Top 5: Perfumes roubados


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Veja bem, eu podia tá matando, eu podia tá roubando, mas não, eu tô sendo roubada. Como eu sou dessas que dão risada da própria desgraça, resolvi fazer o top faivi dos meus perfumes que foram eufemisticamente extraviados. Comprei todos eles em lojas virtuais gringas e eles jamais caíram no meu colo. A certeza que eu tenho é que três deles sumiram aqui no Bananão (os outros dois estavam viajando sem rastreio, portanto só as fadas sabem onde eles desapareceram).

Antes, contudo, acho de bom tom afirmar que, gente, eu cato cheiro fora há uns 8 anos, cato muito, e até hoje “apenas” esses me foram surrupiados, ok? Por essas e outras, ainda considero bom negócio sacar o cartão de crédito internacional, desde que não se tenha pressa e seja feita na ponta do lápis a continha das taxas. Pois bem, aos surrupiados!

1. Shalimar Ode a La Vanille (Guerlain)
A pessoa aqui que vos escreve é suspeita pra falar sobre esse lindo porque Shalimar é o nome dela. Mais suspeita ainda porque ela esperou uma vida pra Guerlain relançar essa edição limitada toda trabalhada na baunilha e, bingo, o perfume nunca chegou. Tô aqui acendendo vela até hoje porque consegui arrematar outro. Nem encanei quando esse segundo frasco caiu em minhas mãos em pleno calor de 40 graus. Borrifei gotículas assim mesmo e me joguei na vida! Resenha em breve.
* Recado ao gatuno: Que você tenha tomado banho de Ode a La Vanille num dia de sensação térmica beirando os 50 graus e pegado ônibus lotado! Sem mais. 

2. L´Instant Magic (Guerlain)
Floral amadeirado almiscarado que nunca cafunguei, mas sempre amei. Ainda não recomprei, mas vou. O tal vem com bergamota, rosa, frésia, almíscar, madeira e amêndoa. Dizem que ele é atalcadinho, ou seja, meu número! E é por isso ele foi parar no segundo lugar da minha lista. #aloka
* Recado ao gatuno: Tomara que ele não tenha fixado nem dois minutos na sua pele. Sem mais.

3. Pleasures (Estée Lauder)
Floral branco com toque verdinho. Depois do luto, arrematei outro e me borrifo com louvor. Falei dele aqui.
* Recado ao gatuno: Torcendo pra pimenta ter ficado bem proeminente em você, culminando numa crise braba de rinite. Sem mais.

4. Green Tea (Elizabeth Arden)
Cítrico aromático super very fresh. Bom, bonito e barato. Comprei outro aqui no Bananão mesmo. Falei dele aqui.
* Recado ao gatuno: Faço votos de que a citricidade dele tenha ficado azedíssima na sua pele. Sem mais. 

5. Love in White (Creed)
Floral fresco and mais um que não recomprei até hoje (e talvez nem recompre, por isso ele foi parar no quinto lugar da lista). Outro da turma do "“nunca cafunguei, sempre te amei"”. As notas do dito cujo são as seguintes: raspas de laranja, casca de arroz, íris, jasmim branco, narciso, magnólia, rosa, baunilha, ambergris e sândalo. 
* Recado ao gatuno: Que você tenha morrido engasgado com a casca de arroz! Sem mais.

Adendo maroto:

O fato de ter dois Guerlain na lista comprova duas coisas: 1. por ser a minha casa predileta, é a marca que eu mais compro, logo, estatisticamente falando, é a que mais me some; 2. esses malditos ladrões têm bom gosto.

Ariano, verbena, menta e João


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Ariano Suassuna tem, entre muitas, uma frase maravilha. Disse ele certa vez no meio de uma palestra: "Eu não mereço a menor confiança em citações. Quando a frase não me serve, eu modifico."

Pois bem, e eu tomo o dito dele pra mim e digo: Eu não mereço a menor confiança em relação aos textos deste blog. Quando uma família olfativa passa a me servir, eu me modifico.

De modo que ei, você aí, que sempre soube da minha aversão por cítricos, toma a minha incoerência! Quer que eu embrulhe?

Gente, sério: nunca jamais em tempo algum vale a pena ir na minha. O que tem aqui são impressões imprecisas de uma pessoa que gosta de perfumes. Nada além. Aqui eu só junto a fome com a vontade de comer (escrever and cheirar).

E então eu conheci o Verbena & Menta (L´Occitane), que traz limão, grapefruit, verbena, hortelã, hortelã-pimenta, madeira branca e almíscar, e me mostra como o mundo pode ser maravilhoso, com céu azul, nuvens brancas, árvores verdes, rosas vermelhas e amigos se cumprimentando. Pra borrifar ouvindo What a wonderful world na voz de Louis Armstrong.

A verbena aqui vem travestida de capim-limão, passa o tempo todo sorrindo e não é muito afiada. Ela mantém uma certa adstringência, mas não chega a pinicar o nariz em nenhum sentido (quem cresceu com capim-limão no quintal me entende). Quando a gente vê, tá lá sentindo a menta, fresca, fresquíssima e revigorante. E depois o capim-limão perde o capim e ficamos só com o limão brilhante e sorridente. No final de tudo, temos uma caminha amadeirada fantástica. Tudo bem compartilhável, natural, com fixação honesta e sensações mil. Mais que perfeito em dias quentíssimos.

Pra quem curte cítricos aromáticos ou não. E eu, gente, me encaixo no não, e tô caidinha de amores por esse perfume!

Verbena & Menta só tem dois probleminhas: o fato de ser edição limitada e o preço (acho demais pra tanto otimismo).

