Archive for Julho 2014

Mágicas, figos e marmotas


by Vanessíssima em , ,

Comments Off

Tô aqui segurando um figo madurinho na mão. Pisco três vezes e então ele se transforma no Philosykos (Diptyque). E isso se repete sempre e sempre. E daí que eu viro colega do Bill Murray lá no Feitiço do Tempo. Todo dia é Dia da Marmota. Opa, não, pera lá! Todo dia é Dia do Figo. Rá!

Amadeirado aromático unissex, ele traz na saída folha de figo e figo. No coração tem coco e notas verdes. Na base, cedro, notas amadeiradas e figueira. 

Pra entender um pouco mais o Philosykos, vale a pena dar um ctrl c + ctrl v no que diz a Diptyque. Segue:

Philosykos, que em grego significa "amigo da figueira", é uma ode à toda a árvore: o verde, o frescor pungente das folhas, a madeira aquecida pelo sol, o sabor leitoso do fruto.

Pois bem, pra mim Philosykos é unicamente figo maduro e não se fala mais nisso. Tá, falemos mais nisso! 

Você que tá sempre aqui sabe que eu tinha pânico de figo até conhecer um certo alguém, né? Pois bem, descobri que minha aversão recai é sobre o figo maduro mesmo. Bingo! Philosykos não é pra mim. Mas é um baita de um perfume, viu? Pra quem curte figo no ponto de comer, ele é o que há! E, yes, ele é super compartilhável!

E antes que alguém me pergunte: quero só ver achar esse figo cá no Bananão! Tem não, viu? Mas nós sempre teremos Paris! Ou Hong Kong! Rá! Ok, de Feitiço do Tempo fomos parar em Casablanca, tudo isso falando de figo. Me deixa!

O Flora que deu B.O.


by Vanessíssima em , ,

Comments Off

E aí que você compra o Flora by Gucci Gorgeous Gardenia (Gucci) e acaba indo parar na delegacia pra fazer um B.O. porque te roubaram a gardênia. Sério, gente! Tô procurando a gardênia dele até hoje. Alguém viu a dita cuja por aí? Olha, quem achar manda ela me ligar, please. Preciso falar com ela. Quero bater um papo, fazer uma selfie, pedir um autógrafo e tal. Sou mega fã da flor, gente! 

Dizem que esse Flora tem pêra, frutas vermelhas, gardênia, frangipani, patchouli e açúcar mascavo. E eu só sinto a pêra, as frutas vermelhas (pro meu desespero), o frangipani (que lembra jasmim – não à toa ele também é conhecido como jasmim-manga), um tico de patchouli e o açúcar.

O problema é que, na minha pessoa, a pêra ficou muito aguada, o doce trazido pelo açúcar não combinou com o resto (assim como aconteceu com o Flora tradicional, dito aqui) e as frutas vermelhas ficaram muito sintéticas. Quem me conhece sabe que eu não topo com frutas bremeias, entonce...

Achei graça engraçada no patchouli, que em mim ficou desbotado e, junto com as frutas, fez parecer que tinha xarope de lichia por ali. Oi?! Não, não tem. Foi ilusão de óptica no nariz (sic). Rá!

É, não rolou.E não foi dessa vez que um Gucci me catou de jeito. No mais, não fosse o meu probleminha com as vermelhas, também não teria rolado, viu? No fim das contas, Flora by Gucci Gorgeous Gardenia tem tudo menos gardênia e acaba sendo bobinho demais pra quem curte fortes emoções. Teje presa, Gucci! 

Enfim, achei esse perfuminho raso, chato, genérico, nadinha especial, entende? Mas essa sou. Eu e meus grilos. Não vai na minha não. Só me lê que já tá bão.

Mesa-redonda: O meu inverno


by Vanessíssima em , ,

Comments Off


Bora prosear ao redor da mesa? E eis que a Ju pergunta: o que te aquece neste inverno? E eu respondo que, pra começo de conversa, inverno é bicho tinhoso aqui no sertão paulista. Você agarra ele e o condenado foge. Aqui quase não faz frio, o r é retroflexo, o l vira r quando tá no final da palavra, o r no arremate dos verbos no infinitivo some, o d do gerúndio vira n e o lh sempre vira i. E é aqui que mora a turma do dois-pastel-e-um-chopps. Dialeto caipira rulez! Mazzaropi, te dedico! Enfim, quedê frio? Mais fácil o Jeca Tatu virar uma criatura proativa do que os termômetros despencarem pra baixo dos 20 graus. De modo que me aqueço caipiramente com os seguintes:

Samsara (Guerlain) – versão EDT: se Sidney Magal fosse perfumista dos bons, ele teria feito o Samsara. Entenda aqui.

Shalimar Parfum Initial (Guerlain): doçura adulta e inteligente para pessoas de phyno tracto. Falei dele aqui.

Cinéma (YSL): uma das baunilhas mais elegantes que eu conheço. Très chic ao cubo! Resenha torta aqui.

Nu (YSL): o que dizer sobre um dos meus perfumes prediletos? Cheiro de pele com alma e com incenso. Isso e muito mais foram ditos aqui.

