Bello ragazzo


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Muita coisa já foi dita sobre o Valentino Uomo (Valentino), inclusive que ele se parece com o Dior Homme (Dior). Mas eu vou mandar um sincerão e bradar por minha conta e risco: não, eles não se parecem. Não na minha pele. A única relação que eu vejo na coisa toda - tirando o pai da criança, que é o mesmo (a saber: Olivier Polge) - é que ambos pertencem à seara dos masculinos com uma certa doçura. E para por aí. Dior Homme tem mais sustância, é muito mais mágico (tirando aquela abertura chatinha com cheiro de maquiagem, né?). Mas isso não dá passe livre pro Valentino Uomo não ser bacana. Na real, ele é legal. (E viva a rima!)

Uomo guarda em seu lindo frasco notas de bergamota e mirtilo na saída, café e creme de gianduia no coração, e couro e cedro na base. Pra quem não sabe, gianduia é uma mistura italiana de chocolate com pasta de avelã (com mais chocolate do que avelã, mais precisamente 70% e 30%, respectivamente). Só não se esqueça de que chocolate de verdade não é carregado no açúcar como acontece aqui no Brasil, ok? Aliás, chocolate nacional nem é chocolate (me entenda aqui). 

Voltando ao Valentino Uomo, eu o vejo de cara como um doce mais seco e aromático, rente à pele, bem low profile, com um final amadeirado macio. Ele começa fresco e amarguinho com a bergamota. A cremosidade do chocolate não surge de pronto. Demora um pouco. Mas ela fica quase abafada pela secura da avelã, que aqui combina muito bem com o café. O café, aliás, é extremamente sutil e acho que tá ali mais pra causar uma pinçada estimulante no conjunto, sabe? O couro é outro ingrediente mínimo, quase imperceptível pra mim, mas que faz toda a diferença ao pegar na sua mão e te trazer pro lado terreno da força. No final, couro e cedro se unem trazendo um pouco de peso ao todo. 

No geral, percebo todas as notas suavizadas e equilibradas. Nada sai gritando em Valentino Uomo. Temos aí um phyno e bello ragazzo. Do tipo confortável, ele não eleva o índice glicêmico de ninguém. 

Só sei que a viagem toda é bem legal e agrada igualmente meninos e meninas. Yes, todo mundo pode ser feliz com esse garotão!

Faltou êxtase


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A árvore da perfumaria tá carregada de frutos doces. Acontece que um deles amadureceu e tá pedindo pra ser colhido e degustado. E a fruta da vez é proibida pra menores. Não, não é a maçã. Mas vem da marca-ícone da macieira: Nina Ricci. L'Extase é o nome da fruta.

Pertencente à safra atual de doces adultos com intenções carnais levemente xaroposas, L'Extase tem rastro poderoso e fixação excelente (seis horas depois de aplicado, eu ainda podia senti-lo bem na minha pele, e a história iria ainda mais longe se eu não tivesse entrado no banho).

Confesso aqui que costumo manter distância da vibe fruta docinha para maiores. E foi justamente isso que imperou na minha pele ao longo de boa parte da evolução desse perfume. É, não fiquei extasiada. Tenha isso em mente ao continuar sua leitora. Obrigada. De nada.

Oficialmente, L'Extase vem com flores brancas, rosa, pimenta-rosa, benjoim, cedro da Virgínia e almíscar. Porém, o que o meu nariz sente num primeiro momento é framboesa barata glaceada com casquinha crocante feita de uma parte de açúcar, duas partes de água de rosas e uma pitada de pimenta-rosa. Devo ressaltar que, por motivos óbvios, achei a framboesa meio over. Pois é, curti não. Mas essa sou eu, pessoa desgostosa com fruta vermelha.

O tempo passa e a coisa toda vira uma geléia de rosas bastante promissora, com direito a um bocadinho maroto de benjoim, que (e)leva tudo pra outro nível e traz um pouco de "resinosidade" caramelada ao conjunto, baixando a bola da desagradável framboesa. Senti ainda uma baforada de pêra madura do além, que deu uma diluída na solução. De onde ela veio? Ninguém sabe. Ninguém viu.

O cedro é bastante discreto e tempera a geléia de rosas com aquele cheirinho mágico de quando o lápis sai do apontador. Já o almíscar final foi outro problema pra mim: ele azedou legal na minha pele. 