E aí que agora eu termino este texto usando e abusando do João Ubaldo Ribeiro: "Deus não tem pressa nenhuma, para Ele tudo é ontem, hoje e amanhã, só quem vive dentro do tempo somos nós". É isso aí, Ubaldo! Nunca é tarde pra gostar de perfumes cítricos. E nunca é tarde pra gente parar de me levar a sério. Rá!

PS: Verbena & Menta tem múltipla personalidade na internê, e pode ser encontrado também como Verveine Menthe, Verbena Mint e Mint Verbena. No mais, dizem que ele é o antigo Verbena Sorbet. Como não conheci a encarnação anterior, não posso opinar sobre.

Mesa-redonda: O amor e o poder


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É hora de pegar o lencinho! Não, eu não vou cantar O amor e o poder, da Rosana, rainha-mãe da calça pantalona santropeito e das ombreiras cósmicas. De nada! Pois bem, o momento secando lágrimas é culpa da Lily Loon (te adoro, Lily!). Vai vendo! Sabe a mesa-redonda mensal que fazemos cá entre nós blogueiros perfumados? Então, Lily veio com essa agora: “se estivesse em suas mãos o poder de trazer de volta ao mercado algumas fragrâncias descontinuadas, quais seriam elas?”. Será que meu amor me conferiria esse poder? Olha, mãe, o amor e o poder! Rá! Pois bem, choremos!

Cologne Du 68 (Guerlain)
Essa colônia é linda. Essa colônia tem 68 notas. Essa colônia não existe mais. E eu tô chorando. Foi falada aqui.

Gloria (Cacharel)
Cacharel, sua feia, por que você descontinuou esse cerejudo gostosão como não? Falei dele aqui.

Idole (Armani) 
Comofas quando descontinuam um curinga? É, pois é, senta e chora! Dito aqui.

Eclix (La Perla)
Luto eterno pela perda dessa baunilha confortável and deslumbrante e que god a tenha sem mais tô muito abalada pra falar agora desculpa [soluçando]! Aqui.

Summer By Kenzo (Kenzo)
Kenzo descontinuou esse belíssimo floral afetuoso porque dormiu com o bumbum descoberto. Queremos a folhinha de volta! Queremos a folhinha de volta! Foi dito aqui.

Chocolovers (Aquolina)
Não, Aquolina, eu não te perdôo nunca jamais! Esse chocolatinho líquido me é necessidade simplesmente porque “de chocolate o amor é feito” (Alegria, Trem da). Falei dele aqui.

Eau Du Désir (Lolita Lempicka)
Era um limão muito engraçado, não tinha citricidade, não tinha azedismo. Ninguém podia reclamar dele não, porque ele era um atalcadinho delícia. E era feito com muito esmero. Dito aqui. 

Liberté (Cacharel)
De novo, Cacharel, sua reincidente sem coração? Quedê minha laranjinha delícia? Um dos poucos chipres que eu curto, poxa... Foi falado aqui

First Love (Van Cleef & Arpels)
Meu Eau de Fralda Limpa, gente! Talquinho pimpão que não se acha mais não. Ok, de Van pra Van: Van Cleef & Arpels, me devolve o meu First Love, colega! Dito aqui.

E bora lá catar mais lencinho pra acompanhar os amores interrompidos chorados por Parfums et Poésie, Templo dos perfumes, Le Monde est Beau, Village Beauté, Perfume Bighouse, A louca dos perfumes, Pimenta Vanilla, Odorataparfuns, Parfumée, Helen Fernanda e Perfumart

God save the Kleenex!  

A melhor lavanda do mundo


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Conheci Les Fleurs: Lavande (Molinard) graças à amiga Dianíssima, que nas horas vagas é presidente do fã-clube da Molinard. Rá! Devorei minha amostrinha com afinco. Quase mastiguei o flaconete. Não sosseguei até catar um frascão pra mim.

Lavanda delícia, perfeita e carinhosa, ideal praqueles momentos de dor de cabeça, gripe, rinite, TPM, gota, torcicolo, espinhela caída, unha encravada e et cetera e tal. Só não traz a pessoa amada em três dias, viu? 

Lindamente compartilhável, Lavande cai bem em todos os seres os vivos do planeta, incluindo homens, mulheres, joaninhas, pingüins, coalas e suricatos.

O perfume é todo trabalhado na lavanda, no sândalo, no ládano, na baunilha e no almíscar. 

O cheiro é floral and herbal tal e qual aquele que a lavanda nos proporciona. Mas esquece o lavandismo que pinica o nariz. Aqui a coisa é macia, aquecida pelo sol. Um pouquinho verde/entusiasmado no início, feito aquele oi animado que a gente recebe de um amigo sumido por algum tempo. Mas logo a coisa se acalma e a saudade se aquieta. E do oi empolgado partimos pra um abraço gostoso e seguro. E o resultado é um talquinho low profile relaxante quase retrô. Tô falando do perfume, ok? 

A baunilha é bastante tímida e me remeteu ao pinguinho do i. Quer coisinha mais pequenininha, fofinha e importante do que o pingo do i? Sim, gente, porque o pingo no i já foi fundamental. Ele surgiu pra diferenciar no alfabeto gótico a seqüência ii do u minúsculo lá na Idade Média, quando o povo escrevia em latim e confusões não eram bem-vindas. Ok, ninguém perguntou. De volta ao perfume!

Simples como deve ser, Lavande é acolhedor e orgânico (lê-se: tem cheirinho natural, não sintético). Indispensável para quem ama as tranqüilidades da lavanda e/ou do talquinho. Ou seja, não vivo mais sem. Eis a melhor lavanda que vi até aqui!

