Archive for Maio 2013

Cheiro de quê?


by Vanessíssima em ,

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Quisera eu um dia encontrar perfume com cheiro de:

Madeira queimando
Matte Leão quentinho e adoçado
WD-40
Churros de doce de leite
Limpador e polidor de guitarra Fender
Suco de laranja concentrado em lata
Revista de moda
Panetone 

Não me pergunte os porquês. Eu apenas quero. E agradeço sugestões de fragrâncias que se encaixem nos meus devaneios, ok?

E você, de quais cheiros precisa pra ser feliz? Diz aí: perfume de quê?

Crocodilo para mulheres


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Aqui no blog estamos no mês do crocodilo. Bora falar de mais um Lacoste? Já versei aqui sobre o Inspiration e agora é a vez do Lacoste Pour Femme (que eu cobicei aqui).

Pois bem, repetir as notas do Pour Femme é de graça, então vamos lá: pimenta, frésia e maçã na saída; violeta, hibisco, jasmim, heliotrópio e rosa no coração; láudano, sândalo, incenso, cedro e camurça na base.

A saída dele é um espetáculo! Tem flor confortável, tem fruta adulta, tem um pouco de pimenta e uma cremosidade velada que me faz sorrir. Pena que isso tudo dura pouco. O coração é aquele floral bem porto seguro, correto e agradabilíssimo. A base, belíssima (superlativo rulez!), traz madeira aveludada e um incenso quase transparente (ok, inventei isso. me deixa!).

Se você me lê, sabe que eu tenho um probleminha com a violeta. Se você não me lê, fique sabendo então dessa minha peleja com a florzinha aí. Acontece que a violetinha do Pour Femme é tão inha que eu nem me lembro que ela tá lá. Rá!

Preciso dizer que tô amando esse perfume, povo! Infiel que sou, amo tantos, neám? É a vida. Enfim, o único problema desse dito cujo é a falta de projeção (opa, praticamente zero). Pra sentir essa belezura, é preciso cafungar pelo famoso método “socando a narina na epiderme”, saca? 

Floral amadeirado almiscarado, esse perfume é fácil de agradar (desde que a pessoa em questão não ligue pra essa coisa toda de rastro) e é uma boa companhia no trabalho, independente da temperatura do dia. Confortável and urbano, ele transmite bem a idéia da mulher Lacoste ideal: “moderna, sofisticada e elegante”. 

Sutil dos sutis, Lacoste Pour Femme é o alinhado do tipo “visto minha camisa pólo e jogo tênis aos domingos” (oi, sou caipira! me deixa!). Esse perfume não precisa sair berrando “sou chique”, saca? Ele apenas é. Simples assim.

O fato é que, quando uso esse perfume, me sinto uma persona bege. Sabe aquela cuja sala é toda trabalha no elegante bege e suas variações? E que, no guarda-roupa, bege e branco predominam? E que tem as madeixas loiras combinando? Então, é por aí. Ainda que eu não ostente tal way of life, gosto de brincar disso às vezes. Taí uma das graças da perfumaria: poder ser quem eu quiser só mudando meu cheiro. 

No mais, não custa reforçar: Lacoste entende que pessoas chiques não exalam! [abrem-se as aspas hipotéticas] Pessoas chiques seguem a vibe cheiro à flor da pele. [fecham-se as aspas hipotéticas]

Tô cheirosa, tô phyna, tô bege, tô Lacoste.

Desejo do dia: Vanilla Coconut (Lavanila)


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Tiaré, sândalo, heliotropo, coco e baunilha. Tá bão pra você? 

Noa, o EDP


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Sabia que existe uma versão EDP do Noa (Cacharel)? Pois é, existe. Bão, quer dizer, existiu (ela foi descontinuada). Pouco conhecida and comentada, ela também é chamada de Noa L´Eau de Parfum (apesar de a caixa trazer a inscrição Eau de Parfum). 

Dito floral oriental (pra se ter uma idéia, o original – EDT –, é classificado como floral amadeirado almiscarado), ele traz ameixa, frésia e pêssego na saída, peônia, sândalo, musgo de carvalho e rosa no coração e íris, sândalo, patchouli, cedro e almíscar branco na base.

