Archive for Outubro 2014

Top 5: Perfumes roubados


by Vanessíssima em , ,

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Veja bem, eu podia tá matando, eu podia tá roubando, mas não, eu tô sendo roubada. Como eu sou dessas que dão risada da própria desgraça, resolvi fazer o top faivi dos meus perfumes que foram eufemisticamente extraviados. Comprei todos eles em lojas virtuais gringas e eles jamais caíram no meu colo. A certeza que eu tenho é que três deles sumiram aqui no Bananão (os outros dois estavam viajando sem rastreio, portanto só as fadas sabem onde eles desapareceram).

Antes, contudo, acho de bom tom afirmar que, gente, eu cato cheiro fora há uns 8 anos, cato muito, e até hoje “apenas” esses me foram surrupiados, ok? Por essas e outras, ainda considero bom negócio sacar o cartão de crédito internacional, desde que não se tenha pressa e seja feita na ponta do lápis a continha das taxas. Pois bem, aos surrupiados!

1. Shalimar Ode a La Vanille (Guerlain)
A pessoa aqui que vos escreve é suspeita pra falar sobre esse lindo porque Shalimar é o nome dela. Mais suspeita ainda porque ela esperou uma vida pra Guerlain relançar essa edição limitada toda trabalhada na baunilha e, bingo, o perfume nunca chegou. Tô aqui acendendo vela até hoje porque consegui arrematar outro. Nem encanei quando esse segundo frasco caiu em minhas mãos em pleno calor de 40 graus. Borrifei gotículas assim mesmo e me joguei na vida! Resenha em breve.
* Recado ao gatuno: Que você tenha tomado banho de Ode a La Vanille num dia de sensação térmica beirando os 50 graus e pegado ônibus lotado! Sem mais. 

2. L´Instant Magic (Guerlain)
Floral amadeirado almiscarado que nunca cafunguei, mas sempre amei. Ainda não recomprei, mas vou. O tal vem com bergamota, rosa, frésia, almíscar, madeira e amêndoa. Dizem que ele é atalcadinho, ou seja, meu número! E é por isso ele foi parar no segundo lugar da minha lista. #aloka
* Recado ao gatuno: Tomara que ele não tenha fixado nem dois minutos na sua pele. Sem mais.

3. Pleasures (Estée Lauder)
Floral branco com toque verdinho. Depois do luto, arrematei outro e me borrifo com louvor. Falei dele aqui.
* Recado ao gatuno: Torcendo pra pimenta ter ficado bem proeminente em você, culminando numa crise braba de rinite. Sem mais.

4. Green Tea (Elizabeth Arden)
Cítrico aromático super very fresh. Bom, bonito e barato. Comprei outro aqui no Bananão mesmo. Falei dele aqui.
* Recado ao gatuno: Faço votos de que a citricidade dele tenha ficado azedíssima na sua pele. Sem mais. 

5. Love in White (Creed)
Floral fresco and mais um que não recomprei até hoje (e talvez nem recompre, por isso ele foi parar no quinto lugar da lista). Outro da turma do "“nunca cafunguei, sempre te amei"”. As notas do dito cujo são as seguintes: raspas de laranja, casca de arroz, íris, jasmim branco, narciso, magnólia, rosa, baunilha, ambergris e sândalo. 
* Recado ao gatuno: Que você tenha morrido engasgado com a casca de arroz! Sem mais.

Adendo maroto:

O fato de ter dois Guerlain na lista comprova duas coisas: 1. por ser a minha casa predileta, é a marca que eu mais compro, logo, estatisticamente falando, é a que mais me some; 2. esses malditos ladrões têm bom gosto.

Ariano, verbena, menta e João


by Vanessíssima em , ,

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Ariano Suassuna tem, entre muitas, uma frase maravilha. Disse ele certa vez no meio de uma palestra: "Eu não mereço a menor confiança em citações. Quando a frase não me serve, eu modifico."

Pois bem, e eu tomo o dito dele pra mim e digo: Eu não mereço a menor confiança em relação aos textos deste blog. Quando uma família olfativa passa a me servir, eu me modifico.