Adendo maroto:

A Molinard não é uma marca muito conhecida por aqui. Mas devia. Fundada em 1849 em Grasse, no sul da França, ela ainda é uma empresa familiar e nunca deixou o prédio que ocupa desde 1900. Ela produz perfumes, produtos pra banho, aromas pra casa e itens de aromaterapia, que são exportados pra 25 países. Possui duas lojas próprias e marca presença em mais de 1600 pontos de vendas na França. O mais incrível disso tudo é que parte da produção, como a colocação dos rótulos, ainda é feita à mão. Ah, e a Molinard também mantém um museu aberto à visitação. E a fábrica oferece visitas guiadas. Antes que você bote seu rim à venda, saiba que, apesar de ser considerada marca de nicho, a casa tem produtos incrivelmente acessíveis perto das coleguinhas.

Ídolo


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Já que aqui é o blog da zoeira, nada mais óbvio do que trazer pra você uma super, ultra, mega, hyper, uber, power entrevista pingue-pongue fake and caphona com Sir Giorgio Armani. Se já fizeram mais ou menos isso com o Felipão na época do #vaitercopa, por que eu não posso fazer com o Giorgião, hein? Bora lá!

Blog – Uma cor [isso vai mudar a sua vida, aguarde!]
Giorgio – Dourado

Blog – Um formato [perguntinha relevante, hein?]
Giorgio – Redondo

Blog – Um ídolo [essa é básica, saía até na Capricho!]
Giorgio – A mulher

Blog – Uma família olfativa [por essa você não esperava, né?]
Giorgio – Floral

Blog – Quatro notas de saída [agora a coisa tá ficando interessante! ou não.]
Giorgio – Tangeria, pêra, gengibre e artemísia

Blog – Três notas de coração [né?]
Giorgio – Açafrão, jasmim e rosa

Blog – Três notas de base [né 2?]
Giorgio – Vetiver, estoraque e patchouli

Blog – Um perfume [bingo!]
Giorgio Idole d’Armani

Blog – Uma decepção [atenção! atenção!]
Giorgio Idole d’Armani ter sido descontinuado

Ok, agora a gente volta pro planeta Terra e passa a falar sobre o Idole d’Armani EDP. Pra começar, deixo aqui um arrependimento: eu devia ter catado o frasco maior desse perfume. Tô impressionada com o amor que garrei nele. Sério! É bem raro eu usar o mesmo cheiro dias e dias seguidos. Com o Idole o milagre se fez – faça chuva, sol, frio, calor, enxaqueca, rinite, torcicolo, bem-estar e o que mais vier. Minha pessoa tá inconformada por não ter embolsado 75 ml disso, até porque descontinuação é o sobrenome dele. Vou ali chorar no cantinho e já volto. Pronto, voltei! Enfim, ao cheiro!

Pensa na Glória Menezes fazendo papel de vilã rycah que usa camisa de seda branca e você dará o primeiro passo em direção ao Idole. Ok, o pingue-pongue mentiroso lá de cima mexeu comigo. Abstrai. O fato é que Idole é curinga, bonito, phyno, elegante and sincero. [deviam proibir logo a gente de usar essas últimas três palavrinhas na mesma frase, né?]

Pois bem, temos nele um floral calmo e macio, porém radiante avec elegance. É como se tivessem aprisionado o sol de céu azul de resort dentro daquele frasco. Ele é diferente de tudo o que eu conheço, mas, curiosamente, ele me remete ao delícia Lacoste Pour Femme (Lacoste).

Gosto do frescor incomum das frutas - pra mim, quase madurinhas -, que se reflete num docinho levemente xaroposo. Admiro a mistura de gengibre e açafrão, que dá uma sensação picante with ternura, temperando o todo na medida. Aplaudo a humildade do jasmim, que sabe se colocar e não quer ser a estrela da fragrância. Saúdo a base amadeirada e reconfortante, morninha e super usável sempre. E a fixação? Ah, ela é tão incrível quanto o cheiro!

Pronto, agora vou ali secar as lágrimas e já volto!

É o que não pode ser que não é


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Pra falar sobre o La Petite Robe Noire (Guerlain) EDT é preciso dizer o que ele não é. E você vai ver que isso revela ainda mais sobre como ele é. Né? Pois bem, La Petite Robe Noire EDT não é:

Original:
Mais um frutal floral docinho rosinha que faz sucesso graças à internê. A vibe açucarada azedinha para jovenzinhas-baladeiras-que-não-largam-o-celular-e-acreditam-em-unicórnios tá aí (e cá entre nós, aposto que se essas meninas tivessem unicórnios de estimação iam inundar o Instagram com fotos deles, mas vamos deixar isso pra lá). A impressão que eu tenho é que esse perfume parece ter sido feito pra concorrer diretamente com tantos outros tais quais Miss Dior Chérie (Dior), La Vie Est Belle (Lancôme) e Lolita Lempicka (Lolita Lempicka), lembrando beeeeem vagamente este último. Mais do mesmo, portanto.

Natural:
Tudo dele é bastante artificial e sintético, do cheiro à mensagem. Perfume cor-de-rosa de laboratório feito pra vender, não pra provocar experiência olfativa. E não, isso não é necessariamente desprezível (e por que seria?).

Guerlinesco:
Nada nele me remete à super Guerlain. Nada! Nem parece da casa. Ele não tem pegada, não tem força, profundidade ou fator uau. Nada de Guerlinade nele também (lê-se: nada do combo íris + baunilha + etc e tal, ou seja, talquinho delícia? não trabalhamos!). 

Ruim:
Ninguém vai morrer se não tiver esse perfume. Tem coisa bem melhor e com mais interessância no mercado. Nem por (tudo) isso ele é ruim. Tudo bem que ele soa irritante às vezes, mas eu também. Então estamos quites. Rá! 

Enfim, La Petite Robe Noire EDT abre com rosa, jasmim e flor de laranjeira. Segue com cereja, maçã e groselha. Finda com âmbar branco e almíscares brancos.

As flores são tímidas, lavadas e irreconhecíveis. As frutas – sinteticonas – são aguadas e levemente azedinhas, causando certa borbulhância. O fundo é macio e morno, mas desbotado e parece sabonete.

