Archive for Fevereiro 2014

Nu


by Vanessíssima em , ,

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Há algum tempinho, rolou um festivo oba-oba virtual em torno do relançamento do Nu (YSL), que agora ressurge em nova versão - mais domesticada, segundo reza a lenda (não conheci a original). O badalado (re)apareceu sob a alcunha Nu La Collection e com preço convidativo em alguns sites tupiniquins. E lá se foi uma legião com a carteira em punho. Mas nem todo mundo estava preparado para o que ia encontrar. Eu, atrasada que só, acabei perdendo o oba-oba. E me arrependo disso. Paguei mais caro, mas tô feliz. Nu é vida! 

Intrigante and instigante esse beginho é algo mais, é perfumaria comercial de grande qualidade, é perfume com pê maiúsculo. 

Na real, Nu tem o tamanho daquilo que você entende por sensualidade. Ele tem cheiro de pele. Pele arrepiada. Pele com alma. Ele é nude, é névoa, é fascinante. É libidinagem chique, peladismo-de-muito-bom-gosto. Nu é o ato de despir camisa branca de seda pura.

Ele parece nos dizer que roupa é aresta, é dispensável, que o temos de mais nosso é a pele. Ele é uma ode à pele, ao que somos, ao que cheiramos utopicamente (sim, porque se eu encontrasse alguém que exalasse Nu naturalmente pelos poros, bom, eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhantes. rá!).

Atemporal e compartilhável, Nu é humano, demasiadamente humano. É um dos perfumes mais belos e poéticos que já senti. Assim que o conheci, me lembrei das mulheres imortalizadas pelas lentes do David Hamilton.

Em resumo (porque eu já falei demais), Nu, este oriental pimpão, tem cardamomo e bergamota na saída, incenso e orquídea no coração, e olíbano na base.

Oficialmente, a nova versão não tem jasmim e sândalo, duas notas que eu juro que sinto aí. Aliás, tenho pra mim que o jasmim aparece logo de cara, todo espetaculoso, explícito, deliciosamente sujinho, safado, com dedinho na boca e tudo. Muita gente torce o nariz pra essa saída (ela não é fácil mesmo), mas eu gostei (apesar de preferir na minha pele o modo como esse perfume se aquieta depois de algumas horinhas).

A bergamota também me dá um belo olá, e traz um toque de frescor à safadeza que, em pouco tempo, adquire uma nuança cítrica, que se mescla com o incenso. E que incenso! Esquece aquele incenso exotérico. Pensa num incenso chique! Um enfumaçado lindo, macio, confortável, quase talco. Aqui temos um toque de divindade, povo! Sim, é muita coisa acontecendo! Güenta firme! 

Pois bem, junto com o incenso cítrico (oi?), me aparece a orquídea, cremosa, macia, levemente doce. Ah, e o cardamomo tá sempre na roda, viu? Ele liga a coisa toda na tomada e vai que vai temperando a vida. 

Também noto claramente uma notinha mais pontuda, algo meio pinho, meio canforado, inteiramente indecifrável. E justamente por causa desse aspecto mais florestal ouvi de muita gente que Nu parece perfume masculino. Resina e madeira também surgem, mas em menor potência.

Na real, Nu me é incenso quase talco com toque cítrico e florestal with especiarias. Ah, me deixa! 

E agora um conselho grátis (portanto ruim, porque se fosse bom não vinha de graça): você estranhou o Nu, colega? Leve o tempo que levar, mas se esforce pra entendê-lo, viu? O crime compensa.

Cheiro da vez: lavanda


by Vanessíssima em ,

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Quem resiste a uma dose de lavanda no calor e sempre? Super delícia, a plantinha com cheirinho de limpeza é uma das mais presentes na perfumaria. A lavanda também tem uso medicinal por ser analgésica, sedativa, antiinflamatória e antisséptica. Ah, e ela ainda tem propriedades relaxantes e calmantes. Só falta fazer café, néam?

Também conhecida como alfazema, a amiga lavanda é uma planta de florada abundante simples de cuidar em casa. Ela pode ser plantada durante o ano inteiro direto no solo ou em vasos (de preferência de barro ou cimento), não curte terra encharcada e se desenvolve melhor na terra aerada. Se você for plantar no vaso, o recomendado é colocar casquinhas de pinos ou outros substratos pra manter a planta úmida. E o ideal é que ela pegue sol pelo menos de 3 a 4 horas diariamente. 

Uma curiosidade: o óleo essencial da lavanda (do latim "lavare", "lavar") era utilizado pelos romanos pra lavar roupa, tomar banho, aromatizar ambientes e como produto curativo indicado para insônia, como calmante, relaxante e contra dores (basicamente o Cogumelo do Sol do Império Romano).

Bora lavandar?






Ma Chérie (O Boticário)
Digo e repito: meu Eau de Pijama oficial. Tem lavanda, limão, angélica, âmbar, almíscar e cedro. Falei dele aqui.









Lavende Eau de Cologne (L`Occitane)
Lavanda, notas cítricas, almíscar e madeiras. Feito por quem entende, né? Não conheço, mas imagino que seja uma cousa de doido. No mais, são 300 emiéles pra serem usados generosamente. 








Green Tea Lavender (Elizabeth Arden)
Limão, tangerina, camomila, hortelã, lavanda, chá, magnólia, almíscar, ambreta e vidoeiro. Pelas notas, frescor é o nome dele. Nunca cafunguei, mas imagino que seja tão bom e honesto quanto o Green Tea original.








