Dolce sem açúcar e sem afeto


by Vanessíssima em , ,

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Dolce (Dolce & Gabbana), ao contrário do que o nome sugere, não é doce. É floral com um pezinho na água e outro na grama. Singelo, suave e fresco, foi feito tendo em mente o público que não gosta de usar perfume. Assim ele me parece.

É até engraçado ler o Domenico Dolce no site oficial dizendo que a idéia foi capturar a imagem da Sicília e botar dentro do frasco. Olha, não sei de qual Sicília ele tá falando, mas não é a do Sicily. Ah, não é! Também não é a Sicília da minha família. Enfim, dou um cannoli pra quem me trouxer a Sicília do Dolce!

Pois bem, e a tampa do Dolce, minha gente? O que é aquilo? De onde ela vem? Do que ela se alimenta? Como ela se reproduz? Não perca! Esta semana, no Globo Repórter! De plástico, ela me soa bem kitsch (pra não dizer duvidosa). E não se engane: ao vivo ela é bem pior (chega a ser vagabunda no sentido laico do termo). E pensar que era pra ela reverenciar docinho de marzipã, uma das maiores delícias sicilianas (se não a maior!). Deu certo não, Dolce. Deu certo não.

E o que vem no perfume? No topo tem neroli e flor de papaia. O coração traz lírio d´água, narciso e amaryllis, todos brancos. Na base temos almíscar e madeira branca.

Dolce começa com aquele toquinho verde da flor da laranjeira, coisa que só o neroli faz por você. E então a gente topa com uma florzinha aquática indefinida. E termina dando de cara num montão de almíscar preso num pedaço de madeira clarinha. O problema é que o almíscar é genérico e a madeira é MDF, saca?

E no fim das contas o que vem dentro do frasco é aquela ladainha primavera-verão de sempre, que a gente já tá cansado de conhecer de outros carnavais. 

Leve and calminho, Dolce é coisa casual, segura, diurna, limpinha, feita pra não encher o saco de ninguém. E só isso! Faltou empolgação, sabe? Gostosinho, mas nada memorável. Tudo bem que nem tudo deve ser memorável, né? Mas, sei lá, eu esperava mais. Eu queria mais. Eu ansiava por mais sinceridade, ainda mais diante do preço que pedem por ele.

Sabe aquele tipo de perfume que você pode dar de presente pras gentes de todas as idades (se quiser ostentar, claro)? É esse! Garanto que não tem erro. Aliás, se quiserem me dar, aceito de bom grado. Rá! Ele entra na minha categoria "usaria se ganhasse".

No mais, o filme da campanha foi dirigido pelo Giuseppe Tornatore, aquele do Cinema Paradiso (o filme preferido da minha mãe, que chora só de ouvir a música do Ennio Morricone, o rei do western spaghetti, que acabou indo trampar com o Quentin Tarantino no Bastardos Inglórios e me prova que o mundo dá voltas engraçadas). Só acho que com o cachê que pagaram pro Giuseppe podiam ter dado uma graninha mais gorda pro perfumista fazer coisa melhor. Neám?