Borbulhante e mundano como prosseco de balada em Ibiza, esse perfume me parece, além do que eu já disse aí em cima, a tentativa de uma mãe _______ [a-bacaninha; b-doidona; c-desesperada (coloque aí no espacinho um desses adjetivos)] se esforçando pra ser amiga descolada da filha. Pode até funcionar, mas fica meio forçado (vergonha alheia define pra você?). 

Em suma, cadê a Guerlain que tava aqui?! Guerlain para adolescentes 2.0? Opa! Dê ao público o que eles acham que querem, oras! E isso é errado? Bom, depende do ponto de vista.

Confesso três coisas: 1. a campanha publicitária dele é incrível com aquela silhueta feminina marota desenhada pela dupla Olivier Kuntzel e Florence Deygas – e tem a Nancy Sinatra cantando These boots are made for walkin` (entenda apenas que Bang Bang na voz da Nancy foi o toque do meu antigo celular durante anos); 2. se eu tivesse cafungado o dito cujo antes, não o teria comprado (morar na roça não é lindo?); 3. assim que meu frasco chegou, ele quase foi pro desapego, mas aí eu insisti um pouquinho e nos acertamos. 

Por fim, eu não morro de amores por ele, ele não é o meu estilo e tal (não meeeesmo), mas não o odeio. Aprendi a gostar dele. Deixo pra usar o bichinho nos dia em que acredito em unicórnios made in Ibiza. Sim, gente, tem dia em que eu tô assim! Sérião! É, acho que tô ficando véia...

Ah, já ia me esquecendo: a versão EDP é diferente da EDT, ok? Não conheço a primeira, mas sei que as notas são outras. 

PS: Yes, tô de volta! Vai encarar?

Mesa-redonda: Uns baratos


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Tem tanto perfume que é um barato and barato, né mesmo? Ressalvando-se, contudo, que o luxo de um pode ser o lixo de outro (e aqui falamos de cheiro e também de custo), trago aqui na Mesa-redonda do mês a minha resposta ao chamado da querida Cris Nobre: os favoritos com preço mais acessível. 

Na boa, eu acho que não preciso dizer que o mais caro não é sempre melhor ou o barato não é sempre ruim, néam? Não temos mais cinco anos de idade. E olha que eu digo isso com o dedão na boca e batendo repetidamente o pé no chão. 

Pois bem, aqui vão meus baratos!

Ma Chérie (O Boticário): meu Eau de Pijama número 1. Pra lavandar a vida! 100 emiéles por uns 50 cruzeiros no Boti mais perto de você. Falei dele aqui.

Limão Siciliano (Phebo): meu Eau de Pijama número 2. Se te derem limões, faça uma colônia marota! 200 ml por 30 dilmavanas na loja virtual da Phebo. Falado aqui.

Águas Jabuticaba (Natura): era uma vez uma jabuticaba sapeca que não foi parar dentro da caneca. Ela foi parar num frasco de perfume. 150 mililitros por R$ 44,90 e 300 mililitros por R$ 51,80. Falei aqui.

Fleur de Figuier (Roger & Gallet): hoje é dia de figo, bebê! Figo 'n' roll! 30 ml por cerca de R$ 60 e 100 ml por mais ou menos R$ 115 nas pharmácias ao seu redor. Dito aqui.

Green Tea (Elizabeth Arden): chá verde super fresh pra aplacar o calor. 100 mililitros sempre por menos de 60 réis nas lojinhas virtuais. Resenha aqui.

Arsenal Woman (Gilles Cantuel): minha versão usável do Flowerbomb (Vicktor & Rolf). 100 emiéles por uns R$ 89,90 em diversas lojas virtuais. Falei dele aqui.

Joop! Le Bain (Joop!): o incrivelmente bom que fica mais interessante no inverno. 40 ml por cerca de R$ 60 e 75 ml a um preço médio de R$ 99 nas lojas virtuais por aí. Foi falado aqui.

Lembrando que as marcas Puma, Yardley, Marina de Bourbon, Salvador Dalí, Forum, Gabriela Sabatine e Jennifer Lopez costumam ter bons preços cá no Bananão. Fora as pechinchas sazonais (nessas já vi, por exemplo, Calvin Klein, Givenchy, Tommy Hilfiger e Kenzo com preço muy amigo). Por isso é sempre bom dar uma averiguada marota por aí (a não ser que você tenha uma árvore de dinheiro em casa).

* Os preços citados foram cotados em sites brasileiros no dia em que este post foi pro ar. Vale a pena pesquisar em diversas lojas antes de comprar os não vendidos exclusivamente pelas marcas, pois os valores e a disponibilidade variam bastante de uma hora pra outra.

Outros blogs queridos também trazem uma seleção perfumada boa, bonita e barata. Quer ver só? Templo dos perfumes, Le Monde est Beau, Village Beauté, Perfume Bighouse, A louca dos perfumes, 1nariz, Pimenta VanillaOdorataparfunsParfuméeHelen Fernanda e Perfumart. Notaram gente boa nova no pedaço? Oh yeah, nossa mesa é extensível, baby! 


Aviso amigo: 



No exato momento em que este post entra pelos seus olhos, a pessoa aqui tá curtindo férias. É por isso que não garanto responder tão cedo o que vier. Vou tentar (veja bem, tentar) aprovar os comentários ao longo da folga (um viva ao celular!), mas responder são outros quinhentos. Pra isso eu tenho que sentar na frente do computador, já que meu celular é analfabeto (smartphone? smart? ahã!), e remar contra a minha idéia de descanso, que versa sobre passar o menor tempo possível lambendo a internet. Voltamos à programação normal na segunda quinzena de setembro! Resumindo: vou ali e volto já!


