo (a saber: Olivier Polge) - é que ambos pertencem à seara dos masculinos com uma certa doçura. E para por aí. Dior Homme tem mais sustância, é muito mais mágico (tirando aquela abertura chatinha com cheiro de maquiagem, né?). Mas isso não dá passe livre pro Valentino Uomo não ser bacana. Na real, ele é legal. (E viva a rima!)

Uomo guarda em seu lindo frasco notas de bergamota e mirtilo na saída, café e creme de gianduia no coração, e couro e cedro na base. Pra quem não sabe, gianduia é uma mistura italiana de chocolate com pasta de avelã (com mais chocolate do que avelã, mais precisamente 70% e 30%, respectivamente). Só não se esqueça de que chocolate de verdade não é carregado no açúcar como acontece aqui no Brasil, ok? Aliás, chocolate nacional nem é chocolate (me entenda aqui). 

Voltando ao Valentino Uomo, eu o vejo de cara como um doce mais seco e aromático, rente à pele, bem low profile, com um final amadeirado macio. Ele começa fresco e amarguinho com a bergamota. A cremosidade do chocolate não surge de pronto. Demora um pouco. Mas ela fica quase abafada pela secura da avelã, que aqui combina muito bem com o café. O café, aliás, é extremamente sutil e acho que tá ali mais pra causar uma pinçada estimulante no conjunto, sabe? O couro é outro ingrediente mínimo, quase imperceptível pra mim, mas que faz toda a diferença ao pegar na sua mão e te trazer pro lado terreno da força. No final, couro e cedro se unem trazendo um pouco de peso ao todo. 

No geral, percebo todas as notas suavizadas e equilibradas. Nada sai gritando em Valentino Uomo. Temos aí um phyno e bello ragazzo. Do tipo confortável, ele não eleva o índice glicêmico de ninguém. 

Só sei que a viagem toda é bem legal e agrada igualmente meninos e meninas. Yes, todo mundo pode ser feliz com esse garotão!

Faltou êxtase


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A árvore da perfumaria tá carregada de frutos doces. Acontece que um deles amadureceu e tá pedindo pra ser colhido e degustado. E a fruta da vez é proibida pra menores. Não, não é a maçã. Mas vem da marca-ícone da macieira: Nina Ricci. L'Extase é o nome da fruta.

Pertencente à safra atual de doces adultos com intenções carnais levemente xaroposas, L'Extase tem rastro poderoso e fixação excelente (seis horas depois de aplicado, eu ainda podia senti-lo bem na minha pele, e a história iria ainda mais longe se eu não tivesse entrado no banho).

Confesso aqui que costumo manter distância da vibe fruta docinha para maiores. E foi justamente isso que imperou na minha pele ao longo de boa parte da evolução desse perfume. É, não fiquei extasiada. Tenha isso em mente ao continuar sua leitora. Obrigada. De nada.

Oficialmente, L'Extase vem com flores brancas, rosa, pimenta-rosa, benjoim, cedro da Virgínia e almíscar. Porém, o que o meu nariz sente num primeiro momento é framboesa barata glaceada com casquinha crocante feita de uma parte de açúcar, duas partes de água de rosas e uma pitada de pimenta-rosa. Devo ressaltar que, por motivos óbvios, achei a framboesa meio over. Pois é, curti não. Mas essa sou eu, pessoa desgostosa com fruta vermelha.

O tempo passa e a coisa toda vira uma geléia de rosas bastante promissora, com direito a um bocadinho maroto de benjoim, que (e)leva tudo pra outro nível e traz um pouco de "resinosidade" caramelada ao conjunto, baixando a bola da desagradável framboesa. Senti ainda uma baforada de pêra madura do além, que deu uma diluída na solução. De onde ela veio? Ninguém sabe. Ninguém viu.

O cedro é bastante discreto e tempera a geléia de rosas com aquele cheirinho mágico de quando o lápis sai do apontador. Já o almíscar final foi outro problema pra mim: ele azedou legal na minha pele. 