First Love (Van Cleef & Arpels): um talco que abraça e esquenta corações frios. Basicamente minha Campanha do Agasalho. Falei dele aqui.

Pink Sugar (Aquolina): quando eu tô gulosa, é nele que eu vou! Mais sobre? Aqui

Adendo caipira:
Hypnotic Poison (Dior) – versão 2008 (EDT): esse fica no adendo porque ele só é usado quando a temperatura vai pra baixo dos 15 graus (acima disso minha enxaqueca berra). Ou seja, borrifo de vez em nunca. Falei sobre ele aqui.

Abre parênteses. Fazendo este post, me dei conta de que meu inverno se resume basicamente a Guerlain e YSL. Fecha parênteses. 

Bão, além deles, Chocolovers (Aquolina), Pure Poison (Dior), Lolita Lempicka (Lolita Lempicka), Vanille Extreme (Comptoir Sud Pacifique), Joop! Le Bain (Joop!) e Vanille Gourmande (Laura Mercier) também dão um passinho pra frente no meu inverno. O premiado é escolhido conforme o termômetro fala puxando o r comigo. #caipirismo

E você, o que veste de cheiro quando o clima ajuda? Sim, ajuda! Soy loca por ti, inverno que non ecxiste!

No mais, agora é hora de saber o que perfuma o inverno da Ju, da Dâmaris, da Beth, da Lily, da Cris, do Dênis, da Diana e do Cassiano! Bora lá!

Charlotteando


by Vanessíssima em , ,

Comments Off


Sabe quando um perfume é o teu número? Então, tô nessas. Tenho meu número 1, você sabe. E agora achei meu número 2. Mas já adianto: ele não fixa. Sim, não fixa. Então, se você dá importância pra isso, tira o cavalinho da chuva e/ou chispa daqui! Outra coisa: ele é bem levinho. Opa, não dura nada e é levezinho? Sim, tudo isso! A real é que não sou pessoa de bombas. Sou pessoa low profile que segue a vibe soy invisível, feliz and enxaquecosa. Sim, essa sou eu. Metade de mim ama perfumes. A outra metade tem enxaqueca. E as duas partes juntas moram no sertão paulista, onde frio é bicho raro feito curupira. Vai vendo. 

O negócio é que me encantei pra valer com o Eau de Charlotte (Annick Goutal). Quem conhece a casa sabe que a coisa toda costuma pender mais pra uma pegada mais natural, comedida, mimosa and educada. Tá bão pra você? Pra mim tá ótimo! Tem dia em que eu tô toda assim. Pois é, tenho meus dias de mimosa. Me deixa! De sorte que Eau de Charlotte é meu número! Meu número 2. Mas isso eu já disse. Bora parir o não dito.

Criado em 1982 (balzaquiana a Charlotte, hein?), o perfuminho é vendido como "uma ode a alegria e travessuras". Emília, amiga boneca de pano, te dedico! #amosousitiodopicapauamarelo 

Groselha, mimosa, cacau e baunilha fazem de Eau de Charlotte uma obra toda trabalhada no delicadismo impressionista. Opa, eu invento palavras (mas só quando o perfume merece!). Pois bem, sabe aquele lance maroto do impressionismo que te força a olhar o quadro de longe pra entender como todo aquele jogo de cores representa coisas lambidas pela luz? Eau de Charlotte é bem por aí. Olhando as notas de pertinho, na chincha, você não saca muita coisa. Dá um passinho pra traz e você consegue uma experiência espiritual. Taí! Monet pintaria Charlotte. Ah, se pintaria! 

Eau de Charlotte, minha gente, me é encantamento ao cubo! Cheirinho de baby limpinho e cabelinho penteado, de fraldinha trocada, talquinho no bumbum e tudo. Yes, talquinho! Nariz de marido até me indagou: "mas que cheiro de Talco Johnson`s Baby é esse?".

Enfim, temos ali um atalcadinho delícia, um cacau sequinho, um quase nada de fruta marota, um pouco de florzinha paz e amor e uma baunilhazinha bem discreta e suave. Docinho atalcadinho na primeira infância define. 

Taí um dos perfumes mais confortáveis que eu conheço! Na real, ele é o segundo mais confortável que eu conheço. Lembra, ele é meu número 2! E pra quem quiser embarcar na minha viagem, tome ciência de que meu número 2 ainda engatinha enquanto meu número 1 já ensaia os primeiros passinhos, capsici? Ah, e eles não são nada, nadinha parecidos (apesar do talco rei). Acho por bem avisar. Vai que.

No mais, tenho cá comigo que a mãe que usa Nº 5 Eau Première (Chanel) tem uma filha que usa Eau Charlotte. A vibe aqui é quase a mesma, viu? Esses sim até que se remetem mais ou menos pra menos do que pra mais. E, opa, sou minha mãe e minha filha. Meu grau de parentesco comigo e entre mim varia. Sou louca e amo os dois! Ou melhor, os três (lembra, eu tenho meu número 1)!