Cheiro da vez: Brazil (com zê)


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Como não deixar passar um mercado [cof cof] emergente como o nosso, néam? De olho no Brasil, tem muita gente por aí vendendo o [cof cof] south american way engarrafado. Tudo bem que pra muita gente de fora Hong Kong é aqui, a capital do País é Buenos Aires e a gente fica na África, mas tudo se resolve com uma singela [cof cof] homenagem, certo? Bora engarrafar o que o Bananão tem de melhor? Não, ainda não fizeram perfume de venda a prazo, meu povo! Mas fizeram de caipirinha e etc e tal. E viva o clichê (com pitada non sense)! Saca só:





Batucada (L´Artisan Parfumeur)
Limão, hortelã, cana-de-açúcar, ylang ylang, tiaré, coco, água do mar e sal, tudo "sexy as a Brazilian dance". Viu, vem cá! Jura, L´Artisan?






Cruise Collection Escale à Parati (Dior)
Dior, olha só, a cidade histórica do Rio de Janeiro se chama Paraty, com y no fim, viu? Essa é a forma adotada oficialmente no município, ok? Mas quem criou o Pure Poison tem cem anos de perdão. Rá! Escale à Parati (sic) tem petitgrain, limão, laranja amarga, pau-rosa, canela, hortelã, framboesa, fava tonka e notas amadeiradas. Bom, depois do Paraty com i...





Aqua Allegoria Limon Verde (Guerlain)
Limão, notas verdes, frutas tropicais, figo e fava tonka na avenida. A inspiração, diz a Guerlain, veio do "Brazil's national cocktail". Pena que o nome do perfume não traz a alcunha da fruta em português (mas o "verde" tá lá, néam?). Guerlain, tudo isso é medo do til do limão? Li-má-ó para os gringos, né? Explicado!






DKNY Be Delicious Rio (Donna Karan)
E o Rio de Janeiro, fevereiro e março virou perfume. Alô, alô, Donna Karan, aquele abraço! Maçã vermelha, flor de maracujá, flor de laranjeira, gardênia, sândalo, benjoim e mirra buzinando a moça e comandando a massa.





Samba (Perfumer´s Workshop)
Laranja, lírio, tangerina, musgo de carvalho, frésia e neroli. Se esse é o cheiro do samba, tenho medo do aroma da bossa nova. No mais, Perfumer´s Workshop, acordei boazinha hoje, então segura o slogan grátis: "Quem não gosta de Samba bom sujeito não é". Rá! De nada!






Brazilian Soul (Bottega Verde)
A italiana Bottega Verde desvendou a alma das brasileiras, hein! E ela tem ameixa, laranja, pomelo, pêssego, pimenta rosa, flor de laranjeira, jasmim, rosa, gerânio, baunilha, cedro e caramelo. Somos frutadas e meladas, não? Agora é a minha vez: desvendei a alma das italianas! E ela tem cheiro de macarronada. Rá! Não gostou, né, Bottega Verde? Mexe com a gente, mexe!



Rockin' Rio (Escada)
Abacaxi, tangerina, mamão papaia, pêssego, cana-de-açúcar, coco, sândalo e almíscar. Não, esse perfume não tem nada a ver com o festival caça-níquel de música do Medina (cuja grafia é Rock in Rio). E, sim, a caixinha desse Escada faz alusão ao Carnaval (?). Hein? Como assim? Como assim? Tudo bem, o próprio Rock in Rio quase não tem rock mesmo.






Brazilian Mango Grapefruit (Pacifica)
Que tal uma lira à nossa manga e à nossa toranja que, muita atenção agora, nem nativas são? A Pacifica achou boa idéia. Esse perfume vem com toranja, manga, pêssego, damasco e abacaxi.








Very Sexy Now The Beauty of Brazil (Victoria`s Secret)
Mamão papaia, orquídea e coco, tudo véri séguice like as brasilêra tudo.








Bahiana (Maitre Parfumeur et Gantier)
O que é que a Bahiana (sic) tem? Tem laranja, tangerina, limão, resina de abeto, madeira guaiac, rosa, âmbar, coco e almíscar tem. Um h onde não deve, tem.







Brazil Nut (The Body Shop)
Aqui nem rola uma homenagem/inspiração/pagação de mico propriamente dita, já que brazil nut é como os estrangeiros chamam nossa boa e velha castanha-do-pará. O perfume tem, além da castanha, baunilha e chocolate amargo.

Serge x Cartola


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Cartola que me desculpe, mas, sim, as rosas falam. E a mais tagarela tá no magnânimo La fille de Berlin (Serge Lutens)

Todo cheio de poesia, Serginho nos diz o seguinte sobre esse perfume:

She's a rose with thorns, don't mess with her. She's a girl who goes to extremes.
When she can, she soothes; and when she wants ... ! 

Her fragrance lifts you higher, she rocks and shocks.

Totalmente vazia de poesia, eu digo o seguinte sobre esse perfume: eis a melhor rosa do universo! As outras rosas parecem mato perto dessa. #prontofalei Tá, não parecem mato não. Amo/sou rosa e gosto das outras também. São todas lindas. Mas essa é especial.

Construído na base do "o mínimo é o máximo", La fille de Berlin tem rosa (néam?) e pimenta-rosa. E chega!

O segredo tá na rosa escolhida. Essa parece que ter vindo de K-PAX.

Não é a rosa mais fiel que eu já vi, por isso mesmo é a mais bela, a mais poética, quase vermelhamente frutada. Yes, a abstração de rosa do Serge me catou de jeito!

La fille abre com cheiro de pétala e de espinho. Explico: tem a flor, majestosa, poderosa, adulta e fresca, e tem um algo metalizado e pontiagudo feito espinho.

Apesar de ser uma rosa inventada, ela é macia, viva e natural.

