Sicilyana


by Vanessíssima em , ,

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Sendo tataraneta, bisneta, neta, sobrinha, prima e filha de sicilianas, eu tenho que dizer: Dolce & Gabbana acertou em cheio com o Sicily. Nenhum perfume traduz melhor essas mulheres intensas, dramáticas e bem-humoradas, que têm um pezinho na jaca e um sorriso no rosto. Ok, eu também tô falando de mim. Abafa. 

Mas o fato é que eu cresci entre pessoas made in Sicily, com direito a almoço dominical cheio de gente e de comida. E essa gente não tem vergonha de chorar ouvindo música na frente de todo mundo, não se cala diante dos problemas de alguém da família, não se contenta em falar só com a boca, não se resume a um aperto de mão, não se satisfaz em oferecer apenas um prato de macarronada, não se contém diante de uma garrafa de vinho e não perde a chance de gargalhar. 

Essa gente canta junto e chora aqui no Brasil com a música da polenta (quando si pianta la bella polenta, la bella polenta si pianta così, si pianta così, si pianta così...), tem sempre algum conselho ou puxão de orelha pra dar pro parente, fala com a boca e com as mãos, distribui abraços apertados e panelas de macarrão, acredita que o álcool tempera a vida, e ri de si mesma e para si mesma. Por essas e outras, tenho cá comigo que sicilianos não são pessoas; são experiências sensoriais.

Pois bem, Sicília é a terra da minha família, do vulcão Etna, do dialeto engraçado, da bruxa que distribui presentes depois do Natal, dos banquetes familiares com finalidades logísticas (afinal, neles são discutidos os sucessos e os insucessos da italianada), do mar azulzinho, do Don Vito Corleone e do Dolce do Dolce & Gabbana (sim, Domenico Dolce nasceu lá).

Sicily é a terra da madressilva, da flor de laranjeira, da banana, da bergamota, da noz-moscada, do jasmim, do hibisco, do jacinto, da rosa, do sândalo, do almíscar e do heliotrópio.

Cremoso, ensolarado, marcante e voluptuoso, Sicily vai do drama à felicidade (ambos sicilianamente exagerados) num segundo. Assim como os sicilianos, ele se esforça lindamente pra te conquistar. Ligeiramente doce, com notas florais potentes, Sicily traz boas doses de deliciosidade sob a classificação floral oriental.

E é aqui que eu paro de falar sobre esse perfume. A coisa toda degringolou pra uma parcialidade absurda de minha parte. Sorry pela resenha não-resenha. Aliás, eu não faço resenhas de perfumes; eu escrevo textos sobre perfumes (sim, são coisas distintas, me deixa!). 

E fica aqui o meu convite: se você achar um Sicily por aí (infelizmente ele foi descontinuado), se joga na cafungada! Ah, e se você topar com algum siciliano, nunca pergunte sobre os calabreses (reparou que no mapa a Calábria é a ponta do pé da bota que parece que tá dando um chute na Sicília?).

Arrivederci!