Não vejo L'Extase agradando às formiguinhas-mirins. Vejo tudo isso fazendo sucesso com a marqueteira categoria mulher-jovem-independente-adocicada. Estão plantados nesse mesmo pomar La Vie Est Belle (Lancôme), Flowerbomb (Viktor & Rolf), Body (Burberry) e Fame (Lady Gaga), pra citar alguns.

Sim, você já esteve nesse farto pomar antes. L'Extase não inova e se parece com muitos, ainda que não seja igual a nenhum. A pergunta que fica é: até quando as pessoas vão agüentar? Uma hora o povo cansa de comer a mesma fruta, né? Mas eu aposto que esse perfume tá vendendo feito banana na feira! Ele foi feito pra isso. Bom, pelo menos o frasco é bonito. Rá!

Enfim, ando vendo por aí que pessoal teve mais sorte (ou seria bom gosto?) do que eu. Esta que vos escreve anda velha, cansada e chata, talvez isso justifique minha vontade de catar uma bazuca e sair atirando na perfumaria atual. Ops, foi mal! Pensei alto aqui.

Açúcar dourado


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Um tempo atrás, Dianíssima botou meu nariz pra trabalhar. Tal qual criança em loja de doce, fui ao paraíso quando me deparei com um embrulhinho contendo amostrinhas divinais. Um dos flaconetes trazia um dito cujo que eu desejava cafungar desde sempre: Gold Sugar (Aquolina). Agora que a temperatura deu uma forcinha, acho uma boa tagarelar sobre esse dito cujo.

Irmão do meu amado Açúcar Rosa e primo dos campeoníssimos Simply Pink e Pink Sugar Sensual, Gold Sugar traz neroli, laranja e tangerina na saída, notas florais, crème brulée e coco no coração, e almíscar, sândalo e chantili na base.

Quem, como eu, é chegada em altas doses de glicose, fatalmente, vai bater palmas pra ele. O problema é que vai chegar uma hora que a mão vai cansar. O doce domina, começa lindo. E enjoa. Mix de Myriad Blanc (O Boticário) com Crème Brulée (Tutti Dolci), ele segue ainda a pegada de um creminho vintage da Victoria´s Secret chamado Sweet Sugar (que eu como de colher porque sou toda trabalhada na gulodice).

O que eu sinto no Gold Sugar (além do cansaço pós-palmas) é crème brulée, com direito a muito açúcar queimado (né?), caramelo, bastante chantili e um pouquinho de coco. 

A saída passa correndo e a gente mal vê. O que fica é mesmo a batida forte do coração. E bota forte nisso! Chega a pinicar o nariz (mesmo no tempo frio, condição sine qua non pra borrifar o dito cujo, please!). Eu até gosto de uma cutucada na narina, mas o açúcar queimado me incomodou depois de ficar ali por horas e horas. 

Achei a base docemente amadeirada deliciosa, mas até chegar nela eu já tava exausta. 

Gold Sugar é gostoso? É sim. Mas não faz o tipo chique e, como eu já botei na roda, enjoa.

No mais, vale a pena ler a resenha que a Diana fez sobre ele. Em relação ao Gold Sugar, o nariz dela é o avesso do meu. E viva a diferença!

PS: Pessoas curiosas curiosarão, de modo que deixo aqui a minha ordem de preferência dos membros da família Aquolina: Chocolovers, Pink Sugar, Simply Pink, Pink Sugar Sensual, Gold Sugar e Blue Sugar (tô devendo resenha dele). Sou formiga? Sim ou sim?

Com amor, Kilian


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Faça um favor a si mesmo e não leia este post. Clica no xis ali em cima, vai dar uma volta, vai pensar na vida, vai lá arrumar seu guarda-roupa, vai pescar, enfim, chispa! O quê?! Você ainda tá aqui? Depois não diga que eu não avisei, ok? Bão, já que você ficou, ainda dá tempo de não fazer mais besteira. De modo que segue mais um aviso: não prove o Love (By Kilian). Aconteça o que acontecer, não prove! Mantenha distância. Sério! Periga você amar. E aí você vai querer matar o condenado que botou preço nesse perfume. E querer matar as pessoas não é bom. Teje avisado! E, pelamor-di-deus, quem corrigir o meu Teje vai apanhar! E quem corrigir o meu pelamor-di-deus também!

E o que tem nesse Amor? Me dá aqui a sua mão, respira fundo e vem! Neroli, flor de laranjeira, jasmim, rosa, íris, baunilha e almíscar. Parece pouco, mas não é. O neroli é da Tunísia, a flor de laranjeira é do Marrocos, o jasmim é da Arábia, a rosa é da Turquia e a íris é de Florença.