English Lavender (Yardley)
Tem alecrim, eucalipto, lavanda, bergamota, sálvia, cedro, gerânio, fava tonka, almíscar e musgo de carvalho. Lançado em 1913 e ainda em produção. Preciso dizer mais? Não, néam? Preciso é ir cafungar correndo!










Les Fleurs: Lavande (Molinard)
Junta lavanda, láudano, sândalo, almíscar e baunilha pra você ver o que acontece! Resenha em breve.









Forum Lavanda (Tufi Duek)
Lavanda, alecrim, cassis, jasmim, cedro, lírio-do-vale, âmbar, baunilha e heliotrópio. Conheci há bastante tempo e, juro, não me lembro do cheiro. Recafungar é a palavra do dia.









Lavande Royale (Roger & Gallet)
Laranja, tangerina, especiarias, lavanda, gerânio, almíscar, benjoim, baunilha, musgo de carvalho e cedro. Promissor, não? Preciso conhecer.










Eau de Lavande (Annick Goutal)
Vem com lavanda, especiarias, fava tonka e baunilha. Deve ser (desconheço) pura delicadeza. 





Entre as lavandas listadas, a mais cara é da Annick Goutal. Todas as outras são baratinhas e relativamente fáceis de catar por aí (com exceção da Molinard, que você encontra na Fragrancenet). É óbvio que muita coisa ficou de fora. Pra ficar aqui no Bananão, Johnson & Johnson, O Boticário e L´Acqua di Fiori, por exemplo, contam com lavandinhas no portfólio. Por isso, vale garimpar pra lavandar!

Cê Agá


by Vanessíssima em , ,

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Podem fazer rima aí e falar que o CH (Carolina Herrera) é superficial, comum e comercial, mas eu gosto dele mesmo assim. É o meu preferido da marca.

Entre tantos superficiais, comuns e comerciais, CH se destaca por trazer um generoso e bonito toque amadeirado, coisa pouco vista na estirpe do gênero.

Na saída ele tem bergamota, toranja, limão amalfitano, frutas tropicais e notas aquáticas. O coração vem com jasmim, flor de laranjeira, canela, rosa e pralinê. Na base, sândalo, patchouli, madeira de cashmere, cedro, almíscar, camurça e âmbar.

CH foi criado por Olivier Cresp, Rosendo Mateu e Carolina Adriana Herrera (opa, a filha da mulher!).

Muita gente vê semelhança com o 212 Sexy, outro da marca. Eu não. E cá entre nós, não suporto o Duzentos e Doze Séguici, viu?

Pois bem, meu querido Cê Agá (aka Ci Eich) tem cheiro de madeira adocicada. Tá, eu não lambi madeira nessa vida ainda (não que eu me lembre), mas sei como é. É, eu só sei, tá? E chega de falar nisso! Papo estranho, sô! 

Voltando ao perfume, temos nele um cadim de frutas cítricas, flores confortáveis e madeira-delícia. Sinto um tico de patchouli e quase nada de canela, mas sei que eles estão na festa. O pralinê também dá uma passadinha básica e adoça levemente o todo. E o doce aqui não é infantil não, mas descontraído. A camurça é suave, morna, macia, e aparece na exata definição da palavra: couro felpudo. A cara do outono!

Fruta, flor, doçura, madeira e couro, tudo junto e misturado. Contrastes mil, não? Porém, vejo harmonia nesse perfume, meu povo! 

E o frasco é lindão ao vivo, vai falar que não? Pra quem não sabe, ele foi inspirado nas caixas de couro feitas pra guardar chapéus femininos.

Perfume bom, bonito e intimista.

Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal


by Vanessíssima em , ,

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Você já repetiu tanto uma palavra até ela perder o sentido? Não? Faz o teste! Repete algo aí sem parar por alguns bons segundos. Aposto que o seu cérebro vai fazer o vocábulo se desligar do sentido em questão. A neurologia, a lingüística e a psicologia explicam, cada qual de forma distinta. Mas o que dizer de um perfume que parece uma repetição de palavra? Sim, ele existe. Para o bem ou para o mal. 

Com o perdão da palavra (ui!), me refiro ao Bright Crystal (Versace). Use-o algumas vezes e você vai achar que está sem perfume, que aquilo que você borrifou não faz sentido, que é uma mera repetição de notas, que não te atende, saca?

Floral frutal, ele vem com yuzu, romã e notas aquáticas na saída; lótus, magnólia e peônia no coração; e almíscar, mogno e âmbar na base.

Cheiro de nada com coisa nenhuma igual a tantos outros que existem por aí define. Assim ele me (desa)parece. Nem no calor, quando a gente busca os fresquíssimos, ele me atende como deveria. Você toca a campainha e fica lá esperando, em vão, alguém abrir a porta, saca? A pessoa marca com você e dá o cano. Frustrante.

Forçando bastante a barra, sinto a vibe aquática com almíscar e um pouquinho de frutinha cítrica beeeeeeeeeeeeeeem de longe. Coisa soft, genérica, quase inútil. Creio piamente que gente doida por perfume, como eu, pode passar sem esse, viu? Água de batata rulez.

Limpinho demais, bom moço demais, genro que toda sogra quer ter demais (taí qualidades que evito em perfumes e em pessoas. rá!). Na real? Bright Crystal não é o tipo que faz diferença numa coleção. Logo, logo você tá deixando ele de lado e indo atrás de bad boys, de sustância, de emoção, entende?

Nem parece coisa do Alberto Morillas. Mas é. Vai ver no dia em que criou o Bright Crystal, o cara repetiu tanto a palavra "perfume" que ela perdeu o sentido pra ele. Acontece. Tá desculpado, Morillas!

Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal, Bright Crystal...