Archive for Novembro 2014

O mais bobo e o mais esperto do mundo


by Vanessíssima em ,

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Karl Lagerfeld For Her (Karl Lagerfeld) é o perfume mais bobo do mundo. Karl Lagerfeld é o cara mais esperto do mundo. Vai dizer que lançar um perfuminho genérico and facílimo de agradar não é uma boa sacada, hein? For Her não é ruim, mas eu agradeceria se fosse, ao menos assim ele se destacaria na multidão. 

Floral frutal (mas era pra ser floral verde, segundo a marca), ele vem com limão, pêssego, rosa, magnólia, frangipani, almíscar, âmbar e madeiras. Sim, você já viu isso antes, especialmente se você tem paixão por cheiros e os possui de montão em casa. 

Não acho errado oferecer mais do mesmo não, mas fico bege com a quantidade de marca ofertando apenas e tão somente isso em termos de novidade, sabe? Ok, zero mimimi daqui pra frente!

Tranqüilo, For Her não proporciona fortes emoções (exceto na hora de passar no caixa. rá!). É seguro, correto, diurno, limpinho e comum. Bom, mas bobo.

Ele é quase linear em mim, mas consigo pescar algumas sutilezas aqui e ali, com toques ora frutais, ora docinhos, ora almiscarados. O pêssego é bem perceptível. As rosas também. For Her abre frutalmente borbulhante e fresco, segue floralmente docinho e termina rapidinho numa base almiscarada e bastante vaga. Você já conhece tantos outros perfumes assim, né?

Juro que senti uma brisa sugestiva de La Vie Est Belle (Lancôme) aí. L´Eau Vie Est Belle? De nada, Lancôme! Vi ali também um pouquinho de Tommy Girl (Tommy Hilfiger), mais um tanto de Versace Woman (Versace), um quase nada de J´adore (Dior), um outro cadinho de Chance (Chanel) e por aí vai. Veja bem, esses perfumes não se parecem entre si, mas Karl Lagerfeld For Her se parece com todos eles.

Karl-pessoa tem foco, isso é fato. Ele mirou no mercado e acertou. Mesmo redundante e preguiçoso (e justamente por isso), Karl-perfume vai vender feito água, principalmente cá nas terras tropicais. Eu, por exemplo, usaria se ganhasse. Rá!

Olha, forçando a amizade, eu até consigo entender o desespero do Karl Lagerfeld, um dos poucos seres da moda que não conseguiram manter nem ao menos um único perfume no mercado até hoje. A história dele com a perfumaria é antiga: a primeira fragrância da “grife” data de 1978, e depois dela vieram mais 12, mas nenhuma sobreviveu (claro, excluindo os recém-lançados For Him e For Her, este último objeto do texto que você está lendo agora). 

Pensa comigo: foram 13 perfumes e 13 fracassos, certo? Por que não tentar de novo mirando numa fórmula garantida num momento em que o mercado da moda se vê praticamente sustentado pela perfumaria? Sim, colega, pode parecer bizarro, mas Chanel, Dior, Yves Saint Laurent, Burberry, Calvin Klein, Armani & cia. vendem mais perfumes do que roupas. 

E se prepara, porque o contrato do Karl Lagerfeld com a poderosa Inter Parfums estará em vigor durante os próximos 20 anos, tá? Pra que não sabe, a Inter Parfums cria, fabrica e distribui fragrâncias mediante acordo de licença exclusiva sob as marcas Balmain, Boucheron, Jimmy Choo, Lanvin, Montblanc, Paul Smith e Van Cleef & Arpels.

Eau de Gominha


by Vanessíssima em ,

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Borrifar a colônia Eau Aimable (Le Couvent des Minimes) é cair de cara num pote de gominhas Dori. Mas só das laranjinhas! Esquece as outras cores, tá? De sorte que o lance é meter a fuça só na gominha alaranjada. 

A coisa toda é bem orange and sweet, não nessa ordem. E fixa feito gominha no dente, o que é incomum no planeta das colônias. Ah, e assim como a balinha, o residual da fragrância é açúcar puro. 

Além do preço amigo, bergamota, rosa-mosqueta, flor de laranjeira, capuchinha, mandarina e petitgrain é o temos oficialmente pra hoje em Eau Aimable. Já li por aí que também tem jasmim, baunilha, almíscar e madeiras brancas. Sinceramente? Sei não. Talvez a baunilha. 

Fora que achei Eau Aimable bastante enjoativa, sabe? Doce demais, laranja demais (yes, eu tenho problema com a dita e seus afins na perfumaria). Mas óh, nada de citricidade aqui. Nada mesmo! Citricidade zero! O lance tá mais pros mega açucarados Victoria´s Secret.