Batendo o olho nas notas, saca-se que o bichim tem presença, néam? Borrifando, tem-se a certeza. Noa EDP é a criatura revoltada da família. Ela é rebelde, extrovertida, bem diferente da irmãzinha EDT, toda suave e delicadinha. Pra mim, Noa EDP é o Noa EDT com TPM.

A saída é frutada e um pouco temperada. De onde vem o tempero? Fica a pergunta para o meu amigo Sherlock Holmes. O coração é um tanto quanto musgo de carvalho, com aquele cheiro soturno/agressivo/très machão, que me remete a uma conífera plantada no meio mar (oi, soy doida!). Particularmente, não curto essa nota, mas aqui ela não é problema, já que aparece bem suavizada ao lado da rosa. A base, bem, a base é a base. Sorry, o musgão me aturdiu e perdi o centro. Ok, falando sério, a base tem lá seu amadeiradinho maroto. Enfim, no grand finale da evolução sinto sutilmente algo do Noa original, do qual sou imensa fã.

Na real, Noa EDP não fez o meu nariz. Perfume ruim? Não, nada disso. Nenhum perfume é ruim. Tudo depende de quem cheira. Só sei que, apesar de ter curtido a experiência olfativa enquanto experiência (ui), Noa EDP não é comigo (temperos e musgo me são problema).

No mais, não deixe de bizoiar a resenha que a super Helen fez sobre esse perfume. Aliás, foi ela quem me apresentou ao dito cujo. Thanks, Helen!

Cheiro da vez: pólvora


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Pólvora, sim senhoures! Mas hein? Opa, como não? Caso vosmecê sinta necessidade, é possível sair por aí cheirando marotamente à pólvora. Também conhecida como pólvora negra, a coisa toda aí é um mix faceiro de enxofre, carvão vegetal e nitrato de potássio (vulgo salitre). E, sim, fizeram perfumes com isso. Quais?





Amazingreen (Comme des Garçons)
Ele é verde aromático, ele é unissex e ele tem pólvora! Ele tem também folha de palmeira, pimentão verde, notas verdes, notas aquáticas, hera, coentro, raiz de lírio, vetiver, incenso e almíscar branco, mas isso tudo é só um detalhe.







Det. Patrick Gleason (Black Phoenix Alchemy Lab)
Mais um unissex (meninas e meninos, explodi-vos!). Além da pólvora, ele traz couro, notas cítricas e samambaia. Frasquinho de 5 ml e não se fala mais nisso. Ah, ele é um óleo, ok? Pólvora em óleo.









Love (MCMC Fragrances)
Pólvora para mulheres de fino trato. Frutal aromático, ele vem também com yuzu, manjericão, magnólia e madeiras. Pólvora chique.






Dica do dia: Faça sua pólvora em casa misturando 2 partes de enxofre, 3 partes de carvão vegetal e 15 partes de salitre. Voilà! Bum!


Você conhece mais alguma pólvora cheirosa? Diz aí!

Blá blá e blá


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Eu gosto quando o perfume vai além, quando ele não é só cheiro, mas sim uma experiência olfativa. Tenho mente e nariz abertos, esperando um arrebatamento. Só isso e nada mais.

Sim, porque pra mim perfume é trilha olfativa pessoal (como a trilha sonora de um filme, saca?). Não ligo se a coisa é popular, se é comercial demais, se é barata (ou menos cara), se tem fixação pífia, nada disso. Se a experiência olfativa me agrada, tô dentro!

Também não sou baba-ovo de nicho. Tenho pra mim que muitos do “gênero” são supervalorizados (em todos os aspectos) e caem nas graças do “povo” só porque são nicho, entende? Pra mim, nicho ou não pouco importa, não tem diferença. Meu nariz não sabe quando o perfume é de nicho, só meu cérebro. E quem cafunga é meu nariz, néam?

Enfim, dane-se quem pariu. Guerlain? Britney Spears? Prada? J. Lo? Annick Goutal? Antonio Banderas? Eu quero é ser feliz e cheirosa!

Por que eu tô nesse blá blá blá todo aqui? Sei lá. Deve ser porque ando desgostosa com os rumos da perfumaria atual. Tá difícil algo novo me arrebatar hoje, viu? Quanto mais despejam perfumes no mercado, mais eu corro atrás de coisa “antiga” (lê-se: genuinamente arrebatadora), não por acaso descontinuada (e punk de encontrar, quiçá de receber). Tanta coisa bacana dando adeus. Tanto mais do mesmo sendo lançado. 