Mágicas, figos e marmotas


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Tô aqui segurando um figo madurinho na mão. Pisco três vezes e então ele se transforma no Philosykos (Diptyque). E isso se repete sempre e sempre. E daí que eu viro colega do Bill Murray lá no Feitiço do Tempo. Todo dia é Dia da Marmota. Opa, não, pera lá! Todo dia é Dia do Figo. Rá!

Amadeirado aromático unissex, ele traz na saída folha de figo e figo. No coração tem coco e notas verdes. Na base, cedro, notas amadeiradas e figueira. 

Pra entender um pouco mais o Philosykos, vale a pena dar um ctrl c + ctrl v no que diz a Diptyque. Segue:

Philosykos, que em grego significa "amigo da figueira", é uma ode à toda a árvore: o verde, o frescor pungente das folhas, a madeira aquecida pelo sol, o sabor leitoso do fruto.

Pois bem, pra mim Philosykos é unicamente figo maduro e não se fala mais nisso. Tá, falemos mais nisso! 

Você que tá sempre aqui sabe que eu tinha pânico de figo até conhecer um certo alguém, né? Pois bem, descobri que minha aversão recai é sobre o figo maduro mesmo. Bingo! Philosykos não é pra mim. Mas é um baita de um perfume, viu? Pra quem curte figo no ponto de comer, ele é o que há! E, yes, ele é super compartilhável!

E antes que alguém me pergunte: quero só ver achar esse figo cá no Bananão! Tem não, viu? Mas nós sempre teremos Paris! Ou Hong Kong! Rá! Ok, de Feitiço do Tempo fomos parar em Casablanca, tudo isso falando de figo. Me deixa!

O Flora que deu B.O.


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E aí que você compra o Flora by Gucci Gorgeous Gardenia (Gucci) e acaba indo parar na delegacia pra fazer um B.O. porque te roubaram a gardênia. Sério, gente! Tô procurando a gardênia dele até hoje. Alguém viu a dita cuja por aí? Olha, quem achar manda ela me ligar, please. Preciso falar com ela. Quero bater um papo, fazer uma selfie, pedir um autógrafo e tal. Sou mega fã da flor, gente! 

Dizem que esse Flora tem pêra, frutas vermelhas, gardênia, frangipani, patchouli e açúcar mascavo. E eu só sinto a pêra, as frutas vermelhas (pro meu desespero), o frangipani (que lembra jasmim – não à toa ele também é conhecido como jasmim-manga), um tico de patchouli e o açúcar.

O problema é que, na minha pessoa, a pêra ficou muito aguada, o doce trazido pelo açúcar não combinou com o resto (assim como aconteceu com o Flora tradicional, dito aqui) e as frutas vermelhas ficaram muito sintéticas. Quem me conhece sabe que eu não topo com frutas bremeias, entonce...

Achei graça engraçada no patchouli, que em mim ficou desbotado e, junto com as frutas, fez parecer que tinha xarope de lichia por ali. Oi?! Não, não tem. Foi ilusão de óptica no nariz (sic). Rá!

É, não rolou.E não foi dessa vez que um Gucci me catou de jeito. No mais, não fosse o meu probleminha com as vermelhas, também não teria rolado, viu? No fim das contas, Flora by Gucci Gorgeous Gardenia tem tudo menos gardênia e acaba sendo bobinho demais pra quem curte fortes emoções. Teje presa, Gucci! 

Enfim, achei esse perfuminho raso, chato, genérico, nadinha especial, entende? Mas essa sou. Eu e meus grilos. Não vai na minha não. Só me lê que já tá bão.

Mesa-redonda: O meu inverno


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Bora prosear ao redor da mesa? E eis que a Ju pergunta: o que te aquece neste inverno? E eu respondo que, pra começo de conversa, inverno é bicho tinhoso aqui no sertão paulista. Você agarra ele e o condenado foge. Aqui quase não faz frio, o r é retroflexo, o l vira r quando tá no final da palavra, o r no arremate dos verbos no infinitivo some, o d do gerúndio vira n e o lh sempre vira i. E é aqui que mora a turma do dois-pastel-e-um-chopps. Dialeto caipira rulez! Mazzaropi, te dedico! Enfim, quedê frio? Mais fácil o Jeca Tatu virar uma criatura proativa do que os termômetros despencarem pra baixo dos 20 graus. De modo que me aqueço caipiramente com os seguintes:

Samsara (Guerlain) – versão EDT: se Sidney Magal fosse perfumista dos bons, ele teria feito o Samsara. Entenda aqui.

Shalimar Parfum Initial (Guerlain): doçura adulta e inteligente para pessoas de phyno tracto. Falei dele aqui.

Cinéma (YSL): uma das baunilhas mais elegantes que eu conheço. Très chic ao cubo! Resenha torta aqui.

Nu (YSL): o que dizer sobre um dos meus perfumes prediletos? Cheiro de pele com alma e com incenso. Isso e muito mais foram ditos aqui.

First Love (Van Cleef & Arpels): um talco que abraça e esquenta corações frios. Basicamente minha Campanha do Agasalho. Falei dele aqui.

Pink Sugar (Aquolina): quando eu tô gulosa, é nele que eu vou! Mais sobre? Aqui

Adendo caipira:
Hypnotic Poison (Dior) – versão 2008 (EDT): esse fica no adendo porque ele só é usado quando a temperatura vai pra baixo dos 15 graus (acima disso minha enxaqueca berra). Ou seja, borrifo de vez em nunca. Falei sobre ele aqui.

Abre parênteses. Fazendo este post, me dei conta de que meu inverno se resume basicamente a Guerlain e YSL. Fecha parênteses. 