E temos a ONU em peso mostrando que a perfeição existe e ela atende pelo nome de Love. Docinho exuberante e macio, esse oriental que foi buscar inspiração no marshmallow (segundo o site oficial) é carregado na flor de laranjeira mais linda e doce que eu já vi na vida. E olha que sou enjoada pra flor de laranjeira, viu?

Gosto de como a marca descreve a fragrância, trazendo à minha mente safadeeenha toda aquela deliciosa gradação do amor carnal. A saber: no início suave e macio, ele se desdobra e ganha intensidade; as notas de saída (neroli e flor de laranjeira) surgem como um tímido e hesitante beijo dado por lábios frescos; no coração da fragrância, a pele morna é acariciada com jasmim, rosa e íris, atingindo o êxtase num abraço de baunilha e almíscar. Não por acaso, o frasco traz a inscrição "don't be shy". Não é lindo e séguice isso tudo?

No mais, sinto uma baunilha caramelada marota na coisa toda. De fato, alguns sites citam o caramelo como nota do Love, assim como listam bergamota, pimenta rosa, coentro e madressilva também. Acontece que pro meu nariz esse perfume é tão bem construído que fica difícil sentir tudo separadinho. A coisa toda engrena na flor de laranjeira coberta com merengue temperada com baunilha e enfeitada com flores. Falando assim até parece enjoativo, mas não se engane aí. Ele é um gourmand equilibradíssimo. Palavra de quem anda cansadérrima dos gourmands, ok?

Redondo e cremoso, taí um perfume doce sensacional pra adultos! Sério, Love é um dos mais lindos! E dos mais caros. Eu falei pra você não ler este post, não falei?

Ivoire


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Apenas um dos meus preferidos, assim eu começo falando sobre o belo Ivoire (Balmain). Mas, olha só, versão que existe hoje (a minha) - de 2012 - é bastante diferente daquela que foi lançada em 1979, ok? Sim, tem essa. Originalmente ele foi um chipre. Hoje ele é floral, com notas distintas. Discreto e elegante, ele me é extremamente versátil.

Composto de tangerina, flor de laranjeira, folhas de violeta, íris, jasmim, rosa, ylang-ylang, gálbano, pimenta, cedro, patchouli, vetiver e baunilha, Ivoire tem cheiro de sonho, de conforto, de paz.

Rente à pele que acabou de sair de um banho morno e foi limpa com aquele sabonete branco com cheiro de flores reservado pra ocasiões especiais (sim, ele tem ali uma pegada soapy and chic), Ivoire é diferente de tudo o que eu conheço. Ivoire é lindo, equilibrado, sem excessos. Ivoire é aquele tipo que encontrou a felicidade nas pequenas coisas da vida. Ivoire é o sorriso do Buda. Nunca a cor do líquido casou tanto com a mensagem como aqui.

A saída é levemente frutada e verdinha. As flores são orvalhadas. O patchouli é quase imperceptível na minha pele, bem como o viés atalcado da íris. O que fica é o cheiro do vapor morno que sobe no banho enquanto a gente se ensaboa. O final, em mim, é amadeirado com um toque ultra sutil de baunilha cremosa. Tudo é comedido e perfeito.

Porém, aqui vai um aviso: quem busca um cheiro que marca território, um algo a mais, um atrevimento, uma nota dissonante vai se decepcionar com o Ivoire.

Tenho cá comigo que corações apaixonados pelo Chloé (Chloé) e pelo Noa (Cacharel) se entregarão de corpo e alma ao Ivoire. Ivoire faz pelas flores o que Chloé faz pela rosa e Noa, pelo almíscar.

Minha insolência


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Começo abrindo o jogo: eu não gosto de frutas vermelhas e My Insolence (Guerlain) é todo trabalhado nas frutas vermelhas. Perdoem minha insolência (e o trocadilho também), mas esse perfume não é pra mim. Mas tudo bem, vamos lá! Vamos supor que eu não ache frutas vermelhas sintéticas demais, enjoativas demais, menininhas demais, e que elas não me causem enxaqueca. Vamos fingir que eu adoro frutas vermelhas, ok? Combinado? Então tá!

