É o que não pode ser que não é


by Vanessíssima em , ,

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Pra falar sobre o La Petite Robe Noire (Guerlain) EDT é preciso dizer o que ele não é. E você vai ver que isso revela ainda mais sobre como ele é. Né? Pois bem, La Petite Robe Noire EDT não é:

Original:
Mais um frutal floral docinho rosinha que faz sucesso graças à internê. A vibe açucarada azedinha para jovenzinhas-baladeiras-que-não-largam-o-celular-e-acreditam-em-unicórnios tá aí (e cá entre nós, aposto que se essas meninas tivessem unicórnios de estimação iam inundar o Instagram com fotos deles, mas vamos deixar isso pra lá). A impressão que eu tenho é que esse perfume parece ter sido feito pra concorrer diretamente com tantos outros tais quais Miss Dior Chérie (Dior), La Vie Est Belle (Lancôme) e Lolita Lempicka (Lolita Lempicka), lembrando beeeeem vagamente este último. Mais do mesmo, portanto.

Natural:
Tudo dele é bastante artificial e sintético, do cheiro à mensagem. Perfume cor-de-rosa de laboratório feito pra vender, não pra provocar experiência olfativa. E não, isso não é necessariamente desprezível (e por que seria?).

Guerlinesco:
Nada nele me remete à super Guerlain. Nada! Nem parece da casa. Ele não tem pegada, não tem força, profundidade ou fator uau. Nada de Guerlinade nele também (lê-se: nada do combo íris + baunilha + etc e tal, ou seja, talquinho delícia? não trabalhamos!). 

Ruim:
Ninguém vai morrer se não tiver esse perfume. Tem coisa bem melhor e com mais interessância no mercado. Nem por (tudo) isso ele é ruim. Tudo bem que ele soa irritante às vezes, mas eu também. Então estamos quites. Rá! 

Enfim, La Petite Robe Noire EDT abre com rosa, jasmim e flor de laranjeira. Segue com cereja, maçã e groselha. Finda com âmbar branco e almíscares brancos.

As flores são tímidas, lavadas e irreconhecíveis. As frutas – sinteticonas – são aguadas e levemente azedinhas, causando certa borbulhância. O fundo é macio e morno, mas desbotado e parece sabonete.

Borbulhante e mundano como prosseco de balada em Ibiza, esse perfume me parece, além do que eu já disse aí em cima, a tentativa de uma mãe _______ [a-bacaninha; b-doidona; c-desesperada (coloque aí no espacinho um desses adjetivos)] se esforçando pra ser amiga descolada da filha. Pode até funcionar, mas fica meio forçado (vergonha alheia define pra você?). 

Em suma, cadê a Guerlain que tava aqui?! Guerlain para adolescentes 2.0? Opa! Dê ao público o que eles acham que querem, oras! E isso é errado? Bom, depende do ponto de vista.

Confesso três coisas: 1. a campanha publicitária dele é incrível com aquela silhueta feminina marota desenhada pela dupla Olivier Kuntzel e Florence Deygas – e tem a Nancy Sinatra cantando These boots are made for walkin` (entenda apenas que Bang Bang na voz da Nancy foi o toque do meu antigo celular durante anos); 2. se eu tivesse cafungado o dito cujo antes, não o teria comprado (morar na roça não é lindo?); 3. assim que meu frasco chegou, ele quase foi pro desapego, mas aí eu insisti um pouquinho e nos acertamos. 

Por fim, eu não morro de amores por ele, ele não é o meu estilo e tal (não meeeesmo), mas não o odeio. Aprendi a gostar dele. Deixo pra usar o bichinho nos dia em que acredito em unicórnios made in Ibiza. Sim, gente, tem dia em que eu tô assim! Sérião! É, acho que tô ficando véia...

Ah, já ia me esquecendo: a versão EDP é diferente da EDT, ok? Não conheço a primeira, mas sei que as notas são outras. 

PS: Yes, tô de volta! Vai encarar?