Não vejo L'Extase agradando às formiguinhas-mirins. Vejo tudo isso fazendo sucesso com a marqueteira categoria mulher-jovem-independente-adocicada. Estão plantados nesse mesmo pomar La Vie Est Belle (Lancôme), Flowerbomb (Viktor & Rolf), Body (Burberry) e Fame (Lady Gaga), pra citar alguns.

Sim, você já esteve nesse farto pomar antes. L'Extase não inova e se parece com muitos, ainda que não seja igual a nenhum. A pergunta que fica é: até quando as pessoas vão agüentar? Uma hora o povo cansa de comer a mesma fruta, né? Mas eu aposto que esse perfume tá vendendo feito banana na feira! Ele foi feito pra isso. Bom, pelo menos o frasco é bonito. Rá!

Enfim, ando vendo por aí que pessoal teve mais sorte (ou seria bom gosto?) do que eu. Esta que vos escreve anda velha, cansada e chata, talvez isso justifique minha vontade de catar uma bazuca e sair atirando na perfumaria atual. Ops, foi mal! Pensei alto aqui.

Açúcar dourado


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Um tempo atrás, Dianíssima botou meu nariz pra trabalhar. Tal qual criança em loja de doce, fui ao paraíso quando me deparei com um embrulhinho contendo amostrinhas divinais. Um dos flaconetes trazia um dito cujo que eu desejava cafungar desde sempre: Gold Sugar (Aquolina). Agora que a temperatura deu uma forcinha, acho uma boa tagarelar sobre esse dito cujo.

Irmão do meu amado Açúcar Rosa e primo dos campeoníssimos Simply Pink e Pink Sugar Sensual, Gold Sugar traz neroli, laranja e tangerina na saída, notas florais, crème brulée e coco no coração, e almíscar, sândalo e chantili na base.

Quem, como eu, é chegada em altas doses de glicose, fatalmente, vai bater palmas pra ele. O problema é que vai chegar uma hora que a mão vai cansar. O doce domina, começa lindo. E enjoa. Mix de Myriad Blanc (O Boticário) com Crème Brulée (Tutti Dolci), ele segue ainda a pegada de um creminho vintage da Victoria´s Secret chamado Sweet Sugar (que eu como de colher porque sou toda trabalhada na gulodice).

O que eu sinto no Gold Sugar (além do cansaço pós-palmas) é crème brulée, com direito a muito açúcar queimado (né?), caramelo, bastante chantili e um pouquinho de coco. 

A saída passa correndo e a gente mal vê. O que fica é mesmo a batida forte do coração. E bota forte nisso! Chega a pinicar o nariz (mesmo no tempo frio, condição sine qua non pra borrifar o dito cujo, please!). Eu até gosto de uma cutucada na narina, mas o açúcar queimado me incomodou depois de ficar ali por horas e horas. 

Achei a base docemente amadeirada deliciosa, mas até chegar nela eu já tava exausta. 

Gold Sugar é gostoso? É sim. Mas não faz o tipo chique e, como eu já botei na roda, enjoa.

No mais, vale a pena ler a resenha que a Diana fez sobre ele. Em relação ao Gold Sugar, o nariz dela é o avesso do meu. E viva a diferença!

PS: Pessoas curiosas curiosarão, de modo que deixo aqui a minha ordem de preferência dos membros da família Aquolina: Chocolovers, Pink Sugar, Simply Pink, Pink Sugar Sensual, Gold Sugar e Blue Sugar (tô devendo resenha dele). Sou formiga? Sim ou sim?

Com amor, Kilian


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Faça um favor a si mesmo e não leia este post. Clica no xis ali em cima, vai dar uma volta, vai pensar na vida, vai lá arrumar seu guarda-roupa, vai pescar, enfim, chispa! O quê?! Você ainda tá aqui? Depois não diga que eu não avisei, ok? Bão, já que você ficou, ainda dá tempo de não fazer mais besteira. De modo que segue mais um aviso: não prove o Love (By Kilian). Aconteça o que acontecer, não prove! Mantenha distância. Sério! Periga você amar. E aí você vai querer matar o condenado que botou preço nesse perfume. E querer matar as pessoas não é bom. Teje avisado! E, pelamor-di-deus, quem corrigir o meu Teje vai apanhar! E quem corrigir o meu pelamor-di-deus também!

