Archive for Dezembro 2013

Os cheiros de 2013


by Vanessíssima em , ,

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Ano acabando e é chegada a hora daquele balanço maroto que a gente costuma fazer mentalmente. A diferença é que o meu é escrito, versa sobre cheiros e tá aqui pra todo mundo ver. Rá! Pega uma cadeira e vem comigo!

O maior encantamento
Un Jardin en Méditerranée (Hermès): pra quem odiava figo não é nada são ter um exemplar desse dentro do top 5.

A maior decepção
Jour d´Hermès (Hermès): porque eu não gosto de quem não gosta de mim.

O mais borrifado
Noa (Cacharel): conforto puro e limpo. No mais, quando eu não sabia o que usar, ia nele.

O melhor custo-benefício
Eau des Missions (Le Couvent des Minimes): uma das baunilhas mais sinceras que já senti.

O mais surpreendente 
Joop! Le Bain (Joop!): parece bem mais caro do que custa.

O mais esquecido
Hypnotic Poison (Dior): porque é proibido usar a (minha) versão vintage cá no sertão paulista. 

O mais desejado
Summer by Kenzo (Kenzo): figurinha descontinuada and impossível de achar. E lá vou eu pra 2014 ainda desejando o dito cujo. Resenha dele em breve.

E agora me conta aí sobre a sua lista. Quais foram os cheiros do seu 2013?

1, 2, 3, 4, 5, 19


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Depois do 5 vem o quê? 19, claro! Bora tagarelar sobre o N° 19 (Chanel)? Importante salientar: a prosa aqui é sobre a versão EDT, ok?

Floral verde amadeirado, Dezenove é o supra-sumo da fofura. Sim, aqui estou eu juntando “fofura” e “Chanel” na mesma frase de novo. Mas, óh, esse aqui é bem mais fófis que o N° 5 Eau Première, viu? Bem mais. N° 19 é fofo and carinhoso. O outro é só fofo. Rá!

Na saída temos gálbano, jacinto, neroli e bergamota. Lá no coração tem íris, raiz de orris, jasmim, ylang ylang, lírio-do-vale, rosa e narciso. O fundo vem com couro, sândalo, almíscar, musgo de carvalho, vetiver e cedro.

A íris dá o tom. E isso quer dizer que o talquinho se faz super presente. Talco confortável, maciozinho, verdinho, mimoso, quase baby. Coisa linda pra usar em dias quentes. Sim, é um talco pra dias quentes. Mas também faz bonito no friozinho.

19 é bem pouco terroso e guarda um amadeiradinho leve no fundo. A sensação é única e o resultado final me remete a papel de carta caro (oi, infância!).

Ele não chega antes de você no ambiente e é fácil de usar. Pura harmonia, ele dá um toque de frescor à vida e convida ao relaxamento. Agrada em cheio quem curte perfumes verdes and atalcadinhos pimpões.

Fresco e cheio de silêncios, Dezenove tem cheiro de amanhecer. É meu jardim interior, pra onde vou quando quero ligar o foda-se me esquecer do mundo e relaxar. 

Nascido em 1970, viu? E nem parece. Quarentão com carinha de quinze. Um clássico não datado, saca?

Elegante, relaxante, harmonioso, fresco, verde e atalcado? Opa, me vê um litro!

Adendo: Leitoras lindas me lembraram que o 19 tem a mesma vibe da versão EDP do Infusion D´Iris (Prada). Opa, e como tem! São perfumes parecidos, viu? A diferença, além do preço, é que o Chanel é mais verdinho. Pessoa gulosa que sou, acho negócio ter os dois (mas essa sou eu, aloka do talquinho).

Chanel Nº 5 ½CH


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Bora dar um ctrl+c e ctrl+v do site da Chanel? E temos o que se segue:

Eau de Parfum, Eau de Toilette e, agora, Eau Première. Uma versão definitivamente mais leve, mais fresca e mais suave do N° 5.

Jacques Polge, o criador dos perfumes Chanel, desenvolve Eau Première. A lenda é mantida, trazendo uma harmonia que revela um aspecto suave e delicado do perfume mais conhecido do mundo.

Mais do que isso sobre o Nº 5 Eau Première é chover no molhado. Todavia, sou pessoa redundante e chover no molhado é cá comigo! Então te prepara aí porque eu quero dar a minha visão do Eau Première! Pois é, agora agüenta! 

E posso falar? Chanel Nº 5 Eau Première é pura fofura! Néam? Aposto que pouca (ou nenhuma) gente bota "Chanel" e "fofura" na mesma frase, mas eu boto e durmo bem à noite, obrigada.

Floral aldeído mansinho, ele tem neroli, ylang-ylang e aldeídos na saída, jasmim e rosa no coração, e vetiver, sândalo e baunilha na base.

Esquece a opulência do genitor, ok? Dilui aquilo tudo até chegar à menor potência do método homeopático e, bazinga, você terá o Eau Première - ou, se preferir, Chanel Nº 5 ½CH.

E, olha, pra gostar do Eau Première você nem precisa curtir o badaladão Number Five (apesar da alma dele se fazer presente), viu? Vai por mim. No mais, quem é fã do Infusion D´Iris (Prada) e do First Love (Van Cleef & Arpels) vai se encontrar no Eau (o ritmo é o mesmo - antevejo dancinha da alegria, uhu!).

