Archive for Novembro 2013

Coveteando


by Vanessíssima em ,

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Minha pessoa vê e sente o Covet (Sarah Jessica Parker) como a surpresa do ano. Tudo bem que esse perfume foi lançado em 2007, mas foi só em 2013 que botei as mãos e o nariz nele (tarde demais, infelizmente). Demorei pra me render aos elogios que lia sobre o dito cujo porque, admito, há anos traumatizei com outro perfume da moça (a saber: Lovely). 

Enfim, arrematei um Covet no escuro, num passeio no ebay. E me achei o máximo por sentir nele tudo, absolutamente tudo, o que tinha lido antes. Eu já sabia exatamente o que ia encontrar naquela garrafinha "cartucho de gás pra fogareiro chique só que não" feelings. Sabe quando você imagina como um perfume é e constata que ele é super aquilo mesmo? 


Pois bem, Covet é vendido como floral amadeirado almiscarado. E é isso que ele é, só que na superfície. Mergulhando fundo, temos nele um floral verde ímpar. E tem mais: ele não se assume fresco, mas cabe em dias quentes; ele não se assume quente, mas cabe em dias frios.  


Ele não invade as outras galáxias, mas também não passa despercebido. Confortável com louvor, entende?


Na saída temos lavanda, folhas de gerânio, chocolate amargo e limão siciliano. No coração coexistem madressilva, magnólia e lírio-do-vale. Na base há âmbar, almíscar, madeira de cashmere, vetiver e madeira de teca. 


Opa, sim, você leu "chocolate". Como lidar? Simples: considerando que, apesar dessa nota, Covet não tem nada de gourmand. Isso porque o choco amigo aí é escuro, amarguinho e tá bem misturado com o limão e a lavanda. Aliás, pouquíssimas vezes esbarrei numa lavanda tão bem utilizada, viu? E é ela o que eu mais consigo notar na minha pele. Depois, na ordem, limão, chocolate, almíscar e madeira. Sinto chá e folhas maceradas também, apesar do primeiro não existir (soy muy loca, bebê!).


Muita gente acha Covet "esquisito". Eu não. Mas, como sou do time que adora uma esquisitice, não sou parâmetro. Na real, acho que o estranhamento tá mais no fato de Covet não ser exatamente o tipo de fragrância comercial. 


Só sei que Covet foge do lugar-comum e nem parece perfume de celebridade (prontofalei). Não o vejo como mais uma fragrância caça-níquel, sabe? Dona Sarah se esmerou pra entregar um perfume interessante, ainda que o objetivo final da coisa toda tenha sido ganhar uns caraminguás. Mas algo me diz que a coisa deu errado, viu? Povo não deve ter curtido e/ou entendido a viagem. Vide o seguinte fato lastimável: Covet foi descontinuado. É, já percebi que perfume com toque verdinho costuma causar certo enrugamento de testa na torcida (pena!).


No mais, Covet não sai caro, ainda mais considerando aquilo que ele nos oferece (além do fato de ter sido descontinuado). Abrindo mão de alguns poucos cruzeiros você pode ser bem feliz, sabia? Mas, óh, só garimpando fora. Como o bonitão do frasco duvidoso parou de ser fabricado, não há mais cá no Bananão. Alguém também acha que aquela tampa caphona tem cara de registro de banheiro? (prontofalei nº. 2)

Água de almíscar


by Vanessíssima em ,

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Ganhei a colônia Acqua Musk (O Boticário). Tá, agora pára de rir! Eu devia ficar feliz, né? Mas sou ingrata, malagradicida e tal. Pois bem, a estréia da dita cuja foi num fim de tarde qualquer num barzinho qualquer. Entre bons petiscos, bons papos e bons drink bons goles de Heineken, aquele cheiro me foi subindo, subindo e subindo. E me enchendo o saco. Uma cervejinha pra quem acertar o motivo do estorvo. Quem disse "violeta" ganhou uma long neck (long neck porque eu não tô rycah, tá?).

Acqua Musk tem na saída: bergamota, menta, musk (o almíscar, viu, gente?), maçã, folhas verdes e íris. Violeta (ela! socorro!), madeiras nobres e peônia estão no coração. Na base, musk de novo, osmanthus, baunilha e madeiras.