De modo que ei, você aí, que sempre soube da minha aversão por cítricos, toma a minha incoerência! Quer que eu embrulhe?

Gente, sério: nunca jamais em tempo algum vale a pena ir na minha. O que tem aqui são impressões imprecisas de uma pessoa que gosta de perfumes. Nada além. Aqui eu só junto a fome com a vontade de comer (escrever and cheirar).

E então eu conheci o Verbena & Menta (L´Occitane), que traz limão, grapefruit, verbena, hortelã, hortelã-pimenta, madeira branca e almíscar, e me mostra como o mundo pode ser maravilhoso, com céu azul, nuvens brancas, árvores verdes, rosas vermelhas e amigos se cumprimentando. Pra borrifar ouvindo What a wonderful world na voz de Louis Armstrong.

A verbena aqui vem travestida de capim-limão, passa o tempo todo sorrindo e não é muito afiada. Ela mantém uma certa adstringência, mas não chega a pinicar o nariz em nenhum sentido (quem cresceu com capim-limão no quintal me entende). Quando a gente vê, tá lá sentindo a menta, fresca, fresquíssima e revigorante. E depois o capim-limão perde o capim e ficamos só com o limão brilhante e sorridente. No final de tudo, temos uma caminha amadeirada fantástica. Tudo bem compartilhável, natural, com fixação honesta e sensações mil. Mais que perfeito em dias quentíssimos.

Pra quem curte cítricos aromáticos ou não. E eu, gente, me encaixo no não, e tô caidinha de amores por esse perfume!

Verbena & Menta só tem dois probleminhas: o fato de ser edição limitada e o preço (acho demais pra tanto otimismo).

E aí que agora eu termino este texto usando e abusando do João Ubaldo Ribeiro: "Deus não tem pressa nenhuma, para Ele tudo é ontem, hoje e amanhã, só quem vive dentro do tempo somos nós". É isso aí, Ubaldo! Nunca é tarde pra gostar de perfumes cítricos. E nunca é tarde pra gente parar de me levar a sério. Rá!

PS: Verbena & Menta tem múltipla personalidade na internê, e pode ser encontrado também como Verveine Menthe, Verbena Mint e Mint Verbena. No mais, dizem que ele é o antigo Verbena Sorbet. Como não conheci a encarnação anterior, não posso opinar sobre.

Mesa-redonda: O amor e o poder


by Vanessíssima em , ,

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É hora de pegar o lencinho! Não, eu não vou cantar O amor e o poder, da Rosana, rainha-mãe da calça pantalona santropeito e das ombreiras cósmicas. De nada! Pois bem, o momento secando lágrimas é culpa da Lily Loon (te adoro, Lily!). Vai vendo! Sabe a mesa-redonda mensal que fazemos cá entre nós blogueiros perfumados? Então, Lily veio com essa agora: “se estivesse em suas mãos o poder de trazer de volta ao mercado algumas fragrâncias descontinuadas, quais seriam elas?”. Será que meu amor me conferiria esse poder? Olha, mãe, o amor e o poder! Rá! Pois bem, choremos!

Cologne Du 68 (Guerlain)
Essa colônia é linda. Essa colônia tem 68 notas. Essa colônia não existe mais. E eu tô chorando. Foi falada aqui.

Gloria (Cacharel)
Cacharel, sua feia, por que você descontinuou esse cerejudo gostosão como não? Falei dele aqui.

Idole (Armani) 
Comofas quando descontinuam um curinga? É, pois é, senta e chora! Dito aqui.

Eclix (La Perla)
Luto eterno pela perda dessa baunilha confortável and deslumbrante e que god a tenha sem mais tô muito abalada pra falar agora desculpa [soluçando]! Aqui.

Summer By Kenzo (Kenzo)
Kenzo descontinuou esse belíssimo floral afetuoso porque dormiu com o bumbum descoberto. Queremos a folhinha de volta! Queremos a folhinha de volta! Foi dito aqui.

Chocolovers (Aquolina)
Não, Aquolina, eu não te perdôo nunca jamais! Esse chocolatinho líquido me é necessidade simplesmente porque “de chocolate o amor é feito” (Alegria, Trem da). Falei dele aqui.