E o que tem nesse Amor? Me dá aqui a sua mão, respira fundo e vem! Neroli, flor de laranjeira, jasmim, rosa, íris, baunilha e almíscar. Parece pouco, mas não é. O neroli é da Tunísia, a flor de laranjeira é do Marrocos, o jasmim é da Arábia, a rosa é da Turquia e a íris é de Florença.

E temos a ONU em peso mostrando que a perfeição existe e ela atende pelo nome de Love. Docinho exuberante e macio, esse oriental que foi buscar inspiração no marshmallow (segundo o site oficial) é carregado na flor de laranjeira mais linda e doce que eu já vi na vida. E olha que sou enjoada pra flor de laranjeira, viu?

Gosto de como a marca descreve a fragrância, trazendo à minha mente safadeeenha toda aquela deliciosa gradação do amor carnal. A saber: no início suave e macio, ele se desdobra e ganha intensidade; as notas de saída (neroli e flor de laranjeira) surgem como um tímido e hesitante beijo dado por lábios frescos; no coração da fragrância, a pele morna é acariciada com jasmim, rosa e íris, atingindo o êxtase num abraço de baunilha e almíscar. Não por acaso, o frasco traz a inscrição "don't be shy". Não é lindo e séguice isso tudo?

No mais, sinto uma baunilha caramelada marota na coisa toda. De fato, alguns sites citam o caramelo como nota do Love, assim como listam bergamota, pimenta rosa, coentro e madressilva também. Acontece que pro meu nariz esse perfume é tão bem construído que fica difícil sentir tudo separadinho. A coisa toda engrena na flor de laranjeira coberta com merengue temperada com baunilha e enfeitada com flores. Falando assim até parece enjoativo, mas não se engane aí. Ele é um gourmand equilibradíssimo. Palavra de quem anda cansadérrima dos gourmands, ok?

Redondo e cremoso, taí um perfume doce sensacional pra adultos! Sério, Love é um dos mais lindos! E dos mais caros. Eu falei pra você não ler este post, não falei?

Ivoire


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Apenas um dos meus preferidos, assim eu começo falando sobre o belo Ivoire (Balmain). Mas, olha só, versão que existe hoje (a minha) - de 2012 - é bastante diferente daquela que foi lançada em 1979, ok? Sim, tem essa. Originalmente ele foi um chipre. Hoje ele é floral, com notas distintas. Discreto e elegante, ele me é extremamente versátil.

Composto de tangerina, flor de laranjeira, folhas de violeta, íris, jasmim, rosa, ylang-ylang, gálbano, pimenta, cedro, patchouli, vetiver e baunilha, Ivoire tem cheiro de sonho, de conforto, de paz.

Rente à pele que acabou de sair de um banho morno e foi limpa com aquele sabonete branco com cheiro de flores reservado pra ocasiões especiais (sim, ele tem ali uma pegada soapy and chic), Ivoire é diferente de tudo o que eu conheço. Ivoire é lindo, equilibrado, sem excessos. Ivoire é aquele tipo que encontrou a felicidade nas pequenas coisas da vida. Ivoire é o sorriso do Buda. Nunca a cor do líquido casou tanto com a mensagem como aqui.

A saída é levemente frutada e verdinha. As flores são orvalhadas. O patchouli é quase imperceptível na minha pele, bem como o viés atalcado da íris. O que fica é o cheiro do vapor morno que sobe no banho enquanto a gente se ensaboa. O final, em mim, é amadeirado com um toque ultra sutil de baunilha cremosa. Tudo é comedido e perfeito.

Porém, aqui vai um aviso: quem busca um cheiro que marca território, um algo a mais, um atrevimento, uma nota dissonante vai se decepcionar com o Ivoire.

Tenho cá comigo que corações apaixonados pelo Chloé (Chloé) e pelo Noa (Cacharel) se entregarão de corpo e alma ao Ivoire. Ivoire faz pelas flores o que Chloé faz pela rosa e Noa, pelo almíscar.