My Insolence é um floral gourmand segundo a própria Guerlain. E eu concordo. O perfume vem com framboesa na saída, jasmim e flor de amendoeira no coração, e baunilha, fava tonka e patchouli na base. Qualquer semelhança com o La Petite Nobe Noire EDT não deve ser mera coincidência. Ambos se parecem aqui e ali, sendo mais intenso e profundo o objeto deste texto. É como se o La Petite fosse a versão desnutrida do My.

My Insolence começa doce, segue doce e termina doce. A framboesa dá o tom do começo ao fim. Ela é madura, açucarada e picante no início. E intensa. Bem intensa. Ela sacode todo mundo e dá aquela acordada marota no nariz. Depois vem o conforto. O jasmim é tímido e serve só pra quebrar a frutalegria. A flor de amendoeira é linda, morninha e dá um toque de talquinho bastante interessante, que sofistica a coisa toda. A base esquenta mais o todo, e adoça, claro, mas de forma inteligente e elegante. Baunilha burra e vulgar não existe quando se fala em Guerlain. E a pitadinha de patchouli deixa o final chique.

Eis um perfume fortemente feminino, cor-de-rosa e gourmand with elegância. Moderadamente atalcado, quentinho e carregado de frutas vermelhas, My Insolence é incrivelmente bem feito e não desagrada quem curte a vibe prometida. Seria a minha escolha invernal caso eu não fosse tão chata. Rá!

Classiqueando


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Como assim ainda não falei sobre a mais emblemática silhueta da perfumaria, minha gente? Falha minha, povo! Bora prosear sobre o Classique (Jean Paul Gaultier)? O alvo aqui é a versão EDT, ok? Não conheço a EDP, e ouvi dizer que é distinta.

Arrebatador de corações desde 1993, Classique vem com tangerina, anis, pêra e rosa na saída, íris, gengibre, ameixa, flor de laranjeira, orquídea e ylang ylang no coração, e âmbar, almíscar e baunilha na base.

Cá entre nós, esse perfuminho (que é ão) é um floral adocicado, alegre e super feminino. Ele exala poder, sedução and glória graças ao toque picante do anis e do assanhamento do gengibre, aliados às notas florais e frutadas. Tô aqui diante de um surreal buquê floral temperado e enfeitado com frutinhas, saca?

Minha pessoa nota claramente cada fase da fragrância. A saída fresca se transforma, fica picante e evolui até chegar no abaunilhado, sempre com um toque floral ao fundo. É como se o Classique começasse provocativo, todo séguici, e terminasse apelando pra um certo romantismo (tô numas de achar que ele parece nos dizer que, no fundo, é romance o que todos nós queremos, néam?).

Um tanto quanto sintético e retrô propositadamente, Classique é marcante e combina com gente festiva, bem-humorada e ousada, justamente por não passar despercebido. Sabe o que cabe nele? Persona exuberante que se joga na night sem medo. Pena que eu não sou tão bacana assim. Rá!

A embalagem é um show à parte. Adoro a mocinha sem cabeça sensualizano no espartilho. Aliás, vontade de colecionar todas as edições especiais do Classique só pelo frasco, viu? Opa, e elas são muitas! Jean Paul Gaultier adora capitalizar (ah, vá, jura?!). No mais, tenho pra mim que coerência é o sobrenome do cara. Incrível como todos os perfumes que ele joga no mercado têm a ver com ele na forma e/ou no conteúdo (vide Ma Dame). Sim, JPG me é excentricidade provocativa e feliz, quase kitsch, mas com um pé na elegância. 

Noir


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Coco Noir (Chanel) é lindo, mas cansa. Bom, ele me cansou. E cansou marido, que reclamou e comenta isso até hoje no meu ouvido (e considera aí que meu cônjuge é do tipo que não se liga em perfume).

Eu disse que Coco Noir é lindo, né? E é mesmo! Lindo, elegante e intenso. Sacou o terceiro adjetivo? Reside aí o meu problema com ele. Como se não bastasse, a fixação desse perfume é algo absurdo de grande. Não há enxaqueca que resista. Mas se a sua cabeça - ao contrário da minha - for boa, se joga no Coco Noir!

Classificado pela própria Chanel como oriental luminoso, esse aí é perfume com p maiúsculo! Na abertura temos grapefruit e bergamota. No coração, rosa de maio e jasmim. A base traz patchouli, sândalo, fava tonka, baunilha bourbon e almíscar.

Sabe o Coco Mademoiselle? Segundo o meu nariz, Coco Noir é uma versão adulta, invernal e noturna dele, com direito a gotinhas do Allure Sensuelle no meio. 

