Bagatelle


by Vanessíssima em , ,

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Século XIX. Corre! Corre! Anda logo! A ópera já vai começar! Com licença, onde fica o acesso pro mezanino? Cara, este espartilho tá me matando! Pera lá, não pisa no meu vestido! A cadeira da ponta é minha! Gente, cadê meu binóculo? Ufa, tá aqui! Ah, não, mãe, de novo? Ninguém mandou você esquecer seu pince-nez na carruagem! Alguém não vai ver a ópera hoje à noite. Só vai escutar, né mãe? Olha, já vai começar! Pausa pra selfie. 

Podia ter sido assim, né? Bom, na minha cabeça foi. E digo mais: mãe e filha aí estavam usando Jardins de Bagatelle (Guerlain), que eu conheci graças à Helen. Thanks, Helen! 

É evidente que sou chegada numa overdose de licença poética, néam? Até porque (como se o problema fosse só este. rá!), Jardins de Bagatelle não foi criado no século XIX, mas nos XX. Ele é de 1983 mesmo. Ah, e o lance aqui é sobre a versão EDT, ok?

Floralzão de responsa, ele guarda luz e alegria dentro dele. Perfume ideal pra uma noite de ópera, como não? Seja você mãe ou filha, Jardins de Bagatelle cai bem. Só é preciso curtir florais brancos. Daqueles feitos com tuberosa, ok? Aviso dado.

A abertura traz limão, bergamota e neroli. O coração tem rosa, jasmim, gardênia, magnólia, narciso e tuberosa. Na base, patchouli, cedro, vetiver, tonka, benjoim e almíscar.

Todo trabalhado basicamente no neroli, no jasmim, na gardênia, nas madeiras e, bingo, na tuberosa, Jardins de Bagatelle é espetaculoso. E lindo. É só não exagerar (assim como a gente deve fazer nas noites de sexta, sabe?).

Explosão de flores brancas sob o sol, o amigo oitentista foi buscar inspiração no bonito, mundano e francês Jardim de Bagatelle, outrora apreciado pela mitológica Maria Atonieta que, certeza, seria aloka da selfie caso a selfie já existisse naquela época (aposto um macaron nisso!).

Refinadíssimo como quem vai à ópera em família, ele tem ali sua inebriante porção aldeídica como só se vê nos bons clássicos.

A Helen falou dele aqui.