Eau Du Désir (Lolita Lempicka)
Era um limão muito engraçado, não tinha citricidade, não tinha azedismo. Ninguém podia reclamar dele não, porque ele era um atalcadinho delícia. E era feito com muito esmero. Dito aqui. 

Liberté (Cacharel)
De novo, Cacharel, sua reincidente sem coração? Quedê minha laranjinha delícia? Um dos poucos chipres que eu curto, poxa... Foi falado aqui

First Love (Van Cleef & Arpels)
Meu Eau de Fralda Limpa, gente! Talquinho pimpão que não se acha mais não. Ok, de Van pra Van: Van Cleef & Arpels, me devolve o meu First Love, colega! Dito aqui.

E bora lá catar mais lencinho pra acompanhar os amores interrompidos chorados por Parfums et Poésie, Templo dos perfumes, Le Monde est Beau, Village Beauté, Perfume Bighouse, A louca dos perfumes, Pimenta Vanilla, Odorataparfuns, Parfumée, Helen Fernanda e Perfumart

God save the Kleenex!  

A melhor lavanda do mundo


by Vanessíssima em , ,

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Conheci Les Fleurs: Lavande (Molinard) graças à amiga Dianíssima, que nas horas vagas é presidente do fã-clube da Molinard. Rá! Devorei minha amostrinha com afinco. Quase mastiguei o flaconete. Não sosseguei até catar um frascão pra mim.

Lavanda delícia, perfeita e carinhosa, ideal praqueles momentos de dor de cabeça, gripe, rinite, TPM, gota, torcicolo, espinhela caída, unha encravada e et cetera e tal. Só não traz a pessoa amada em três dias, viu? 

Lindamente compartilhável, Lavande cai bem em todos os seres os vivos do planeta, incluindo homens, mulheres, joaninhas, pingüins, coalas e suricatos.

O perfume é todo trabalhado na lavanda, no sândalo, no ládano, na baunilha e no almíscar. 

O cheiro é floral and herbal tal e qual aquele que a lavanda nos proporciona. Mas esquece o lavandismo que pinica o nariz. Aqui a coisa é macia, aquecida pelo sol. Um pouquinho verde/entusiasmado no início, feito aquele oi animado que a gente recebe de um amigo sumido por algum tempo. Mas logo a coisa se acalma e a saudade se aquieta. E do oi empolgado partimos pra um abraço gostoso e seguro. E o resultado é um talquinho low profile relaxante quase retrô. Tô falando do perfume, ok? 

A baunilha é bastante tímida e me remeteu ao pinguinho do i. Quer coisinha mais pequenininha, fofinha e importante do que o pingo do i? Sim, gente, porque o pingo no i já foi fundamental. Ele surgiu pra diferenciar no alfabeto gótico a seqüência ii do u minúsculo lá na Idade Média, quando o povo escrevia em latim e confusões não eram bem-vindas. Ok, ninguém perguntou. De volta ao perfume!

Simples como deve ser, Lavande é acolhedor e orgânico (lê-se: tem cheirinho natural, não sintético). Indispensável para quem ama as tranqüilidades da lavanda e/ou do talquinho. Ou seja, não vivo mais sem. Eis a melhor lavanda que vi até aqui!

Adendo maroto:

A Molinard não é uma marca muito conhecida por aqui. Mas devia. Fundada em 1849 em Grasse, no sul da França, ela ainda é uma empresa familiar e nunca deixou o prédio que ocupa desde 1900. Ela produz perfumes, produtos pra banho, aromas pra casa e itens de aromaterapia, que são exportados pra 25 países. Possui duas lojas próprias e marca presença em mais de 1600 pontos de vendas na França. O mais incrível disso tudo é que parte da produção, como a colocação dos rótulos, ainda é feita à mão. Ah, e a Molinard também mantém um museu aberto à visitação. E a fábrica oferece visitas guiadas. Antes que você bote seu rim à venda, saiba que, apesar de ser considerada marca de nicho, a casa tem produtos incrivelmente acessíveis perto das coleguinhas.