Mas as frutas são discretas aqui. O que pega é o coração floral purpurinado com patchouli. Mas pensa numa purpurina preta, ok? A coisa é meio dark, mas com brilhos (daí a luminosidade proferida pela Chanel?). A doçura surge ali entre o fechado e o cremoso. O fim da história é um amadeirado morno regado com patchouli levemente terroso. E o que fica na pele depois do banho é puro almíscar (sim, depois do banho!). Só não se esqueça que tudo é bem marcante, potente e berra "sou rycah!". É quase como se ele tivesse o cheiro de todos os bons perfumes do mundo juntos e misturados.

Quem me acompanha sabe que tenho problemas com patchouli (lê-se: enxaqueca), daí minha dificuldade com esse perfume, já que a tal nota "do mal" é o que mais se sobressai nele. Na real, todo o resto é bem equilibrado e menos óbvio de distinguir (mas eu sou esforçada. rá!).

Enfim, Coco Noir te preenche. O problema é que, no meu caso, transborda. 

Dois homens da Dior


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Momento confessionário: ainda que eu defenda que perfume é anjo (não tem sexo, né?), quando eu me tornei protótipo de adulta (lê-se: estudante universitária), há muitos e muitos anos atrás, eu só usava perfumes ditos masculinos. Na época eu era do contra, abominava flores e doçura e me encontrava nos amadeirados e aromáticos machões. Engraçado que os meninos não acreditavam quando eu dizia que tava lá ostentando uma fragrância feita pra eles. A pele humana é mesmo mágica. 

Enfim, o tempo e aquela vibe passaram e parti pro meu jeito van mulherzinha de ser. É claro que eu sigo fã e usuária de algumas maravilhas ditas barbudas, como o Pi (Givenchy) - que nem tem tanta barba assim -, mas, de modo geral, acabei me afastando do mundão "testosterona feelings". Não me vejo mais usando cheiros com acento tradicional and essencialmente masculino mercadologicamente falando. O passado ficou pra trás, enfim. Mas tem tanta coisa boa focada na população XY que a mulherada pode e deve usar sem medo, que eu me sinto na obrigação de botar na roda. Pretendo falar mais sobre eles.

E foi de tanto ouvir a galera dos cromossomos XX recomendando prazamigue o badalado Dior Homme (Dior) que, bão, meu nariz ficou curioso. E lá fui eu atrás desse macho. Pra aproveitar a viagem, cafunguei também o irmão dele, Dior Homme Sport. E o que encontrei é o que se segue.

Dior Homme
Conheci um perfume que eu já conhecia. Eu não sabia, mas cansei de sentir esse cheiro por aí quando eu era pessoa de balada (faz tempo isso, gente, faz tempo). Cafunguei a versão Eau de Toilette, que foi reformulada e, dizem, perdeu potência mas segue com o mesmo DNA. Ela tem cardamomo, bergamota, lavanda, íris, patchouli, cacau, couro e vetiver. Ela é morna, macia e, de fato, super unissex. A saída é cítrica com toque de lavanda e logo vira outra coisa. Vira cheiro de maquiagem. Começa como batom vermelho antigo de embalagem dourada e vira pó compacto clarinho; tudo culpa da íris. Admito que me senti um pouco incomodada e enjoada com isso tudo, que ficou absurdamente gritante na minha pele. Porém, duas horas depois, fui levada ao paraíso. A íris aquietou, ficou mais elegante, levemente atalcada, e conheci o cacau, quase cremoso, doce na medida. Aqui a coisa me abraçou, ficou linda, profunda e confortabilíssima. Será que a brisa sequinha que eu senti enquanto eu conversava com o cacau era o couro? Pode ser. No final, terminou tudo bela e comedidamente amadeirado. Não vi nada marcando território aqui. Definitivamente, Dior Homme é super compartilhável. Compraria se não fosse a íris inicial, e olha que eu amo íris, mas aqui ela não é pra mim. Todo o resto achei incrível, incluindo o cheirinho de lápis de cor que ficou na pele no dia seguinte. Yes, fixação estupenda!