Só sei que enfiei meu braço lindamente perfumado no nariz do marido pra colher uma opinião idônea (ele não tá nem aí pra coisa) e eis que ouço: "Chanel? Nº 5? Tem certeza? Tão bobinho ele!". Diante do muxoxo indireto, agradeci o espírito de porco cooperativo e devolvi: "ok, sua opinião não é muito importante para nós". Rá!

Moderno (Eau Première nasceu em 2007, portanto, 86 anos depois do badaladão), ele é quase um quadro impressionista calcado na paisagem proporcionada pelo Nº 5, saca? Leve, discreto and muito chique, temos aí um clássico revisitado pra todas as horas, todos os dias e todos os planetas (cujas superfícies sejam feitas de talco, ok?). A vibe atalcada tá lá (lindíssima ela, por sinal).

Eau Première tem a maciez das flores brancas, o aconchego da madeira e a doçura quentinha e cremosa da baunilha. Mas ele não é douradão e "abafado" como o Nº 5. Ele é transparente e arejado, suave e lindo, atemporal e elegantemente despojado. "Chanel Nº 5 remixado" define.

Eu sei que não devia, mas ouso dizer que o Eau Première tá pra Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo assim como o Nº 5 tá pra Marilyn Monroe dormindo. Me deixa!

Dia ruim


by Vanessíssima em , ,

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Jour d'Hermès (Hermès) tinha tudo pra me agradar, mas não foi bem assim. Eu tava amarelinha de vontade de cafungar o bonito. Lia por aí inúmeros elogios e as seguintes palavrinhas mágicas sobre ele: floral luminoso. E ficava cá com querência. Lu-divina ouviu as minhas lombrigas e me agraciou com uma amostra (super thanks, Lu!). Só sendo persona doida como eu pra entender a alegria que advém daquele momento em que você bota os dedinhos num flaconete desejado. E daí que alegria de pobre dura pouco.

Bora começar pelo começo? Às notas, maestro Zezinho! Na abertura: toranja, limão siciliano e notas aquáticas. No coração: gardênia, ervilha de cheiro, notas verdes e flores brancas. No fundo: almíscar e notas amadeiradas. Mas, óh, pincei essas notas lá no Fragrantica. Jean-Claude Ellena, o nariz por traz do perfume, deixou divulgar nada oficialmente não, viu?

Pois bem, e que saída estranha em mim, meu povo! Azedume rulez! Fruta de fim de feira define. Juro! Como assim?! Não podia crer que minha pele passou a exalar cheiro de fruta cítrica passada! Mas exalou. Meu mundo caiu. Limão de gaveta, por que vieste me dar oi, óh, raios? 

E quando pensei que a coisa fosse melhorar (otimismo/ilusão é tudo na vida!), bão, ela não melhorou. A parte cítrica saiu (oba!) e parte over ficou (socorro!). Cadê gardênia? Cadê o resto gostosinho? 

Senti jasmim e um verdinho amigo, o que já foi bom. Mas senti tuberosa também, e eu não gostei dessa tuberosa (carnal e suja demais pro meu gosto, me deixa!). A coisa ficou meio enjoativa em mim, saca? Percebi um doce além da conta, que me desestabilizou (aloka dramática). Enfim, arestas e mais arestas acabaram com o meu dia.

Só no finalzinho de tudo o perfume me apeteceu. Nessa hora, ele me remeteu ao querido Kelly Calèche EDT. Mas aí já era tarde demais. A dissonância já havia me nocauteado. Minha pele é ruim, gente! Só pode. Ou melhor, ruim é a minha cabeça mesmo. É, foi só um dia/jour ruim...

Senhorita Ricci


by Vanessíssima em ,

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Mademoiselle Ricci (Nina Ricci) é bom? Se você gosta de um talco, vai me dizer que sim. O problema é que se você gosta de talco, provavelmente já terá em casa perfumes bem parecidos com ele.

Do mesmo criador do Flower by Kenzo (Kenzo) e do meu xodó Blv Notte (Bulgari) - a saber: Alberto Morillas -, Mademoiselle Ricci guarda certa semelhança com esses dois, especialmente com o primeiro. Seria ele um Flower by Kenzo domesticado? Não sei, só sei que ele também se parece um pouco com tantos outros atalcados. Meu nariz pescou algo do meu amado First Love (Van Cleef & Arpels) e também um cadim do meu querido Flower by Kenzo Oriental (outro Flower do Morillas).

Rosa selvagem e pimenta rosa estão na saída do Mademoiselle. Oleandro, rosa mosqueta e louro aparecem no coração. Madeira e almíscar figuram na base. Na boa? Talco com pimenta (muita pimenta) define tudo isso. Bastante almiscarado também, ele não deixa passar em branco a indefectível nuança amadeirada. A rosa traz um pouco de romantismo ao todo. O louro tempera o caldo, porém sutilmente.

Feito pra laçar quem torce o nariz pro talcão do Kenzo ou pra quem ainda não entrou de corpo e alma no maravilhoso mundo do talco, Mademoiselle Ricci, claro, tem suas qualidades. Ah, e ele não se parece nadinha com o Ricci Ricci, de quem ele é flanker.

PS: Este post foi patrocinado pela Dri Sama. Rá! Thanks pela amostrinha, bonita!