Desnecessário dizer que o trem tem bastante almíscar, néam? Não vi bergamota, não vi menta (que pena!), nem maçã, nem nada. Encontrei, além do almíscar, muita violeta (medo!), um pouco de íris (e viva o talco!) e um tico de madeira. E, de novo, aquele cheiro de maquiagem velha. Já disse e repito: pra mim, é a violeta do Boti que confere esse arominha incomodativo. Porém, todavia, entretanto, quem não liga pra nada disso pode encontrar no Acqua Musk uma sincera colônia pós-banho. Colônia, viu? Não espere nada além.

Quem curte almíscar, violeta, um toque de talco e a vibe banho-Boti convém conhecer Acqua Musk. O perfuminho tá na roda faz tempo, mas confesso que só botei reparo nele porque fui agraciada com um frasco. Quer parar de rir, hein? Pra ser sincera, há muito que não boto reparo na perfumaria boticariana. 

Rosa para rainhas consortes


by Vanessíssima em ,

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Falei rapidinho aqui sobre o Rose 4 Reines (L´Occitane), mas acontece que é necessário alongar o papo acerca de, afinal tenho bebido muito esse perfume nos últimos meses.

Quando não sei o que usar, vou nele. Quando a cabeça dói, vou nele. Quando quero algo delicado, vou nele. Quando tá frio, vou nele. Quando tá calor, vou nele. Quando quero rosas de montão, bão, você já sabe.

Composto por óleos essenciais de rosas de Grasse, búlgara, marroquina e turca, o bonito traz ainda toques de sândalo e almíscar. E é o que temos. 

Extra-oficialmente, se diz que Rose 4 Reines tem também violeta, cassis, groselha e bergamota na saída, além de cedro, heliotrópio e noz-moscada na base. 

Eu estaria mentindo se dissesse que não sinto o cassis e a groselha. Sinto bem, e isso torna a fragrância ainda mais rica e quase suculenta nos primeiros minutos. Noto de leve o frescor da bergamota e o aconchego do cedro. Não percebo a violeta (ufa!), nem o heliotrópio e muito menos a noz-moscada. Mas garanto que nenhuma dessas notas apaga as rosas. A rainha das flores é a diva da coisa toda.

Super floral, Rose 4 Reines consegue ser fresco, orvalhado, orgânico, limpo e suave, e tem um toquinho aveludado marotíssimo. Tem lá um docinho não sobremesístico que dá sabor ao todo. E tem cheirinho de caule junto. Há quem sinta sabonete de rosa, hidratante de rosa e até uma certa sujidade. Eu não. Eu percebo um toque de mel conforme o perfumino aquece a pele. Amável que só, Rose 4 Reines é um roupão de fleece, é quase um colinho de mãe.

Um tempo atrás enxerguei uma pitadinha retrô nele (que não tinha a ver só com o frasco). Hoje percebo que precisava de óculos. Rose 4 Reines é atemporal. 

Uma curiosidade: esse perfume foi inspirado nas quatro rosas preferidas das filhas de Raimon Bérenger V, conde de Provença, na França. Reza a lenda que as jovens Marguerite, Eléonore, Sancie e Béatrice, que viveram no século XIII, se casaram com reis e se tornaram as quatro rainhas de Provença, comandando os quatro reinos europeus mais cobiçados da época (França, Inglaterra, Cornualha e Sicília). Daí o nome do perfume: (traduzindo) Rosa 4 Rainhas

Pra mim, esse perfume tá mais pra princesa do que pra rainha, mas tudo bem. Talvez tenha algo de rainha consorte nele, o que até bate com os conceitos (pra quem não sabe, rainha consorte é "apenas" a esposa do rei, e ela não exerce poder de Estado, só detém um título de cortesia, ao contrário da rainha reinante). Não vejo em Rose 4 Reines uma monarca que exerce os poderes de um governante, entende? Esse perfume é delicado demais pra isso.

No mais, eu percebo na palavra Reines/Rainhas uma clara referencia à rainha das flores também, mas aí já é viagem minha (ou não).