Dior Homme Sport
Não vi relação dele com o Dior Homme. Pra mim ele é um flanker que anda sozinho, é outra coisa, outro perfume. Ele também foi reformulado, e tem limão, gengibre, íris, vetiver e cedro. Mais arejado e pró-ativo (Dior Homme é mais quente e espera que lhe sirvam o uísque no copo), Sport leva a sério a dobradinha limão e gengibre, bem proeminente cá por estas bandas. Fresco e picante, ele é cheio de energia sem perder a sofisticação. O vetiver que eu encontrei aqui deixou a coisa um pouco mais máscula (e, aposto, é isso que faz a alegria dos homens que não curtiram o Dior Homme original). A íris é super suave e não chega nem perto do que ela é no tradicional (a maquiagem ficou no Dior Homme mesmo). Momento vergonha alheia: outro dia segui em silêncio curioso um cara porque eu queria "acompanhar" o belíssimo perfume dele (#quemnunca). Depois eu descobri que era o Dior Homme Sport. Palmas pra mim! Fixação estupenda aqui também. 

Um perfume floral by Issey Miyake


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Tô tão jasminzêra, povo! Cêis nem imaginam! E o jasmim da vez atende pelo imenso nome A Scent by Issey Miyake Eau de Parfum Florale (Issey Miyake). Pra efeito facilitador da vida desta que vos escreve, chamá-lo-emos de A Scent Florale, beleza?

Singelíssimo and confortabilíssimo, A Scent Florale abre com jasmim, segue com jacinto, ylang ylang, gálbano, rosa e peônia, e fecha com patchouli, âmbar e musgo.

A saída é aquela rajada de jasmim característico, amado ou odiado, impossível de não ser notado (adoro rimar, me deixa!). É a flor e ponto. Mas, óh, nada ão, viu? Jasmim desmaiado dentro d´água, diria eu cá comigo. Mesmo assim, quem não curte a florzinha deve passar longe. Minutos depois, dá pra sentir o caule das flores, que vão surgindo abstratas, trabalhadas na delicadeza. E então temos ele, o grande, o sublime, o indefectível cheiro-de-banho (assim mesmo, com hífen). A Scent Florale é a epítome do banho tomado. 

Fresquinho e levinho (até demais, dirão alguns), ele tem cheiro de primavera florida (ou xixi de gato, caso você seja da turma que odeia jasmim e tem criatividade de sobra). Conheci o belo aí num dia de enxaqueca (sou bandida, eu sei, me deixa!) e, putz, gamei. A dor até passou. Amor, gente, amor.

A verdade é que perfumes arigatôs me agradam sobremaneira. Adoro quando os japoneses botam as mãos na perfumaria. Grande parte das vezes os cheiros ficam belos, intimistas e contemplativos. Sou fã. E sei que sou rara. Maioria do mundo não segue a mesma vibe. Maioria acha tudo isso bem água de chuchu. Acontece que eu curto uma aguazinha vegetal às vezes. O que pra muita gente é uma chatice, pra mim é ouro!

Não tem dia em que a gente só quer um gole de paz? Taí! Eu não sei como, mas esse perfume me toca de alguma forma. 

Então fica combinado: se o seu negócio é perfume aumentativo, esquece o A Scent Florale, ok?

A quem interessar possa: A Scent Florale é um flanker já descontinuado do A Scent by Issey Miyake (que eu não conheço, por sinal).

Fascinação Sensual


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Bora falar do Fascinação Sensual? Não, gente, não é Avão. É Chanel! É Allure Sensuelle! É perfume todo ão, meu povo! Fortão, chiquetosão, gostosão e carão.

Oriental floral, nosso amigo aí vem com mandarina, pimenta rosa e bergamota na saída, íris, pêssego, jasmim, rosa turca, rosa búlgara e vetiver no coração, e láudano, especiarias, sândalo, baunilha, âmbar, patchouli e incenso na base.

Deu pra sacar o poder disso, néam? Taí um perfume que você usa e ele usa você, saca? Super sensuelle, esse Allure é lindamente provocativo, divinamente condimentado e confortavelmente quente. Por essas e outras, ele berra nas entrelinhas: "me borrife em dias frios, colega!".

Do tipo que jamais passa sem ser notado, Allure Sensuelle deixa um rastro envolvente, marcante e requintado no ar. É um perfume atemporal, forte (ok, já falei isso), cremoso, elegantíssimo e quente (eu também já falei isso, mas a idade me deixou repetitiva, sorry).

Notas cítricas, amadeiradas, florais, condimentadas e doces dançam sobre a pele, resultando numa fragrância tudo ao mesmo agora, em que se destacam as flores e o doce da baunilha adultíssima. Ah, e o incenso (todo lindo) também marca presença. 

A fixação do Allure Sensuelle é excelente. Ele dura fácil umas 10 horas na minha pele sem desandar. Alluriou geral!

