Archive for Abril 2015

Minha insolência


by Vanessíssima em , ,

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Começo abrindo o jogo: eu não gosto de frutas vermelhas e My Insolence (Guerlain) é todo trabalhado nas frutas vermelhas. Perdoem minha insolência (e o trocadilho também), mas esse perfume não é pra mim. Mas tudo bem, vamos lá! Vamos supor que eu não ache frutas vermelhas sintéticas demais, enjoativas demais, menininhas demais, e que elas não me causem enxaqueca. Vamos fingir que eu adoro frutas vermelhas, ok? Combinado? Então tá!

My Insolence é um floral gourmand segundo a própria Guerlain. E eu concordo. O perfume vem com framboesa na saída, jasmim e flor de amendoeira no coração, e baunilha, fava tonka e patchouli na base. Qualquer semelhança com o La Petite Nobe Noire EDT não deve ser mera coincidência. Ambos se parecem aqui e ali, sendo mais intenso e profundo o objeto deste texto. É como se o La Petite fosse a versão desnutrida do My.

My Insolence começa doce, segue doce e termina doce. A framboesa dá o tom do começo ao fim. Ela é madura, açucarada e picante no início. E intensa. Bem intensa. Ela sacode todo mundo e dá aquela acordada marota no nariz. Depois vem o conforto. O jasmim é tímido e serve só pra quebrar a frutalegria. A flor de amendoeira é linda, morninha e dá um toque de talquinho bastante interessante, que sofistica a coisa toda. A base esquenta mais o todo, e adoça, claro, mas de forma inteligente e elegante. Baunilha burra e vulgar não existe quando se fala em Guerlain. E a pitadinha de patchouli deixa o final chique.

Eis um perfume fortemente feminino, cor-de-rosa e gourmand with elegância. Moderadamente atalcado, quentinho e carregado de frutas vermelhas, My Insolence é incrivelmente bem feito e não desagrada quem curte a vibe prometida. Seria a minha escolha invernal caso eu não fosse tão chata. Rá!

Classiqueando


by Vanessíssima em , ,

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Como assim ainda não falei sobre a mais emblemática silhueta da perfumaria, minha gente? Falha minha, povo! Bora prosear sobre o Classique (Jean Paul Gaultier)? O alvo aqui é a versão EDT, ok? Não conheço a EDP, e ouvi dizer que é distinta.

Arrebatador de corações desde 1993, Classique vem com tangerina, anis, pêra e rosa na saída, íris, gengibre, ameixa, flor de laranjeira, orquídea e ylang ylang no coração, e âmbar, almíscar e baunilha na base.

Cá entre nós, esse perfuminho (que é ão) é um floral adocicado, alegre e super feminino. Ele exala poder, sedução and glória graças ao toque picante do anis e do assanhamento do gengibre, aliados às notas florais e frutadas. Tô aqui diante de um surreal buquê floral temperado e enfeitado com frutinhas, saca?

Minha pessoa nota claramente cada fase da fragrância. A saída fresca se transforma, fica picante e evolui até chegar no abaunilhado, sempre com um toque floral ao fundo. É como se o Classique começasse provocativo, todo séguici, e terminasse apelando pra um certo romantismo (tô numas de achar que ele parece nos dizer que, no fundo, é romance o que todos nós queremos, néam?).

Um tanto quanto sintético e retrô propositadamente, Classique é marcante e combina com gente festiva, bem-humorada e ousada, justamente por não passar despercebido. Sabe o que cabe nele? Persona exuberante que se joga na night sem medo. Pena que eu não sou tão bacana assim. Rá!

A embalagem é um show à parte. Adoro a mocinha sem cabeça sensualizano no espartilho. Aliás, vontade de colecionar todas as edições especiais do Classique só pelo frasco, viu? Opa, e elas são muitas! Jean Paul Gaultier adora capitalizar (ah, vá, jura?!). No mais, tenho pra mim que coerência é o sobrenome do cara. Incrível como todos os perfumes que ele joga no mercado têm a ver com ele na forma e/ou no conteúdo (vide Ma Dame). Sim, JPG me é excentricidade provocativa e feliz, quase kitsch, mas com um pé na elegância. 

Noir


by Vanessíssima em , ,

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Coco Noir (Chanel) é lindo, mas cansa. Bom, ele me cansou. E cansou marido, que reclamou e comenta isso até hoje no meu ouvido (e considera aí que meu cônjuge é do tipo que não se liga em perfume).

Eu disse que Coco Noir é lindo, né? E é mesmo! Lindo, elegante e intenso. Sacou o terceiro adjetivo? Reside aí o meu problema com ele. Como se não bastasse, a fixação desse perfume é algo absurdo de grande. Não há enxaqueca que resista. Mas se a sua cabeça - ao contrário da minha - for boa, se joga no Coco Noir!

Classificado pela própria Chanel como oriental luminoso, esse aí é perfume com p maiúsculo! Na abertura temos grapefruit e bergamota. No coração, rosa de maio e jasmim. A base traz patchouli, sândalo, fava tonka, baunilha bourbon e almíscar.

Sabe o Coco Mademoiselle? Segundo o meu nariz, Coco Noir é uma versão adulta, invernal e noturna dele, com direito a gotinhas do Allure Sensuelle no meio. 

Mas as frutas são discretas aqui. O que pega é o coração floral purpurinado com patchouli. Mas pensa numa purpurina preta, ok? A coisa é meio dark, mas com brilhos (daí a luminosidade proferida pela Chanel?). A doçura surge ali entre o fechado e o cremoso. O fim da história é um amadeirado morno regado com patchouli levemente terroso. E o que fica na pele depois do banho é puro almíscar (sim, depois do banho!). Só não se esqueça que tudo é bem marcante, potente e berra "sou rycah!". É quase como se ele tivesse o cheiro de todos os bons perfumes do mundo juntos e misturados.

Quem me acompanha sabe que tenho problemas com patchouli (lê-se: enxaqueca), daí minha dificuldade com esse perfume, já que a tal nota "do mal" é o que mais se sobressai nele. Na real, todo o resto é bem equilibrado e menos óbvio de distinguir (mas eu sou esforçada. rá!).

Enfim, Coco Noir te preenche. O problema é que, no meu caso, transborda.