Meu perfume-metade: Eau de Shalimar (Guerlain)


by Vanessíssima em , ,

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O meu é este, uma edição de 2009 fofamente enfeitadinha

Falei aqui tantas vezes que sou apaixonadérrima pelo Eau de Shalimar, mas nunca cheguei a fazer um post sobre ele, né? Pois bem, a hora dele chegou. Mas por onde começar? Bom, vamos viajar ao meu passado. E se prepara aí pra ler um post gigante e tosquinho.

Década de 80. Vanessa era daquelas crianças que não saíam da casa da nonna. E já naquela época a menina dava sinais de maluquice. Não raro, ela se enfiava sorrateiramente no quarto da avó italiana pra provar aquele mundaréu de batons, todos coloridamente apetitosos, guardados na gaveta da imensa penteadeira de mogno. O de vermelho deve ser de morango, pensava. E nhac, lá se iam um pedaço do batom e a certeza de que aquilo não tinha gosto de fruta nem aqui e nem na China. Os dentes manchados de vermelho transparecendo num sorrisinho amarelo não deixavam dúvidas de que o “não fiz nada, nonna” não passava de um embuste.

Vanessa se acabava naquela penteadeira fenomenal cheia de batons, imagens de santos, pó de arroz e perfumes. Entre tudo aquilo, havia uma fragrância encantadoramente hipnotizante para uma menina de 6 ou 7 anos. Talco com um fundo de baunilha. Marcante, forte, avassaladora e, ainda assim, confortável. A menina maluca entrava lá escondidinha, catava o vidro e cafungava. Era rotina. Coisa de criança.

Vanessa cresceu e ficou com aquele cheiro na cabeça e no nariz por anos e anos sem saber qual perfume era o tal (aquele gosto dos batons também ficou, credo). Quando se tem 6 ou 7 anos, você não dá a mínima para nomes de perfumes. Bom, Vanessa não dava. O que importava para ela era o cheiro e ponto.

De modos que, depois de velha, de ter visto a avó italiana partir e de ter virado perfumólatra e contar com uma pequena grande coleção de aromas, Vanessa encasquetou um belo dia que precisava ter o Eau de Shalimar mesmo sem conhecê-lo. Ela sabia que precisava tê-lo. A intuição bateu forte e berrou “cata ele porque você vai gostar”. E, bom, ela não catou. Mas ficava na vontade. Até sonhava com o Eau, mas o foco estava na wishlist e o Eau não fazia parte dela. Até que um dia surgiu a oportunidade de catar o dito cujo por um precinho mara num desapego. “Vou comprar logo isso porque eu não agüento mais sonhar com esse perfume! Tá virando um pesadelo já!”, disse para si mesma. E, bom, ela catou.

Ao borrifar o dito cujo, Vanessa ficou estática, o olho arregalou, o coração disparou e chegou um arrepio que avisava em luzes de neon “esse cheiro me é familiar”. E foi então que a maluca crescida se lembrou do perfume que tantas vezes cafungou na surdina. Mas tinha alguma coisa diferente nele. O perfume da neta era mais cítrico na saída. O limão chegava chegando e depois dava lugar a um cheirinho de cabeça de bebê rico. Talquinho suave com baunilha, sem perder o frescor. Fixação absurda. O da nonna era mais abafado, mais forte, mais pungente, mais atalcado, mas ainda assim filho do mesmo pai (ou neto do mesmo avô) e maravilhoso. Bingo! Vanessa descobrira o perfume da penteadeira fenomenal: Shalimar! A menina também encontrara seu perfume-metade: Eau de Shalimar. Dois coelhos com uma borrifada só!

Ufa, postão, néam? Mas é isso. Tenho pra mim que o Eau de Shalimar é um netinho do Shalimar, e foi feito paras as netas das adeptas do Shalimar. A prova? Shalimar data de 1925, ao passo que o Eau é de 2008. Vanessa é maluca, néam?

Mais sobre o Eau de Shalimar aqui.