E nada disso vai ser ruim se você é da turma que sai por aí usando camiseta silkada de “I love gominha laranja” com um coraçãozinho no lugar do “love”. Eu amo gominha laranja aromatizada artificialmente e tudo, mas ainda tô longe de vestir a camisa (literalmente). Sou mais é do fã-clube da paçoquinha. Tô na diretoria, aliás! Ok, ninguém perguntou. 

Mesa-redonda: E se o mundo virasse do avesso?


by Vanessíssima em , ,

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Uma das coisas mais legais de se ter um blog é poder compartilhar minhas pirações. Melhor ainda quando eu sou convidada a fazer isso. Rá! De modo que chegou a minha vez de sacar um tema do bolso pra mesa-redonda da vez. Yes, este mês quem botou a mesa fui eu! 

Pedi pros colegas botarem na roda seus "perfumes Monty Python", aqueles que melhoram o humor, saca? E pra fazer diferente, em vez de listar uma meia dúzia de frascos já existentes, resolvi criar o perfume mais bem humorado do mundo! Pegando carona no non-sense dos meus comediantes preferidos, bolei cá comigo uma fragrância absurda que me deixaria rindo de orelha à orelha, basicamente o meu perfume dos sonhos. Rá!

Pois bem, se eu pudesse criar meu perfume Monty Python (lê-se: meu perfume perfeito), como ele seria? Assim, óh:

Ele seria tão elegante quanto o J´adore (Dior)
Teria as rosas do La Fille de Berlin (Serge Lutens)
O figo do Un Jardin en Méditerranée (Hermès)
A baunilha do Vanille Bourbon (Laurence Dumont)
O talco e a íris do Eau de Shalimar (Guerlain)
O couro do Kelly Calèche (Hermès)
O incenso do Avignon (Comme des Garçons)
O chocolate do Chocolovers (Aquolina)
A menta do Herba Fresca (Guerlain)
A gardênia do Marc Jacobs Women (Marc Jacobs)
O benjoim do Couture! (Moschino)
O cheiro de chá do Love, Chloé (Chloé)
O almíscar do Noa (Cacharel)
As madeiras do Lacoste Pour Femme (Lacoste)
A sujeira do Jicky (Guerlain)
A quentura do Gloria (Cacharel)
O cheiro vivo do Chloé Rose (Chloé)
A delicadeza do Blv Notte (Bvlgari)
A aura de hidratante do Summer by Kenzo (Kenzo)
O conforto do Eau de Glow (JLo)
A complexidade do Nu (YSL)
A cremosidade do Vanille Gourmande (Laura Mercier)
O frescor do Pleasures (Estée Lauder)
A versatilidade do Forever and Ever (Dior)
A fixação do Cinéma (YSL)
A evolução do Joop! Le Bain (Joop)
A válvula spray do Pure Poison (Dior)
O frasco do Liberté (Cacharel)
E o preço do Ma Chérie (O Boticário)

Já falei de todos esses perfumes aqui no blog. Joga lá na barrinha de busca pra você ver!

E, bão, a outra coisa mais legal de se ter um blog é ter gente pra pirar junto comigo. Estão aí BethJu, Diana, Priscila, Cassiano e Cris Nobre que não me deixam mentir. Todos eles também viram o sinal no céu e atenderam ao meu bat-chamado. Bora espiar!

Agora, vem cá! E aí, quais perfumes te deixam de bom humor? 

Baunilha verde


by Vanessíssima em , ,

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Pera lá que O Incrível Hulk ainda não lançou nenhum perfume não, viu? Se bem que sei lá se isso ia vender, néam? Talvez se o Homem de Ferro lançasse... Bão, voltando pra Terra, me deixa contar um pouco sobre a baunilha com toques verdinhos mais linda e democrática que tem no mundo: 5:40 PM in Madagascar (Kenzo).

Pensa numa persona apaixonada por baunilha. Pensou em mim, certo? Agora pensa em alguém que é fã do jeito Kenzo de se perfumar. Deu eu de novo, né? Então vamos por aí. E se você se identificou comigo, pega na minha mão e vem!

Bora começar pelo começo. Cinco e quarenta - ou vinte pras seis (você decide) - abre com lótus, segue com frésia e cedro, e finaliza com baunilha. Isso funciona na teoria. Na prática a coisa muda um pouco. Já explico. 

Super compartilhável, sincero e interessantíssimo em todas as estações do ano (yes, todas! mas convém dedo leve no verão de meu deus), 5:40 PM in Madagascar começa com cheirinho de mato molhado e evolui pra uma baunilha amadeirada dos deuses! Simples assim.

Cuidadosamente construído, esse perfume me é, na essência, baunilha com cheiro de grama molhada. Captou? Não, né? Só cafungando pra entender. Ele é único, ímpar! Até a baunilha dele é diferentona. Não é melada, infantilóide ou séguice-sem-ser-vulgar. É uma baunilhinha delicada, na medida, morninha, de doce não muito doce, sabe como? E gruda! Sai nem com reza brava.