E fica aquela coisa meio Paradoxo de Tostines: será que as empresas têm botado na roda perfumes bobinhos porque as pessoas têm preferido assim ou as pessoas têm preferido assim porque as empresas só lançam os bobinhos? Queria saber onde tá o elo perdido, quando e por que isso começou, entende?

Pensando bem, sabe qual é o meu mal? Encarar perfume como experiência olfativa. Por que eu não sou normal como boa parte do mundo, que se perfuma apenas para ficar cheirosinha? Eu sofreria bem menos, viu? Ai, ai, essa vida de perfumólatra não é fácil não.

Fancyando até o chão


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Fancy (Jessica Simpson) é do balacobaco, escalafobético e etc e tal. Perfume feito para as corajosas, pra quem não tem medo de exalar açúcar pelos poros. E bota exalar nisso, viu? O carinha aí é super power (em todos os aspectos, todos meeesmo!).

Oriental trabalhado na pêra, no damasco e nas frutas vermelhas (na saída), na gardênia, no jasmim, na amêndoa e no caramelo (no coração), no sândalo, na baunilha e no âmbar (na base), o dito cujo é adultoso, apesar da doçura extrema. Diria que ele é ótimo para adultescentes (na minha interpretação se lê: gente adulta com espírito jovem).

Azedismo e caramelismo andam de mãozinhas dadas nele. Tem fruta azedinha, fruta caramelada, flor cremosa, sexy-sândalo (me deixa!) e baunilha marota. Explosivo, requer temperaturas baixas e vontade de ser feliz. Sim, porque taí um perfume que me deixa com muita alegria. Ele é bem alto-astral, saca? 

Mais sobre ele aqui.

A inspiração do crocodilo


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Não creio que ainda não botei aqui na roda meu querido Inspiration (Lacoste). Tô doida ou o quê? Ok, não precisa responder. O lance é que eu adoro esse bichinho, viu? Crocodilo inspirado esse. Cheiro máximo de roupa limpa recém-saída da lavadora (ai, a lavadora, uma das melhores invenções do homem, pois sim). 

Sabe aquele fundinho divino de amaciante que fica nas roupitchas úmidas quando elas estão todas lá, secando no varal, balançando feito boneco de posto? Varal de comercial de sabão em pó, com direito à roupa bem branquinha estendida, tudo bem relaxante, saca? Coisa linda de se ver! Taí o Inspiração! 

Na boa, ele devia ser é branco, e não azul. Se bem que eu olho pra esse perfume e vejo o céu azulzim pairando sobre as roupas no varal. Rá!

Na saída, Inspiration traz ameixa, romã, tangerina e pimenta rosa. O coração vem com tuberosa, jasmim e lírio-do-vale. Na base temos íris, sândalo, almíscar e baunilha.

Ele abre adocicadamente frutal, se torna floral cremosinho e fecha com um amadeiradinho bem leve com um toque bem tímido de baunilha. E tem um tico de talco fazendo a brisa desde sempre, viu? Mas, óh, não é muito fácil perceber a evolução do crocodilo, capisci? Aliás, esse perfume é tão equilibrado, que mal distinguimos as notinhas todas dele. Então ficamos assim: Inspiration tem cheiro de roupa branca secando no varal, e não se fala mais nisso.

Casual, delicado and confortável, tenho cá comigo que ele vai melhor em temperaturas amenas (no calor ele fica deveras over na minha pele).

É isso.

Narizes falantes


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Eu ando meio obsessiva esses dias. Tô lendo entrevistas com narizes famosos. Achei que valia um post. Vai que você também tá na mesma vibe, né? Segue uma relação com o melhor material que encontrei (tudo em português):

Entrevista com o crítico Chandler Burr no blog Moda, do Estadão

Entrevistas incríveis feitas pela Cris Rosa Negra, cujo blog me faz uma falta tremenda

Bate-papo com a perfumista Anne Flipo no site MdeMulher

Um punhado de entrevistas ótimas com narizes especiais feitas pela Simone do + Q Perfume

Se você tiver mais dica/link, é favor botar na roda. Grata.