Tá pessoa sofisticada and segura de si hoje? Tá frio? Se joga no Allure Sensuelle, bebê!

Dolce sem açúcar e sem afeto


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Dolce (Dolce & Gabbana), ao contrário do que o nome sugere, não é doce. É floral com um pezinho na água e outro na grama. Singelo, suave e fresco, foi feito tendo em mente o público que não gosta de usar perfume. Assim ele me parece.

É até engraçado ler o Domenico Dolce no site oficial dizendo que a idéia foi capturar a imagem da Sicília e botar dentro do frasco. Olha, não sei de qual Sicília ele tá falando, mas não é a do Sicily. Ah, não é! Também não é a Sicília da minha família. Enfim, dou um cannoli pra quem me trouxer a Sicília do Dolce!

Pois bem, e a tampa do Dolce, minha gente? O que é aquilo? De onde ela vem? Do que ela se alimenta? Como ela se reproduz? Não perca! Esta semana, no Globo Repórter! De plástico, ela me soa bem kitsch (pra não dizer duvidosa). E não se engane: ao vivo ela é bem pior (chega a ser vagabunda no sentido laico do termo). E pensar que era pra ela reverenciar docinho de marzipã, uma das maiores delícias sicilianas (se não a maior!). Deu certo não, Dolce. Deu certo não.

E o que vem no perfume? No topo tem neroli e flor de papaia. O coração traz lírio d´água, narciso e amaryllis, todos brancos. Na base temos almíscar e madeira branca.

Dolce começa com aquele toquinho verde da flor da laranjeira, coisa que só o neroli faz por você. E então a gente topa com uma florzinha aquática indefinida. E termina dando de cara num montão de almíscar preso num pedaço de madeira clarinha. O problema é que o almíscar é genérico e a madeira é MDF, saca?

E no fim das contas o que vem dentro do frasco é aquela ladainha primavera-verão de sempre, que a gente já tá cansado de conhecer de outros carnavais. 

Leve and calminho, Dolce é coisa casual, segura, diurna, limpinha, feita pra não encher o saco de ninguém. E só isso! Faltou empolgação, sabe? Gostosinho, mas nada memorável. Tudo bem que nem tudo deve ser memorável, né? Mas, sei lá, eu esperava mais. Eu queria mais. Eu ansiava por mais sinceridade, ainda mais diante do preço que pedem por ele.

Sabe aquele tipo de perfume que você pode dar de presente pras gentes de todas as idades (se quiser ostentar, claro)? É esse! Garanto que não tem erro. Aliás, se quiserem me dar, aceito de bom grado. Rá! Ele entra na minha categoria "usaria se ganhasse".

No mais, o filme da campanha foi dirigido pelo Giuseppe Tornatore, aquele do Cinema Paradiso (o filme preferido da minha mãe, que chora só de ouvir a música do Ennio Morricone, o rei do western spaghetti, que acabou indo trampar com o Quentin Tarantino no Bastardos Inglórios e me prova que o mundo dá voltas engraçadas). Só acho que com o cachê que pagaram pro Giuseppe podiam ter dado uma graninha mais gorda pro perfumista fazer coisa melhor. Neám?

A essência do Narciso


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Tem jeito não, sou uma talcólatra incorrigível. Onde tiver um talco lá eu estarei! E eu tô todinha no Essence (Narciso Rodriguez). Essence e aquele frasco incrível, né? Ao vivo ele é ainda mais belo. Às vezes eu cato o dito cujo só pra ficar admirando. Sou dessas. Não me julgue.

Pra começar, essa coisa linda veio do Alberto Morillas, o rei do talco-conforto (são dele também meus amados BLV Notte e Flower By Kenzo Oriental, entre outras preciosidades).

Mas, olha, uma coisa eu garanto: o cheiro do Essence consegue ser ainda melhor do que o frasco. Pois é, consegue! Perfume floral, ele vem minimalista, macio e lindo, com rosa, íris e âmbar. Pra mim tá ótimo!

Não tem almíscar na lista oficial, mas eu tenho certeza de que ele dá o tom da coisa por aqui. De onde mais sairia aquele aroma aconchegante feito amaciante de roupa? Junto com a íris (minha flor preferida), ele faz um dos talquinhos mais fofos que eu já senti. A rosa (minha segunda flor preferida) é bem limpinha, usada a conta-gotas na medida pra acender a luz e trazer um pouco de cor. O âmbar é morninho, mas tão leve que a gente se permite usar e abusar no calor. Na real, esse âmbar tá aqui mais pra arredondar do que pra aquecer, sabe?   

