Archive for Maio 2014

Are you on the list?


by Vanessíssima em ,

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O fato é que eu curto o 212 VIP (Carolina Herrera). Tá, nem sempre. Gosto de usá-lo às vezes. É meu lado doirado-caphona falando? Não sei. Só sei que foi assim.

Ele não é lá o tipo de perfume que eu compraria, mas eu ganhei um e isso me basta. Opa, vem ni mim que eu tô facinha, 212 VIP!

Parecido com tantos outros da perfumaria atual, 212 VIP é aquele frutal doce (quase melado) de balada, saca? Volúvel, efêmero, despojado, raso mesmo. E sucesso garantido de vendas, especialmente entre as criaturas jovenzinhas (não, eu não sou dessa tribo. eu sou uma criatura velhinha de 34 anos, ok?).

Longe de ser ruim (pelo contrário), ele traz maracujá e rum na saída, almíscar e gardênia no coração, e fava tonka e baunilha na base. Simplinho, néam? Mas gostosinho. Só não impressiona. 

Bacaninha o maracujá alcoólico da saída (e olha que eu não sou fã de maracujá em perfume). Admito que a combinação da fruta amarela com o rum deixou a calda bem festiva. A gardênia é cremosa (amo gardênia!) e o almíscar quase não aparece. A doçura da base impera. Cheiro de sábado à noite aos 20 e poucos aninhos, né mesmo? Só borrifo o meu quando tô mais pimpona. #souveialoka

Enfim, no início, 212 VIP é intenso, e o rastro dele atinge alguns quarteirões. Com o tempo, porém, ele se aquieta e some da pele. Seria ele uma metáfora da juventude culminando na vida adulta? Ui! Menos, Vanessíssima! Menos!

No mais, acho engraçada a proposta VIP, viu? Eu não me sinto lá very important person exclusiva e tal usando um perfume comercialesco and parecido com tantos outros. Vai ver a idéia é mostrar que todos nós somos suuuuper importantchys, néam, Carolina? Ok, ok, tá todo mundo na lista.

Do tempo do Brasil República


by Vanessíssima em , ,

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No ano em que o Brasil virava república, Guerlain lançava o Jicky. Oh yeah, adeus, D. Pedro II, e olá, essências sintéticas! 1889 bombou, não? O fato é que Jicky revolucionou a perfumaria dando início à modernidade e bla blá blá. Ok, chega de história! Bora falar de cheiro, pois é pra isso que temos nariz. Tá, não é, mas fica sendo. 

Pois bem, a monarquia passou e Jicky permaneceu no trono. Esse perfume tá na roda até hoje. Oriental, ele vem com alecrim, tangerina, bergamota e limão siciliano na saída, fava tonka, lavanda, raiz de orris, manjericão e jasmim no coração, e especiarias, couro, sândalo, âmbar, benjoim, baunilha e pau-brasil na base.

Acredita em mim quando eu digo que Jicky é sujinho? Sim, ele é! Tem ali um toque fecal que deixa a coisa bem interessante. Sim, fecal! Cocô, meu povo! Cocô! Pode desfazer a careta aí que Jicky é sujinho mas é bonzinho. Veja bem, ele podia tá matando, mas não, ele só tem cheiro de cocô mesmo. E eu vou além e te explico esse cocô: ele é um pouquinho ácido. E esse cheirinho animal, demasiadamente animal, é bem bacana, viu? Ok, pode rir agora. Ou não.

No mais, do lixo ao luxo, Jicky também é um perfume limpo. Limpo? Sim, limpo! Opa, aposto que tem um ponto de interrogação piscando aí na sua testa agorinha, né? 

Pois bem, antes de toda a sujidade, o lado cítrico da força aparece. Muitas frutas cítricas explodem e refrescam a vida. Temos lá um toque herbal delícia também. E dá pra sentir mega bem a lavanda (e, pra mim, ela é um misto de flor com erva). Lavanda linda, linda e linda! E aí que o frescor ganha quentura e Jicky termina morninho, aquecido pelas madeiras e pela baunilha. Há nele também qualquer coisa de talco antigo esquecido dentro da gaveta da cômoda quase embolorada.

No geral, perfume incrível! Do começo ao fim, ele é interessante. E bonito. Tem boniteza na sujidade sim! Sou dessas. Quem me conhece sabe que gente limpinha demais me dá urticária. Rá! Enfim, Jicky tem todo um je ne sais quoi. Merece ser aplaudido em pé! Ah, me refiro à versão EDP, ok? Foi ela que conheci (thanks, Dênis!).

No fim das contas, fico cá com uma pulguita detrás da orelha: teria Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon (a.k.a Princesa Isabel, filha do homem) usado Jicky

Só sei que Truman Capote tá neste exato momento me emprestando este trecho lá do Answered Prayers (thanks, Puck!): The room smelled of her perfume…at some point I asked what it was, and Colette said: “Jicky. The Empress Eugénie always wore it. I like it because it’s an old-fashioned scent with an elegant history, and because it’s witty without being coarse – like the better conversationalists. Proust wore it. Or so Cocteau tells me.”

PS: Só este blog pra me proporcionar a alegria de juntar perfume, D. Pedro II, cocô e Truman Capote no mesmo texto. Rá!