PS: Alguém aí também se lembrou de A Menina e o Porquinho? Passava tanto na Sessão da Tarde dos anos 80. Esse desenho me marcou, viu? [spoiler alert] Gente, eu chorei muito quando a Charlotte morreu. Chorei, morri, ressuscitei e chorei de novo.

1989: o ano que não terminou


by Vanessíssima em ,

Comments Off


Em 1989 eu tinha 9 anos de idade. Em 1989 caía o Muro de Berlin, Madonna lançava Like a Prayer, entrava em circulação no Brasil o cruzado novo e estreava no cinema Indiana Jones e a Última Cruzada. Em 1989 acontecia no Brasil a primeira eleição direta em 30 anos para presidente da república, a TV via surgir Os Simpsons e morria Salvador Dalí. Em 1989 George H. W. Bush tomava posse como o 41º presidente dos Estados Unidos, foi fundada no Tocantins a cidade de Palmas, a Globo passava Que Rei Sou Eu? e o jornalista brasileiro Zuenir Ventura lançava o livro 1968: O ano que não terminou. Em 1989 a Guerlain comemorava 100 anos de Jicky e apresentava o Samsara. E é aqui neste ponto que a gente desce. 

Falar sobre o Samsara é o mesmo que querer condensar muito num pouco. Eu tentei fazer isso aí em cima com 1989. Não deu muito certo. Acabou ficando muita coisa importante de fora. Mas como eu já fiz isso antes, vou tentar de novo, pois é pra isso que este blog serve.

A história do Samsara, contada pela marca, começa quando Jean-Paul Guerlain conhece uma amazona inglesa chamada Décia de Pauw, por quem ele se apaixona. E ele tinha um desejo: oferecer a essa mulher "um perfume que fosse capaz de revelar aquilo que ela tinha de mais íntimo, aquela sensualidade única". Como ela gostava de sândalo e jasmim, Jean-Paul seguiu por aí e fez o Samsara. Porém, tenho fortemente cá comigo que se ele fosse o Sidney Magal, ele teria feito O meu sangue ferve por você. Rá! 

Abre parênteses. Pra quem não sabe, o nome Samsara vem do sânscrito e abarca a roda da vida. Quem quiser se aprofundar nos conceitos do termo, sugiro começar por aqui. Fecha parênteses.

Pois bem, ao perfume! Samsara é um floral amadeirado de responsa. Portentosíssimo, elegantíssimo, sensualíssimo, perfumíssimo! Jasmim, ylang-ylang, sândalo, íris, fava tonka e baunilha fazem um link incrível com a historinha de amor repetida à exaustão pela Guerlain (e se existe alguma verdade naquilo nós nunca saberemos). O cheiro - que aqui me aparece bem encorpado - me fala de paixão, de intensidade, de sensualidade escancarada (tal qual Magal em O meu sangue ferve por você, néam? ok, chega de Magal!)

Enfim, sândalo doce and cremoso define. Muito sândalo! Bastante mesmo! Tenha isso em mente se quiser se jogar nesse perfume, viu? Ah, e o jasmim e o ylang-ylang também imperam. Consigo me inebriar também com a íris, que anda de mãos dadas com a baunilha, e me traz aquele talco adocicado ímpar que só a Guerlain sabe fazer. Agora imagina aí o Magal falando tudo isso e você vai ter uma noção do que é o Samsara. Tá, parei! 

Na real, tudo aquilo que eu escrevi no parágrafo anterior (desconsiderando o trecho do Magal, evidente) me diz que Samara é perfume de inverno e pede dedo leve no spray. Porque assim ele fica redondinho, quentinho, aconchegante, apaixonante, arrebatador, praticamente um casacão de veludo num dia frio!

No mais, não, ele não é datado, apesar de não se parecer nem com a sombra dos perfumes que são lançados no mercado hoje em dia. O fato é que Samsara é um clássico. E de sangue quente!

Mas, óh, atenção! A versão EDT é um pouco diferente da EDP, ok? No mais, tenho um frasco atual da primeira e uma fração vintage da segunda (acho bom avisar porque dizem que esse perfume foi reformulado). Pois bem, a saída da EDT engana; é arejada, relativamente leve, e você fica achando que o resto vai ser sem graça. Ledo engano. Logo ela bota as garrinhas de fora e mostra o que é ser Samsara. No mais, a versão EDP começa direto no coração da EDT. O resto fica igual na minha pele, tanto na formulação nova quanto na antiga (se é que alguma coisa foi alterada mesmo, além da embalagem).

Mais uma historinha pra terminar (a última! juro! e sem Magal! garanto!). Reza a lenda que quando Brian Jones, então guitarrista dos Rolling Stones, foi assistir a um show do Hendrix em Londres, em 1967, ele disse: "Isso não é guitarra, é outra coisa, muito mais louca e bonita". E, bom, quando eu conheci o Samsara, em 2014, pensei cá comigo, inspirada pelo Brian - e voltando mentalmente ao ano de 1989: isso não é perfume, é outra coisa, muito mais louca e bonita!