O aromatizador de ambiente


by Vanessíssima em , , ,

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Aromatizador de ambiente é chique, né? E lindo, fala sério. Quem não gostaria de ganhar um? Eu! Pois é. Até realmente ter um em casa, eu queria com força. Aí arranjei um pra chamar de meu e me dei mal.


Acontece que eu e maridón somos duas pessoas enxaquecosas (não, os opostos não se atraem). Já fizemos tratamentos pra enxaqueca com supervisão médica e não deu lá muito certo. De modo que vamos levando como podemos. E eis que um dia apareci com um aromatizador de lavanda lindo e cheiroso cheio de varetinhas.

Acomodei o dito cujo na sala e passei a me sentir mais chique, mais pessoa limpa, mais moça que cuida da casa com louvor, sabe? Até maridón elogiou o aroma. Horas depois estávamos os dois com uma enxaqueca de lascar. E quem disse que a gente se deu conta de que a culpa era do meu novo bibelô? Tomamos nosso amigo remédio e fomos sonecar. No dia seguinte, mais dor. Muita dor. Mesmo! Especialmente nesta que vos escreve. E assim foi no terceiro dia também.

E não mais do que de repente maridón se lembrou de que o estrago podia estar em cima da estante da sala. Resolvi tirar o aromatizador de lá e (milagre) a dor foi embora! Ficamos os dois rindo como bobos. Rir pra não chorar, néam?

Mas por que eu tô contando esse episódio doméstico pra vocês? Porque eu cansei de ler por aí que aromatizadores de ambiente são ótimos presentes. E, gente, não são. Desculpa quem acha que são, mas tenho que legislar em causa própria e em prol dos colegas enxaquecosos. Perfumes (pessoais ou de ambiente) nunca são bons presentes, a não ser a pessoa presenteada tenha dado nome aos bois e escolhido uma fragrância bem específica, que ela sabe que não lhe cairá mal. Há enxaquecas e rinites que não toleram determinados cheiros (eu que o diga, pois convivo com esses dois tormentos). Há amizades que podem não sobreviver a presentes do tipo. Fica a dica.

Adendo

Essa história me lembra algo que acontece com freqüência por aí: uma amiga pergunta pra outra que perfume usar num primeiro encontro. E eis que a resposta se resume a alguma fragrância arrebatadora, pra impressionar o garoto, fragrância do tipo perfumão mesmo, como o Euphoria por exemplo.

E, gente, vamos combinar: deixa pra arrasar no cheiro mais adiante, nos próximos encontros, depois que você conhecer muito bem o bofe. Começa de leve, com algo suave, sutil, intimista, do tipo “nasci naturalmente cheirosa”. Pra impressionar, use sua inteligência, e não o seu perfume.

Se eu tivesse usado o Euphoria no meu primeiro encontro, provavelmente maridón não seria o maridón. Esse é o perfume que mais causa estrago nele. De modo que ele pegaria uma aversão danada à minha pessoa. Quer mais? Como se não bastasse, o Euphoria é o pior perfume que minha rinite já viu na vida! Uma colega de trabalho usava o dito cujo e o resultado em mim foi lindo: seis longos meses sem sentir o paladar e com o nariz em frangalhos. E ainda tive que ouvir do otorrino que talvez eu nunca mais me recuperasse, que podia ficar sem sentir o gosto das coisas pra todo o sempre. Sorte que isso não rolou. Agora imagina se o bofe da tal amiga do começo deste adendo é meu colega de nariz?

PS: No meu caso, eu já sabia que a lavanda não era minha amiga. Foi burrice mesmo. Na verdade, eu sempre espero que um milagre mude a situação e me faça tolerar determinadas fragrâncias. É, sou babacona mesmo. Ah, e eu adoro o Euphoria! Acho um perfume maravilhoso. Mas não posso nem sonhar em chegar perto dele. Com isso já me acostumei e não espero nenhum milagre.