Coveteando


by Vanessíssima em ,

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Minha pessoa vê e sente o Covet (Sarah Jessica Parker) como a surpresa do ano. Tudo bem que esse perfume foi lançado em 2007, mas foi só em 2013 que botei as mãos e o nariz nele (tarde demais, infelizmente). Demorei pra me render aos elogios que lia sobre o dito cujo porque, admito, há anos traumatizei com outro perfume da moça (a saber: Lovely). 

Enfim, arrematei um Covet no escuro, num passeio no ebay. E me achei o máximo por sentir nele tudo, absolutamente tudo, o que tinha lido antes. Eu já sabia exatamente o que ia encontrar naquela garrafinha "cartucho de gás pra fogareiro chique só que não" feelings. Sabe quando você imagina como um perfume é e constata que ele é super aquilo mesmo? 


Pois bem, Covet é vendido como floral amadeirado almiscarado. E é isso que ele é, só que na superfície. Mergulhando fundo, temos nele um floral verde ímpar. E tem mais: ele não se assume fresco, mas cabe em dias quentes; ele não se assume quente, mas cabe em dias frios.  


Ele não invade as outras galáxias, mas também não passa despercebido. Confortável com louvor, entende?


Na saída temos lavanda, folhas de gerânio, chocolate amargo e limão siciliano. No coração coexistem madressilva, magnólia e lírio-do-vale. Na base há âmbar, almíscar, madeira de cashmere, vetiver e madeira de teca. 


Opa, sim, você leu "chocolate". Como lidar? Simples: considerando que, apesar dessa nota, Covet não tem nada de gourmand. Isso porque o choco amigo aí é escuro, amarguinho e tá bem misturado com o limão e a lavanda. Aliás, pouquíssimas vezes esbarrei numa lavanda tão bem utilizada, viu? E é ela o que eu mais consigo notar na minha pele. Depois, na ordem, limão, chocolate, almíscar e madeira. Sinto chá e folhas maceradas também, apesar do primeiro não existir (soy muy loca, bebê!).


Muita gente acha Covet "esquisito". Eu não. Mas, como sou do time que adora uma esquisitice, não sou parâmetro. Na real, acho que o estranhamento tá mais no fato de Covet não ser exatamente o tipo de fragrância comercial. 


Só sei que Covet foge do lugar-comum e nem parece perfume de celebridade (prontofalei). Não o vejo como mais uma fragrância caça-níquel, sabe? Dona Sarah se esmerou pra entregar um perfume interessante, ainda que o objetivo final da coisa toda tenha sido ganhar uns caraminguás. Mas algo me diz que a coisa deu errado, viu? Povo não deve ter curtido e/ou entendido a viagem. Vide o seguinte fato lastimável: Covet foi descontinuado. É, já percebi que perfume com toque verdinho costuma causar certo enrugamento de testa na torcida (pena!).


No mais, Covet não sai caro, ainda mais considerando aquilo que ele nos oferece (além do fato de ter sido descontinuado). Abrindo mão de alguns poucos cruzeiros você pode ser bem feliz, sabia? Mas, óh, só garimpando fora. Como o bonitão do frasco duvidoso parou de ser fabricado, não há mais cá no Bananão. Alguém também acha que aquela tampa caphona tem cara de registro de banheiro? (prontofalei nº. 2)