No mais, a graça do Essence tá na discrição. Ele é bem rente à pele e super delicado. Agora pensa num talquinho feito pra aturar temperaturas elevadíssimas sem incomodar a menor das joaninhas! Bingo! Ouso dizer que esse talco é o que melhor cabe nos 40 graus que tem feito aqui na roça.

Pra quem curte Infusion D´Iris (Prada), Eau de Charlotte (Annick Goutal), BLV Notte (Bulgari), Inspiration (Lacoste), Ivoire (Balmain) e Noa (Cacharel), uns mais atalcados, outros menos (ou nenhum pouco), mas todos limpos, todos lindos, todos tão eu.

Amarelo


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E aí que o povo da Versace achou que seria uma boa idéia fazer a versão amarelinha do Bright Crystal e então jogou no mercado o Yellow Diamond. E o que seria do amarelo se todos gostassem do rosa, néam? Por sorte, do amarelo eu gostei. Mas senta que lá vem historinha.

Yellow Diamond vem com neroli, bergamota, limão amalfitano e pêra na saída, flor de laranjeira africana, vitória-régia, frésia e mimosa no coração, e almíscar, madeira e âmbar na base.

Isso significa que temos nele um floral frutado bem primavera barra verão, bem fresquinho e gostosinho. Atentem para o "inho", ok? Esse perfume é bem diminutivo mesmo. Delicinha e dispensavelzinho - pelo menos pra quem tem um parafuso a menos e perfumes demais (eu! eu! eu!). O que eu quero dizer com isso é que ele não é de tirar o fôlego de ninguém, sabe? É bem feitinho, mas não é inovador nem nada disso. Tudo bem que um perfume não precisa ser sempre espetacular, mas então que custe menos se ele não for a atração da festa, oras!

Com cheirinho casual and diurno de florzinha amarela com frutas frescas genéricas, ele segue a vibe do Éclat d'Arpège (Lanvin) e do Light Clouds (Moschino). Limpinho, alegrinho e feijãozinho com arroz. Não me pergunte por quê, mas eu achei uma coisa assim meio Coldplay. (#prontofalei)

E eu falei sério quando disse que ele é a versão amarela do Bright Crystal, viu? É bem por aí. Só que o Yellow Diamond é um pouquinho mais "aparecido" e interessante. Se custasse menos, eu catava.

O Sheer da questão


by Vanessíssima em , ,

12 comentários

De volta aos trabalhos vos digo: Brit Sheer (Burberry) só não foi a melhor compra de 2014 porque paguei caro. Aliás, eita perfume pra nunca entrar em promoção, viu? Tudo bem que o zóio maior que o estômago me fez levar pra casa o frascão de 100 ml, mas, putz, sei lá, podia custar menos diante do que ele se propõe, né?

A idéia aqui é frescor, gente! Bastante frescor. Saca só as notas: lichia doce, yuzu, folhas de abacaxi e tangerina na saída; peônia rosa, flor de pêssego e nashi no coração; almíscar branco e madeira clara na base.

Pra quem não sabe, yuzu é uma frutinha cítrica asiática que parece toranja (ou grapefruit, se você for chique), e nashi é um tipo de pêra lá daquelas bandas também. Captou o frescor?

Brit Sheer é absurdamente refrescante sem ser cítrico (ele é frutal floral). A misturinha das flores delicadas com as frutas de gosto de água dá um resultado transparente encantador. Existe uma doçura bem discreta, que fica lá no degrau de baixo. O almíscar e a madeira formam uma caminha macia arrumada com lençol branquinho.

É tudo tão equilibrado e suave sem ser cítrico ou aquático, que dá vontade de pegar no colo. Com ele não tem erro. 

Achei um perfuminho perfeito pro verão e pra outros dias tais de temperaturas elevadas, coisa mega comum aqui na roça. Isso quer dizer que ele tá no meu ranking dos mais borrifados.

Sabe o tipo de perfume que não é nenhuma obra-prima, mas que você usa muito, muito meeeeesmo, sem enjoar? Eis o Brit Sheer! Taí porque ele tinha tudo pra ser a melhor aquisição de 2014. Ou melhor, quase tudo. Bora baixar esse preço aí, pô!

PS: Não, ele não é a versão light do Brit (falado rapidamente aqui). Não se engane. São perfumes coooooooompletamente diferentes.