Bão, além deles, Chocolovers (Aquolina), Pure Poison (Dior), Lolita Lempicka (Lolita Lempicka), Vanille Extreme (Comptoir Sud Pacifique), Joop! Le Bain (Joop!) e Vanille Gourmande (Laura Mercier) também dão um passinho pra frente no meu inverno. O premiado é escolhido conforme o termômetro fala puxando o r comigo. #caipirismo

E você, o que veste de cheiro quando o clima ajuda? Sim, ajuda! Soy loca por ti, inverno que non ecxiste!

No mais, agora é hora de saber o que perfuma o inverno da Ju, da Dâmaris, da Beth, da Lily, da Cris, do Dênis, da Diana e do Cassiano! Bora lá!

Charlotteando


by Vanessíssima em , ,

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Sabe quando um perfume é o teu número? Então, tô nessas. Tenho meu número 1, você sabe. E agora achei meu número 2. Mas já adianto: ele não fixa. Sim, não fixa. Então, se você dá importância pra isso, tira o cavalinho da chuva e/ou chispa daqui! Outra coisa: ele é bem levinho. Opa, não dura nada e é levezinho? Sim, tudo isso! A real é que não sou pessoa de bombas. Sou pessoa low profile que segue a vibe soy invisível, feliz and enxaquecosa. Sim, essa sou eu. Metade de mim ama perfumes. A outra metade tem enxaqueca. E as duas partes juntas moram no sertão paulista, onde frio é bicho raro feito curupira. Vai vendo. 

O negócio é que me encantei pra valer com o Eau de Charlotte (Annick Goutal). Quem conhece a casa sabe que a coisa toda costuma pender mais pra uma pegada mais natural, comedida, mimosa and educada. Tá bão pra você? Pra mim tá ótimo! Tem dia em que eu tô toda assim. Pois é, tenho meus dias de mimosa. Me deixa! De sorte que Eau de Charlotte é meu número! Meu número 2. Mas isso eu já disse. Bora parir o não dito.

Criado em 1982 (balzaquiana a Charlotte, hein?), o perfuminho é vendido como "uma ode a alegria e travessuras". Emília, amiga boneca de pano, te dedico! #amosousitiodopicapauamarelo 

Groselha, mimosa, cacau e baunilha fazem de Eau de Charlotte uma obra toda trabalhada no delicadismo impressionista. Opa, eu invento palavras (mas só quando o perfume merece!). Pois bem, sabe aquele lance maroto do impressionismo que te força a olhar o quadro de longe pra entender como todo aquele jogo de cores representa coisas lambidas pela luz? Eau de Charlotte é bem por aí. Olhando as notas de pertinho, na chincha, você não saca muita coisa. Dá um passinho pra traz e você consegue uma experiência espiritual. Taí! Monet pintaria Charlotte. Ah, se pintaria! 

Eau de Charlotte, minha gente, me é encantamento ao cubo! Cheirinho de baby limpinho e cabelinho penteado, de fraldinha trocada, talquinho no bumbum e tudo. Yes, talquinho! Nariz de marido até me indagou: "mas que cheiro de Talco Johnson`s Baby é esse?".

Enfim, temos ali um atalcadinho delícia, um cacau sequinho, um quase nada de fruta marota, um pouco de florzinha paz e amor e uma baunilhazinha bem discreta e suave. Docinho atalcadinho na primeira infância define. 

Taí um dos perfumes mais confortáveis que eu conheço! Na real, ele é o segundo mais confortável que eu conheço. Lembra, ele é meu número 2! E pra quem quiser embarcar na minha viagem, tome ciência de que meu número 2 ainda engatinha enquanto meu número 1 já ensaia os primeiros passinhos, capsici? Ah, e eles não são nada, nadinha parecidos (apesar do talco rei). Acho por bem avisar. Vai que.

No mais, tenho cá comigo que a mãe que usa Nº 5 Eau Première (Chanel) tem uma filha que usa Eau Charlotte. A vibe aqui é quase a mesma, viu? Esses sim até que se remetem mais ou menos pra menos do que pra mais. E, opa, sou minha mãe e minha filha. Meu grau de parentesco comigo e entre mim varia. Sou louca e amo os dois! Ou melhor, os três (lembra, eu tenho meu número 1)!

PS: Alguém aí também se lembrou de A Menina e o Porquinho? Passava tanto na Sessão da Tarde dos anos 80. Esse desenho me marcou, viu? [spoiler alert] Gente, eu chorei muito quando a Charlotte morreu. Chorei, morri, ressuscitei e chorei de novo.

1989: o ano que não terminou


by Vanessíssima em ,

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Em 1989 eu tinha 9 anos de idade. Em 1989 caía o Muro de Berlin, Madonna lançava Like a Prayer, entrava em circulação no Brasil o cruzado novo e estreava no cinema Indiana Jones e a Última Cruzada. Em 1989 acontecia no Brasil a primeira eleição direta em 30 anos para presidente da república, a TV via surgir Os Simpsons e morria Salvador Dalí. Em 1989 George H. W. Bush tomava posse como o 41º presidente dos Estados Unidos, foi fundada no Tocantins a cidade de Palmas, a Globo passava Que Rei Sou Eu? e o jornalista brasileiro Zuenir Ventura lançava o livro 1968: O ano que não terminou. Em 1989 a Guerlain comemorava 100 anos de Jicky e apresentava o Samsara. E é aqui neste ponto que a gente desce. 

Falar sobre o Samsara é o mesmo que querer condensar muito num pouco. Eu tentei fazer isso aí em cima com 1989. Não deu muito certo. Acabou ficando muita coisa importante de fora. Mas como eu já fiz isso antes, vou tentar de novo, pois é pra isso que este blog serve.

A história do Samsara, contada pela marca, começa quando Jean-Paul Guerlain conhece uma amazona inglesa chamada Décia de Pauw, por quem ele se apaixona. E ele tinha um desejo: oferecer a essa mulher "um perfume que fosse capaz de revelar aquilo que ela tinha de mais íntimo, aquela sensualidade única". Como ela gostava de sândalo e jasmim, Jean-Paul seguiu por aí e fez o Samsara. Porém, tenho fortemente cá comigo que se ele fosse o Sidney Magal, ele teria feito O meu sangue ferve por você. Rá! 