Minha insolência


by Vanessíssima em , ,

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Começo abrindo o jogo: eu não gosto de frutas vermelhas e My Insolence (Guerlain) é todo trabalhado nas frutas vermelhas. Perdoem minha insolência (e o trocadilho também), mas esse perfume não é pra mim. Mas tudo bem, vamos lá! Vamos supor que eu não ache frutas vermelhas sintéticas demais, enjoativas demais, menininhas demais, e que elas não me causem enxaqueca. Vamos fingir que eu adoro frutas vermelhas, ok? Combinado? Então tá!

My Insolence é um floral gourmand segundo a própria Guerlain. E eu concordo. O perfume vem com framboesa na saída, jasmim e flor de amendoeira no coração, e baunilha, fava tonka e patchouli na base. Qualquer semelhança com o La Petite Nobe Noire EDT não deve ser mera coincidência. Ambos se parecem aqui e ali, sendo mais intenso e profundo o objeto deste texto. É como se o La Petite fosse a versão desnutrida do My.

My Insolence começa doce, segue doce e termina doce. A framboesa dá o tom do começo ao fim. Ela é madura, açucarada e picante no início. E intensa. Bem intensa. Ela sacode todo mundo e dá aquela acordada marota no nariz. Depois vem o conforto. O jasmim é tímido e serve só pra quebrar a frutalegria. A flor de amendoeira é linda, morninha e dá um toque de talquinho bastante interessante, que sofistica a coisa toda. A base esquenta mais o todo, e adoça, claro, mas de forma inteligente e elegante. Baunilha burra e vulgar não existe quando se fala em Guerlain. E a pitadinha de patchouli deixa o final chique.

Eis um perfume fortemente feminino, cor-de-rosa e gourmand with elegância. Moderadamente atalcado, quentinho e carregado de frutas vermelhas, My Insolence é incrivelmente bem feito e não desagrada quem curte a vibe prometida. Seria a minha escolha invernal caso eu não fosse tão chata. Rá!

Classiqueando


by Vanessíssima em , ,

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Como assim ainda não falei sobre a mais emblemática silhueta da perfumaria, minha gente? Falha minha, povo! Bora prosear sobre o Classique (Jean Paul Gaultier)? O alvo aqui é a versão EDT, ok? Não conheço a EDP, e ouvi dizer que é distinta.

Arrebatador de corações desde 1993, Classique vem com tangerina, anis, pêra e rosa na saída, íris, gengibre, ameixa, flor de laranjeira, orquídea e ylang ylang no coração, e âmbar, almíscar e baunilha na base.

Cá entre nós, esse perfuminho (que é ão) é um floral adocicado, alegre e super feminino. Ele exala poder, sedução and glória graças ao toque picante do anis e do assanhamento do gengibre, aliados às notas florais e frutadas. Tô aqui diante de um surreal buquê floral temperado e enfeitado com frutinhas, saca?

Minha pessoa nota claramente cada fase da fragrância. A saída fresca se transforma, fica picante e evolui até chegar no abaunilhado, sempre com um toque floral ao fundo. É como se o Classique começasse provocativo, todo séguici, e terminasse apelando pra um certo romantismo (tô numas de achar que ele parece nos dizer que, no fundo, é romance o que todos nós queremos, néam?).

Um tanto quanto sintético e retrô propositadamente, Classique é marcante e combina com gente festiva, bem-humorada e ousada, justamente por não passar despercebido. Sabe o que cabe nele? Persona exuberante que se joga na night sem medo. Pena que eu não sou tão bacana assim. Rá!

A embalagem é um show à parte. Adoro a mocinha sem cabeça sensualizano no espartilho. Aliás, vontade de colecionar todas as edições especiais do Classique só pelo frasco, viu? Opa, e elas são muitas! Jean Paul Gaultier adora capitalizar (ah, vá, jura?!). No mais, tenho pra mim que coerência é o sobrenome do cara. Incrível como todos os perfumes que ele joga no mercado têm a ver com ele na forma e/ou no conteúdo (vide Ma Dame). Sim, JPG me é excentricidade provocativa e feliz, quase kitsch, mas com um pé na elegância.