Nu


by Vanessíssima em , ,

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Há algum tempinho, rolou um festivo oba-oba virtual em torno do relançamento do Nu (YSL), que agora ressurge em nova versão - mais domesticada, segundo reza a lenda (não conheci a original). O badalado (re)apareceu sob a alcunha Nu La Collection e com preço convidativo em alguns sites tupiniquins. E lá se foi uma legião com a carteira em punho. Mas nem todo mundo estava preparado para o que ia encontrar. Eu, atrasada que só, acabei perdendo o oba-oba. E me arrependo disso. Paguei mais caro, mas tô feliz. Nu é vida! 

Intrigante and instigante esse beginho é algo mais, é perfumaria comercial de grande qualidade, é perfume com pê maiúsculo. 

Na real, Nu tem o tamanho daquilo que você entende por sensualidade. Ele tem cheiro de pele. Pele arrepiada. Pele com alma. Ele é nude, é névoa, é fascinante. É libidinagem chique, peladismo-de-muito-bom-gosto. Nu é o ato de despir camisa branca de seda pura.

Ele parece nos dizer que roupa é aresta, é dispensável, que o temos de mais nosso é a pele. Ele é uma ode à pele, ao que somos, ao que cheiramos utopicamente (sim, porque se eu encontrasse alguém que exalasse Nu naturalmente pelos poros, bom, eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhantes. rá!).

Atemporal e compartilhável, Nu é humano, demasiadamente humano. É um dos perfumes mais belos e poéticos que já senti. Assim que o conheci, me lembrei das mulheres imortalizadas pelas lentes do David Hamilton.

Em resumo (porque eu já falei demais), Nu, este oriental pimpão, tem cardamomo e bergamota na saída, incenso e orquídea no coração, e olíbano na base.

Oficialmente, a nova versão não tem jasmim e sândalo, duas notas que eu juro que sinto aí. Aliás, tenho pra mim que o jasmim aparece logo de cara, todo espetaculoso, explícito, deliciosamente sujinho, safado, com dedinho na boca e tudo. Muita gente torce o nariz pra essa saída (ela não é fácil mesmo), mas eu gostei (apesar de preferir na minha pele o modo como esse perfume se aquieta depois de algumas horinhas).

A bergamota também me dá um belo olá, e traz um toque de frescor à safadeza que, em pouco tempo, adquire uma nuança cítrica, que se mescla com o incenso. E que incenso! Esquece aquele incenso exotérico. Pensa num incenso chique! Um enfumaçado lindo, macio, confortável, quase talco. Aqui temos um toque de divindade, povo! Sim, é muita coisa acontecendo! Güenta firme! 

Pois bem, junto com o incenso cítrico (oi?), me aparece a orquídea, cremosa, macia, levemente doce. Ah, e o cardamomo tá sempre na roda, viu? Ele liga a coisa toda na tomada e vai que vai temperando a vida. 

Também noto claramente uma notinha mais pontuda, algo meio pinho, meio canforado, inteiramente indecifrável. E justamente por causa desse aspecto mais florestal ouvi de muita gente que Nu parece perfume masculino. Resina e madeira também surgem, mas em menor potência.

Na real, Nu me é incenso quase talco com toque cítrico e florestal with especiarias. Ah, me deixa! 

E agora um conselho grátis (portanto ruim, porque se fosse bom não vinha de graça): você estranhou o Nu, colega? Leve o tempo que levar, mas se esforce pra entendê-lo, viu? O crime compensa.