Abre parênteses. Pra quem não sabe, o nome Samsara vem do sânscrito e abarca a roda da vida. Quem quiser se aprofundar nos conceitos do termo, sugiro começar por aqui. Fecha parênteses.

Pois bem, ao perfume! Samsara é um floral amadeirado de responsa. Portentosíssimo, elegantíssimo, sensualíssimo, perfumíssimo! Jasmim, ylang-ylang, sândalo, íris, fava tonka e baunilha fazem um link incrível com a historinha de amor repetida à exaustão pela Guerlain (e se existe alguma verdade naquilo nós nunca saberemos). O cheiro - que aqui me aparece bem encorpado - me fala de paixão, de intensidade, de sensualidade escancarada (tal qual Magal em O meu sangue ferve por você, néam? ok, chega de Magal!)

Enfim, sândalo doce and cremoso define. Muito sândalo! Bastante mesmo! Tenha isso em mente se quiser se jogar nesse perfume, viu? Ah, e o jasmim e o ylang-ylang também imperam. Consigo me inebriar também com a íris, que anda de mãos dadas com a baunilha, e me traz aquele talco adocicado ímpar que só a Guerlain sabe fazer. Agora imagina aí o Magal falando tudo isso e você vai ter uma noção do que é o Samsara. Tá, parei! 

Na real, tudo aquilo que eu escrevi no parágrafo anterior (desconsiderando o trecho do Magal, evidente) me diz que Samara é perfume de inverno e pede dedo leve no spray. Porque assim ele fica redondinho, quentinho, aconchegante, apaixonante, arrebatador, praticamente um casacão de veludo num dia frio!

No mais, não, ele não é datado, apesar de não se parecer nem com a sombra dos perfumes que são lançados no mercado hoje em dia. O fato é que Samsara é um clássico. E de sangue quente!

Mas, óh, atenção! A versão EDT é um pouco diferente da EDP, ok? No mais, tenho um frasco atual da primeira e uma fração vintage da segunda (acho bom avisar porque dizem que esse perfume foi reformulado). Pois bem, a saída da EDT engana; é arejada, relativamente leve, e você fica achando que o resto vai ser sem graça. Ledo engano. Logo ela bota as garrinhas de fora e mostra o que é ser Samsara. No mais, a versão EDP começa direto no coração da EDT. O resto fica igual na minha pele, tanto na formulação nova quanto na antiga (se é que alguma coisa foi alterada mesmo, além da embalagem).

Mais uma historinha pra terminar (a última! juro! e sem Magal! garanto!). Reza a lenda que quando Brian Jones, então guitarrista dos Rolling Stones, foi assistir a um show do Hendrix em Londres, em 1967, ele disse: "Isso não é guitarra, é outra coisa, muito mais louca e bonita". E, bom, quando eu conheci o Samsara, em 2014, pensei cá comigo, inspirada pelo Brian - e voltando mentalmente ao ano de 1989: isso não é perfume, é outra coisa, muito mais louca e bonita!

La Tentation


by Vanessíssima em , ,

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Eu preciso começar este texto dizendo que a cada flanker do Nina (Nina Ricci) que eu conheço, mais eu gosto da versão original. Um a um, cada filhote desse pai cata um pedaço do Ninão tradicional e bate na mesma tecla, deixando de lado a malemolência primeva, saca? 

Bão, como eu gosto de botar o nariz pra trabalhar, fui lá cafungar o tal La Tentation de Nina, mais um lançamento da safra floral frutado gourmand. 

Ah, e o pedaço que ele cata do Nina pai é o docismo avec azedismo, viu? Mas a coisa aparece transmutada aqui. Já te explico.

Diz Nina Ricci sobre ele:

O encontro inédito entre duas artes em um delírio delicioso. Olivier Cresp, mestre perfumista de Nina, e Vincent Lemains, chefe de criação da Ladurée, conjugam seus talentos em um jogo de espelho sensorial. Juntos, eles cedem à última tentação: compor uma fragrância como um macaron e um maracon como um perfume.

Pra quem não sabe, a Ladurée tem fama de produzir o melhor macaron do mundo em mais de 30 sabores, ok?

Voltando ao perfume, oficialmente, temos bergamota e toranja na saída, framboesa, amêndoa, limão e rosa búlgara no coração, e baunilha bourbon, almíscar branco e sândalo na base.

O resultado na minha pele é um macaron fúcsia de framboesa recheado com creme de bergamota. Ouso dizer que sinto muitíssimo bem até o toque da farinha de amêndoas do Vincent. #topchefbeijosmeliga

Enfim, taí um docim azedim do comecim ao fim. Doce de comer com o aparelho digestivo, saca? No mais, a coisa toda dá água na boca e tal, mas cansa. É como se entupir de maracon grátis: no começo você até gosta, mas depois enjoa. 

No fim das contas, temos aí mais um perfume doce para menininhas meigas que vivem no mundo encantado dos unicórnios, ou seja, nada a ver com a minha pessoa. Sim, tenho alma de véia, me deixa! F*cking unicorns, bitch!

Bão, talvez La Tentation com seu nome caphona by marca de lingerie que desfilava no programa da Hebe tenha chegado tarde na minha vida. Se eu tivesse ganhado um desses aos 10 anos de idade, ia usar só no Natal, e no resto do ano o bicho ia ficar trancado numa redoma de blindex só pra eu ficar admirando cheia de orgulho. Por essas e outras, penso cá comigo que as formiguinhas mirins o adorarão, tanto pelo frasco quanto pelo conteúdo.