Mesa-redonda: Sabe de nada, inocente!


by Vanessíssima em ,

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E aí que fomos pro boteco de novo eu, Dênis, Diana, Beth, Ju, Dâmaris, Lily, Cris e CarlaE então o Dênis chacoalhou as estruturas quando questionou: que coisas vocês gostariam de ter sabido quando começaram a se interessar muito por perfume? Pois bem, pedimos uma porção de aipim frito (porque da outra vez Beth queria aipim e acabou comendo batatinha frita meio a contra gosto porque foi voto vencido, tadinha) e, pra não perder o costume, começamos a tagarelar. E lá fui eu!

Quando eu comecei a me interessar muito por perfume:

Eu devia ter aprendido com o Bruce Wayne a enfrentar os meus medos. Quem me dera ter cafungado antes um pouco de figo, um pouco de açúcar, de laranja e afins? São notas que sempre me deram medo, gente! Mas tem tanta coisa boa ali. Agora eu aprendi a lição e cafungo tudo, até bula de remédio!

Eu devia ter aprendido com o Peter Parker que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Sim, porque com a globalização marota e o cartão de crédito fofo internacional, catar perfume fora é uma delícia, mas eu sou responsável pela Darf que me chega em casa, né dona Receita? 

Eu devia saber que, assim como o Wolverine, eu não vou morrer se deixar passar uma promoção bombástica daquele perfume-desejo. Tô vivinha da silva aqui até hoje e isso não me deixa mentir, néam? Logan, te dedico!

Eu devia ter sacado desde sempre que eu não sustento frutas vermelhas com a facilidade com que a Mulher Maravilha consegue erguer milhões de toneladas de qualquer coisa. Frutas vermelhas? Cansei de insistir, obrigada!

Eu devia ter dado uma de Jaspion e mandado um Daileon Kick direto pra cima daqueles comentários que leio nos sites que vendem perfume. Sérião, alguém já se deu bem lendo e se baseando naquilo pra comprar alguma coisa? Gigante guerreiro Daileon, help!

Eu devia ter aprendido que, assim como o Bumblebee, que consegue transitar entre dois mundos numa boa (ele consegue ser lindamente carro e robô, né gente?), eu também posso gostar de um perfume e não comprá-lo. Taí algo que eu devia ter sacado meeesmo no começo dos tempos: eu não preciso ter todos os perfumes que eu curto.

Eu devia ter me tocado que eu não sou tão forte quanto o Hulk. Definitivamente tenho que largar mão de cafungar perfume com violeta, gente! É enxaqueca fortíssima na certa.

Eu devia ter aprendido com a Formiga Atômica que os pequenos têm poder. Amostrinhas e miniaturas são boas sacadas pra conhecer um perfume antes de comprar o frascão. Se eu tivesse me tocado disso antes, provavelmente não teria hoje em casa alguns frascões menos queridos.

Ah, se eu tivesse sacado desde o princípio que, assim como o Loki, as empresas não têm um pingo de coração, gente! Elas não pensam duas vezes antes de tirar alguma delícia do mercado. Sim, eu era ingênua e a verdade dói.

Eu devia ter mirado no egocentrismo do Tony Stark e feito um blog logo de cara. É tão bom trocar idéia com gente pior and melhor do que eu. Rá!

Assim como o Clark Kent, eu devia saber que não se vive só de jornalismo, especialmente quando se ama perfume. Veja bem, o cara é o Superman nas horas vagas e tira uma graninha boa com essa coisa toda de royalties, né mesmo? Gente, sério, jornalismo sozinho não banca vício de ninguém. Devia ter me jogado numa profissão decente pra ter todos os perfumes que eu quero, viu? Bom, em todo caso, ainda tenho dois rins. Vendo um deles. Tratar aqui.

Do Nilo


by Vanessíssima em ,

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Bora trocar um dedinho de prosa rapidex sobre o Un Jardin sur le Nil (Hermès)? Antes, deixa eu perguntar uma coisa: mais alguém por aí lê o nome desse perfume e também se recorda do bom moço Nill (opa, com dois éles) do Dominó-manequim-teu-sorriso-é-um-colar-de-marfim? Mas, óh, eu não gostava deles não, viu? Preferia o Polegar-sou-como-sou-aonde-vou-eu-acho-a-minha-saída. Ok, parei!

Voltando ao perfume que promete nos levar a um jardim às margens do rio Nilo, temos cenoura, toranja, tomate e manga verde na saída, laranja, peônia, tifa, jacinto e lótus no coração, e láudano, íris, canela, almíscar e incenso na base.

Criado pelo super supremo Jean-Claude Ellena, o bonito aí tem manga verde ao cubo, mas que não chega a assustar cachorrinho de madame não. Eu que o diga! Tenho medo de manga (sou mangofóbica, me deixa!) e nem por isso saio latindo quando passo esse perfume.

Cá entre nós, Un Jardin sur le Nil é uma calminha e suave horta pós-rega. Opa, jardim ou horta, Jean-Claude? Ah, não importa! Interessa que esse perfume também tem um pé na quitanda - no meu caso, no quintal (entenda minha mangofobia aqui). Enfim, o cheiro é de fruta verde com brisa leguminosa e toque aquático de lótus. Há um pouco de citricidade e um pozinho mágico de incenso. Tudo bem discreto, natural, ensolarado e low profile. 

Gostoso como todo bom perfume, mas não me catou de jeito. Poemas de amor e musiquinhas do naipe de Manequim eu faço mesmo é pro Un Jardin en Méditerranée (suspiros sobre ele aqui).