Island Hop, Snorks e afins


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Alguém aqui via Snorks? Se você não sabe do que eu tô falando, então você não via. Rá! Bão, junto com Nick & Neck, ele era meu desenho favorito quando criança (oi, anos 80!). Também não conhece Nick & Neck? Ok, não te culpo. Eu era uma criança underground mesmo. Talvez eu precise de um pouco de terapia ou de uma camisa de força, mas o fato é que Island Hop (Gap) me lembra os Snorks e aquelas musiquinhas tocadas na marimba, cara. Sabe aquele climão praiano hula-hula lá do Pacífico? É por aí.

Island Hop vinha (é, ele foi descontinuado) num frascão de 250 emiéles, é mole? Floral gustativo, ele tem água de coco, purê de abacaxi, pétalas de hibiscos e âmbar branco.

Confesso que quando o bichão aportou em casa eu meio que torci o nariz pra ele. Senti cheiro de abacaxi passado e quase revirei os olhinhos. Passei a borrifar o dito cujo no ar, nas cortinas, na roupa de cama, nas toalhas, tudo pra não desperdiçar a compra. Dias depois, lá fui eu insistir um pouco na pele: preparei (remexi o frasco), apontei e borrifei. E me apaixonei! Agora sim o angu desempelotou, meu povo!

Piña colada suave define, saca? Bruma de abacaxi docinho com coco, tudo bem delicado, dia-a-dia, na vibe Eau de Supermercado (ou Eau de Padaria, se preferir). O colega aí virou meu companheirão pras saídas rápidas (porém necessárias), não merecedoras de Guerlains, Chloés, Diors e afins.

E a garrafona vai durar uma vida. Acho que consigo ir ao supermercado com ele durante várias e várias encarnações, num loop demoníaco infinito (odeio supermercado, gente!).

Uma pena que o Island Hop deixou a linha de produção. O custo-benefício dele era supimpa, viu?

A versão L´Eau do Shalimar Initial


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Pra entender como é o Shalimar Parfum Initial L´Eau (Guerlain), você precisa ler antes este post aqui sobre o Shalimar Parfum Initial (vulgo SPI). Vai lá ler que eu te espero.

Ok, leu? Bão, agora tenho a dizer duas coisas: 1. nesse meio tempo, SPI abandonou o posto de perfume-metade e tudo voltou como dantes no quartel d´Abrantes (tá, isso não vem ao caso, mas eu tinha que falar se não o nariz cai); 2. a versão L´Eau é mais cítrica e leve em comparação com o SPI original, de resto quase nada muda.

A saída do L´Eau vem com neroli, bergamota, grapefruit e laranja. O coração traz íris, jasmim, jacinto, frésia, rosa e lírio-do-vale. A base tem baunilha e tonka.

Botando na ponta do lápis, não tem neroli e grapefruit no SPI. Ele (o SPI original) também não conta com jacinto e lírio, mas temos nele (no SPI original) pitadas de patchouli, almíscar e caramelo. O resto é igual.

De nariz pra nariz, tenho pra mim que Thierry Wasser seguiu o conceito L´Eau ao pé da letra quando criou essa versão. Temos aqui um quê suavizado, mais diluído, mais fresco e, sim, mais comercial. Lá se foram as facetas doce, quente e moderna-vintage (oi?) do SPI original. Ainda temos talco e guerlinade no L´Eau, só que de forma mais tímida.

L´Eau abre bem mais cítrico, segue para um floral comportado (que aqui perde o toque almiscarado e o ardidinho do patchouli presentes no SPI) e termina num leve docinho comedido. O talco aparece do meio pro fim (no SPI, sinto o talco dando oi desde o início).

Por essas e outras, L´Eau é um perfume mais fácil de agradar, tem um apelo mais jovial, é gostosinho e tal, mas o SPI original tem mais pegada, me diz mais coisa, tem um papo mais bacana, me olha nos olhos e tal. 

Sinceramente? O mundo não precisava do Shalimar Parfum Initial L´Eau. E olha que sou Guerlain (com ascendente em Chloé e lua em Dior), hein? Na boa, nem sei se o SPI – que tem apenas dois aninhos de idade – precisava dos três flankers que já lhe cabem, viu?